E essa tal de street art?

São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d’Água)

Decidir o que é arte é complicado. Decidir o que é street art (arte urbana), então, é mais difícil ainda. Luxo ou lixo? Manifestação estética ou contravenção? Graffiti ou pichação? O que é o quê? E quem decide, afinal?

Há quem considere as pinturas rupestres dos povos pré-históricos como formas primitivas de graffiti. Depois disso, registros em forma de textos e desenhos adornaram também paredes de Roma e do Egito antigos, de Pompeia, etc. Mas isso foi há muito tempo…

Nascido no final dos anos 1960, os graffiti modernos estavam atrelados ao movimento cultural hip hop e, depois, ao punk rock e eram usados por gangues para demarcar seus territórios. Ativistas políticos também faziam uso de graffiti para manifestar suas posições. Apareceram primeiro em muros da Filadélfia e logo chegaram a vagões de trens e de metrô de Nova Iorque. Paralelamente, muros de cidades europeias como Paris e Belfast recebiam inscrições políticas, sociais ou mesmo poéticas.

Arte urbana e graffiti estão intimamente ligados. Até recentemente vistos com maus olhos, eles começaram a ser compreendidos como uma forma legítima de expressão artística e sócio-política há pouco tempo. O que separa a legalidade da ilegalidade é a autorização. Se o espaço foi disponibilizado para isso, não há problema. Se não foi, é infração.

Mas qual é a diferença entre arte urbana e graffiti? E pichação? A diferença está na sua forma de expressão, no tipo de público almejado e na intencionalidade. Os graffiti se manifestam essencialmente por meio de uma tag (etiqueta), que é uma inscrição. Não raramente, essas tags são difíceis de decifrar, a não ser que você conheça bem as técnicas envolvidas. São também a assinatura do grafiteiro, sua marca. Graffiti sempre têm texto, mesmo que seja difícil reconhecê-lo. Normalmente usa-se spray aerossol ou rolo e tinta, e a inscrição é feita na hora, muitas vezes, às pressas.

Arte urbana envolve desenhos. Ela pode até empregar algumas técnicas dos graffiti, mas geralmente requer preparo antecipado que é depois levado até o local. Usam-se, além de spray, estêncil, etiquetas adesivas, instalações, mosaicos, projeções de vídeo, entre outras coisas.

Pichação é uma inscrição muito menos elaborada. A pichação de propriedades privadas ou espaços públicos é vandalismo em diversos países e punível de acordo com a lei do local. Enquanto a pichação colabora para deteriorar a área onde ela ocorre, certas formas de arte urbana podem exercer o efeito contrário e embelezar um lugar decadente, elevando inclusive o preço das moradias da região. Acredite!

Diversos sites elencam as melhores cidades do mundo em relação a arte urbana. São Paulo, Berlim, Lisboa, Nova Iorque e Londres são sempre mencionadas. Há várias outras cidades. Curiosamente, São Francisco não aparece nessas listas (suspeito que esse pessoal não tenha estado por aqui!). Em São Francisco, há murais por toda a parte e, em especial, no bairro Mission. Para quem gosta do assunto, o 1amsf.com faz uma excursão que passa pelos melhores graffiti da cidade. No final, você pode grafitar também, tudo dentro da lei. Eles até ensinam como fazer sua própria tag. Aqui vai o site: http://1amsf.com/category/classes/ . Divirta-se!

– O –

E por falar em arte urbana em Lisboa…

A banda U2 lançou uma série de vídeos para seu álbum mais recente, Songs of Innocence, usando o trabalho de um artista urbano renomado diferente para cada uma das 11 canções. Os artistas tiveram liberdade para interpretar as canções como quisessem. A série se chama Films of Innocence. Vhils, pintor, escultor e grafiteiro português, usa explosões, grafite e metal enferrujado, entre outros materiais, em seus trabalhos (normalmente rostos esculpidos em paredes), que estão espalhados por diversos países. Ele foi o responsável pelo vídeo abaixo, filmado em Lisboa. Olha que bacana ficou:

E por falar mais um pouquinho em arte urbana em Lisboa…

Bordalo II,  um jovem artista português, anda fazendo maravilhas com objetos retirados do lixo. Seu trabalho em 3D é lindíssimo. Clique no link abaixo para ver um pouquinho de sua obra:

http://globalstreetart.com/bordalo-ii

–  O –

Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d' Água)
São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
Boston (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
Boston (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
Pompeia (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
Pompeia (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
Pompeia (foto Feito Peixe Fora d'Água)
Pompeia (foto Feito Peixe Fora d’Água)
Pompeia (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
Pompeia (foto de Feito Peixe Fora d’Água)

Fontes:

College & Research Libraries

Davey D’S Hip Hop Corner 

Wikipedia

Amália e sua fiel ajudante

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Esta manhã, pus meu iPod para tocar aleatoriamente e ele selecionou um fado. Adicionei a música à minha lista depois de visitar a Casa Museu Amália Rodrigues no verão europeu passado – passeio que fazia parte do plano que duas amigas e eu tínhamos de explorar Lisboa como se fôssemos turistas. Como as músicas têm o poder de fazer a gente voltar no tempo e no espaço, hoje de manhã fui parar de novo na conhecida Rua de São Bento, dentro do casarão em que a fadista viveu seus últimos 40 anos.

A Casa Museu é fácil de identificar: a gente chega e já vê um grande rosto da Amália pintado na fachada. Amália morreu em 1999 e, desde então, o casarão passou por algumas remodelações para se tornar um museu, mas pouca coisa mudou de fato.

O museu oferece visitas guiadas. Naquela tarde, esperamos alguns minutos no hall de entrada até que o pequeno grupo que havia chegado antes de nós saísse. Então, foi nossa vez de conhecer os andares seguintes da casa. Nossa guia, uma senhora já de uma certa idade, deixou escapar um suspiro enquanto subia lentamente os antigos degraus. Perguntei-lhe se ela subia e descia aquela escada muitas vezes por dia. Ela me disse que sim e sorriu, acrescentando, com ar resignado, “Estou acostumada!”

Chegamos no primeiro andar. Ali ficam uma grande sala de estar e uma sala de jantar. Tudo continua mobiliado e decorado como na época em que Amália ali morava. Na sala principal, encontram-se uma guitarra do século XIX, um piano, muitas condecorações e medalhas diversas. A mesa da sala de jantar está posta como se a cantora estivesse para receber amigos ou convidados ilustres. Nossa guia apontava para objetos e contava algumas histórias. De lá, fomos ao segundo andar, onde ficam uma outra sala, uma saleta cheia de roupas, dois quartos e um banheiro. A senhora continuava a contar histórias, chamando nossa atenção para os diversos quadros nas paredes e para vestidos e bijuterias que Amália usava em seus espetáculos e que agora permanecem expostos nos aposentos.

Nossa guia parecia seguir um script decorado que, de tanto ser repetido, já não trazia nenhum traço de emoção. Foi então que minha amiga resolveu lhe perguntar se ela havia conhecido a cantora pessoalmente. “Se eu conheci a Amália? Ah, sim!”, disse ela. Então, contou-nos que, quando fez dezoito anos, pediu de presente ao pai permissão para viajar a Lisboa. Era seu sonho conhecer a grande estrela Amália Rodrigues. Seu pai consentiu e ela partiu de Angola, sua terra Natal, para Portugal sem imaginar o que encontraria pela frente. Contou-nos que chegou no país estranho e que, durante dias e dias, tentou em vão falar com Amália. De tanto insistir, a própria fadista abriu a porta de seu casarão para ela e a convidou a entrar. “Entrei”, disse ela, “e não saí mais”. Amália ofereceu-lhe um emprego, e a jovem se tornou sua companheira fiel por quase quarenta anos. Disse-nos que havia dedicado sua vida à cantora enquanto esta era viva e que continuava a fazê-lo agora, como guia da Casa Museu.

Íamos ouvindo curiosidades sobre os costumes de Amália, sobre o que acontecia nos palcos e detrás deles, sobre as visitas que a artista recebia e as viagens que fazia. Descobrimos que a senhora a acompanhava por todos os lados, que conhecia bem os amores e os desamores da diva, suas alegrias e suas depressões.

Entre um relato e outro, a guia ia, aos poucos, revelando-nos também um pouco de sua própria história. Disse-nos que havia se casado e tido filhos. Contou-nos que foi ela que encontrou Amália morta, numa manhã, ao chegar para trabalhar. Fui me dando conta de que aquela senhora não havia tido somente um papel coadjuvante na vida de uma pessoa ilustre como Amália. A senhora era, sim, protagonista de uma existência interessantíssima. Quantas coisas mais teria para contar? Quantas dificuldades e desafios teria vencido? Que pena que não escreveu um livro ou não registrou de alguma outra forma tudo aquilo que vivenciou e continua vivenciando, começando pela sua infância em Angola, sua paixão por uma artista portuguesa, sua determinação em conhecê-la e sua coragem de, ainda tão jovem, sair de seu país, sem imaginar que o estava abandonando. Isso há mais de cinquenta anos!

Nossa visita guiada chegou ao fim. Saí do museu encantada com as histórias da Amália e com a trajetória daquela senhora e com vontade de saber mais sobre as duas. Não fosse eu tão tímida nem a guia tão ocupada, talvez a tivesse convidado para um café e um dedo de prosa. Mas eu sou tão tímida e ela estava tão ocupada…

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E por falar em fado…

– Sua história é complexa e muito rica. Quem quiser saber um pouco mais sobre o assunto não pode deixar de visitar o Museu do Fado, no Lg. do Chafariz de Dentro, 1, em Santa Apolônia. Tel.: 21 882 3470 ( www.museudofado.pt )

A Casa Museu Amália Rodrigues fica na Rua São Bento, 193. Tel.: 21 397 1896

– Nos meses de julho, agosto e setembro geralmente acontecem as ‘Visitas Cantadas’ em Alfama e na Mouraria, dois bairros típicos da cidade. As visitas se dão no final da tarde, duas vezes por semana. Basta chegar no ponto de encontro e se juntar ao grupo. As visitas são guiadas e o grupo caminha por ruas importantes da trajetória do fado, ouvindo histórias e músicas. Para maiores detalhes, visite o http://www.museudofado.pt . É bom ligar antes para se certificar que vai haver.

Em tempo: um programa imperdível na Mouraria, ao terminar a visita cantada, é subir até o terraço do Hotel Mundial, pedir uma bebidinha e apreciar o pôr do sol. A vista da cidade é linda! O hotel fica na Praça Martim Moniz, 2.

– Há várias casas de fado em Lisboa. Normalmente o programa inclui o jantar, que é caro e nem sempre é bom. Mas é possível chegar mais tarde só para assistir ao show. Aqui vão duas opções:

Clube do Fado: Rua São João da Praça, 86-94, Sé. Tel.: 21 885 2704

Senhor Vinho: Rua do Meio à Lapa, 18. Tel.: 21 397 2681

– Engana-se quem pensa que fado é coisa do passado. O estilo musical tem encontrado novo vigor com nomes fortes como Mariza, Kátia Guerreira, Carminho e Ana Moura, entre tantos outros.

– Em 2011, o fado foi declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade, pela UNESCO.

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Mural de autoria desconhecida, Mouraria
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Mural de autoria desconhecida, Mouraria

Praça do Comércio, Lisboa

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Foi na Praça do Comércio (também conhecida como Terreiro do Paço) que muitos fatos importantes da história portuguesa aconteceram. Se você tem planos de conhecer Lisboa, inevitavelmente vai andar por lá. Vale a pena pesquisar o assunto para descobrir pelo menos um pouco de tudo o que se passou naquela parte da cidade. O lugar, que andava decadente até alguns anos atrás, agora está muito lindo e concentra um grande número de restaurantes e lojas bacanas. Algumas sugestões:

 

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  • Lisboa Story Centre: o museu é interativo e superinteressante.  Lá você vai conhecer a história da cidade desde quando ela começou a ser povoada até os dias de hoje.  Há até uma simulação do terremoto que destruiu quase toda Lisboa em 1755. Não deixe de visitá-lo. Uma dica: você pode adquirir um bilhete combinado (Interactive Pack) que inclui tanto o ingresso para o ‘Lisboa Story Centre’ como para o ‘Arco da Rua Augusta’. Fica um pouco mais barato que comprá-los separadamente.

Aqui vai o link do museu: www.lisboastorycentre.pt

  • Arco da Rua Augusta: pagando um pequeno ingresso (ou usando seu bilhete combinado), você sobe de elevador até o topo do Arco, de onde terá uma vista magnífica da cidade, em especial da Rua Augusta, da Praça do Comércio e do rio Tejo.

 

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  • Museu da Cerveja: que é também um restaurante. Você pode se sentar a uma das charmosas mesas ou pedir sua cerveja + petiscos ao balcão. A especialidade da casa (além da cerveja, é claro!) são os bolinhos de bacalhau recheados de queijo da Serra da Estrela. Para quem não conhece, o queijo português de leite de ovelhas tem sabor bastante forte. Vá lá, peça um bolinho pelo menos… Ah, sim! O museu fica no andar de cima do restaurante.

 

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  • Café-restaurante Martinho da Arcada: dizem que o café, inaugurado em 1782,  era praticamente a segunda casa de Fernando Pessoa. Foi lá que o poeta escreveu boa parte de seus poemas. Ali você encontra pratos típicos da culinária portuguesa e também uns maravilhosos e sempre frescos pastéis de nata (que vão muito bem com um cafezinho, principalmente depois do bolinho de bacalhau do Museu da Cerveja!)

 

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  • Sala de Provas, Vinhos de Portugal, Sala Ogival: para quem quer provar vinhos das diversas regiões do país, esse é o lugar! Basta escolher qual vinho quer e botar uma moeda na máquina (de 50 cêntimos ou um euro, dependendo do vinho). De moedinha em moedinha e de copinho em copinho, as ladeiras de Lisboa vão parecendo ainda mais íngremes. Melhor ficar pela Baixa por enquanto ou correr para o Martinho da Arcada tomar outro café…

 

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  • Lisbon Shop: uma loja que é tudo de bom. Vai dar vontade de encher a mala de presentinhos. Pode acreditar!

 

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A Praça do Comércio tem tudo isso e muito mais. Divirta-se!

 

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Em Lisboa: Taberna da Rua das Flores e Landeau Chocolate

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Em Portugal, tascas são restaurantes simples, sem frescuras, que servem pratos típicos ou petiscos. Elas costumavam ter uma conotação meio negativa até tempos atrás. No entanto, de alguns anos para cá, as tascas têm passado por uma repaginada e viraram o lugar giro* da hora. Normalmente, nelas você come bem e paga relativamente pouco. Há muitas em Lisboa. Minha preferida é a pequena e notável ‘Taberna da Rua das Flores’. O lugar é uma graça, mas minúsculo. O cardápio do almoço é bastante reduzido e varia todos os dias. À noite, ele é maior. Não aceitam reservas e costuma haver filas. Mas vale a espera porque os pratos são de comer de joelhos, agradecendo aos céus.

*Giro(a) é um daqueles adjetivos que podem significar um montão de coisas, entre elas: bonito(a), legal, bacana, maneiro(a), descolado(a), etc. e que são usados nas mais diversas situações. É giro? Então, beleza!

Rua das Flores, 103 – Lisboa (tel: +351 21 347 9418)

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Se sobrou espaço para sobremesa – e ela pode ser bolo de chocolate – basta descer a rua alguns metros e, do lado esquerdo, você vai achar a ‘Landeau Chocolate’. É só isso mesmo que eles servem: um delicioso bolo de chocolate, chocolate quente, café, chá e pouca coisa mais. A ‘Landeau’ fica no térreo de um pequeno prédio antigo que foi renovado recentemente. Séculos atrás, era no térreo das casas e edifícios que ficavam as estrebarias. A chocolateria faz referência ao seu passado com algumas esculturas de cavalos expostas na decoração (linda, por sinal). O teto do lugar é original pombalino. Mas, de volta ao bolo de chocolate, ah, aquele bolo é muito bom…

Rua das Flores, 70 – Lisboa

www.landeau.pt

(Obrigada, Bianca!)

Uma curiosidade: a rua das Flores é mencionada com frequência no romance ‘Os Maias’, de Eça de Queiroz. Carlos e seus amigos a sobem e a descem diversas vezes no decorrer da história. 🙂

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Viajando leve (bem, nem tanto…)

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Acabo de ler a newsletter do meu amigo americano Jonathan. Ele escreve um blog sobre as viagens que faz com sua esposa todos os anos. Suas viagens são longas, normalmente duram de sete a oito semanas. Em sua newsletter, Jonathan dá dicas de como viajar com o mínimo de coisas possível. Ele e sua esposa costumam levar apenas uma mala de mão cada um e, portanto, evitam ter que pagar tarifas para despachá-las (que algumas companhias aéreas cobram), não precisam ficar esperando a bagagem chegar na esteira e não correm o risco de que elas sejam extraviadas. Viajante experiente, Jonathan descreve em pormenores tudo o que leva nos bolsos do casaco e na pequena mala, especificando quantidades, pesos e dimensões. Assim, com poucas roupas, meu amigo e sua esposa passeiam dois meses pela Europa, Ásia ou pelas Américas. Não são jovens mochileiros, longe disso. Ele é aposentado e ela trabalha com eventos em Hollywood. Apesar da ótima posição financeira, alojam-se em hotéis simples, confortáveis e bem localizados, mas jamais luxuosos. Frequentam galerias e museus, descobrem as atrações locais, comem e bebem muito bem e tiram o máximo proveito da cultura do lugar onde estiverem. Tudo isso com dois pares de sapatos, meia dúzia de camisas, três calças, uma câmera, um laptop e pouca coisa mais. Não viajam para fazer compras. Compram apenas livros que, depois de lerem, deixam nos hotéis para os próximos hóspedes. Depois voltam para casa com muitas fotos e muitas histórias para contar, e com as malas do mesmo tamanho de antes.

Vamos combinar, não temos chegar a esse ponto! Principalmente nós, mulheres. Afinal, só as nécessaires que levamos já pesam bastante, e sem elas fica mais difícil a gente ser feliz. Diminuir seu tamanho é inegociável. Precisamos de todos os nossos cremes, blushes e batons. E, sim, primer é um produto indispensável, basta ver a raiz da palavra: prim = primeira necessidade.

Esclarecidas as prioridades, vamos também admitir que certamente dá para simplificar bastante nossa vida quando viajamos. Será que precisamos mesmo levar uma roupa para cada dia e sapatos e bolsas para combinar com cada uma delas? Vamos com as malas cheias e voltamos ainda mais carregadas, depois das comprinhas que adoramos fazer, principalmente no exterior. Com certeza, muitas vezes os preços compensam e os artigos são únicos ou de melhor qualidade. Às vezes, a viagem tem mesmo esse objetivo. É válido. Mas será que temos que associar toda e qualquer viagem a compras?

Com o passar do tempo, venho aprendendo uma coisinha ou outra quanto ao que levar na bagagem e ao que trazer de volta… Meio no “quem não vai pelo amor vai pela dor…” Minhas viagens em família incluem sempre muitos e muitos quilômetros de caminhadas. Saímos de manhã e voltamos à noite, seja com frio, calor, chuva ou neve. Assim, os saltos e as sandalinhas delicadas, blusinhas e casacos lindos, mas inúteis não viajam mais comigo. Aprendi a duras penas, depois de repetidos episódios de dolorosas bolhas nos pés e das tantas vezes que vi o Marido, viajante também tarimbadíssimo, balançar a cabeça (tsk, tsk, tsk) e dizer: “Para que levar isso? Não é esse tipo de viagem…”. Devagarinho fui trocando a vaidade pelo conforto. Mas sem exageros: tudo tem limite!

Turista estrangeiro tem cara de turista estrangeiro. É fato. A gente se arruma toda e vai ao restaurante bacana do local, e lá estão aqueles americanos ou europeus na mesa do lado, absolutamente tranquilos com suas calças cargo (cruzes!) e sandálias Birkenstock, felizes, deliciando-se com algum prato maravilhoso e apreciando um bom vinho. E o melhor de tudo: ninguém liga! Com exceção de uns poucos restaurantes muito sofisticados (normalmente mais formais – o tipo que não me atrai), hoje tudo está bem mais tranquilo. Você vai do jeito que está, sem problemas. Ótimo! Então, deixo o capricho na produção para quando voltar para casa. A não ser que eu esteja em Portugal. Ah, aí é diferente…

Acabo de voltar de Portugal. Fui passar lá dois meses. Para ir, fiz e refiz minha mala diversas vezes, tirando e botando de volta isso e aquilo, até chegar a um consenso. Mesmo assim, ela ficou bastante grande, maior do que eu gostaria. Ao ler a newsletter do meu amigo Jonathan, não deu para não comparar a bagagem dele com a minha. Mas afinal de contas, Portugal é esse tipo de viagem. Minha casa foi lá durante alguns anos e, de certa forma, continua sendo. Lá eu vou às compras, porque tem sempre lugar para mais um livro, um galinho de Barcelos ou uma sardinha de cerâmica na minha coleção. É lá que eu revejo pessoas queridas, saio para almoçar com uma amiga, vou ao cinema com outra, tomo um aperitivo no final da tarde com outra ainda… Em Portugal eu cometo todos os meus excessos. E vou de rasteirinhas, apesar de saber que inevitavelmente vou tropeçar nas calçadas portuguesas (as pedrinhas são lindas, mas perigosas…). Mas é só lá. Para os outros tipos de viagens também tenho minhas Birkenstock. Agora, calça cargo, não! Como disse, tudo tem limite…

(As dicas do Jonhathan você encontra aqui: http://wp.me/p2G6y6-1hR)

E por falar em compridas…

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Não sei dizer se foi a crise (mãe da criatividade) ou se foi uma nova geração de portugueses que resolveu retomar e valorizar a esquecida arte nacional, mas o fato é que o país está cheio de artesanato lindíssimo. Os temas são bem característicos: sardinhas, andorinhas, Santo Antônio, fado, entre outros. Os galinhos de Barcelo nunca saíram de cena, na verdade. Mas o restante é coisa bastante recente. Irresistível! Seja lá o que deu origem a isso, o importante é que  está funcionando muito bem.

Lisboa tem muitas lojinhas bacanas. Não deixe de comparar preços, porque eles variam muito de uma para outra. Duas lojas excelentes onde você vai achar lembrancinhas para todo mundo são:

  • A Vida Portuguesa 

Rua Anchieta, 11 (no Chiado)

www.avidaportuguesa.com

  • Lisbon Shop

 Rua do Arsenal, 15 – Pátio da Galé (na Praça do Comércio) 

E por falar em sardinhas…

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Elas agora são gourmet! Numa sacada de mestre, alguém resolveu transformá-las em algo mais requintado. Deu certíssimo também! Diversas marcas investiram no peixe mais popular que existe e o transformaram em manjar dos deuses. As latas estão lindas e há muitas variações de molhos (de azeite, tomate, suco de limão…). Uma latinha + pão crocante + um copinho de vinho branco bem gelado e a felicidade está garantida.

Você encontra as latinhas em muitos lugares, mas aqui vai uma loja especial:

  • Loja das Conservas

  Rua do Arsenal, 130 (Lisboa)

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