Pesto Genovese

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O molho pesto que conhecemos hoje nasceu lá pelos lados de Gênova, na região italiana da Ligúria. No entanto, os romanos antigos já comiam uma pasta feita de queijo, alho e ervas séculos antes. Vindo do Oriente Médio, o manjericão apareceu mais tarde, tanto na Ligúria quanto na Provença, e substituiu as outras ervas. O pesto italiano e o pistou francês são parentes próximos, mas não são idênticos.

Tradicionalmente, o pesto leva apenas sete ingredientes, que devem ser da melhor qualidade: manjericão, azeite extravirgem, alho, queijo Parmesão, queijo Pecorino, pinoli e sal. Segundo os puristas, o tamanho das folhas de manjericão é importante: precisam ser novas e, portanto, pequenas (tem a ver com a quantidade de óleos essenciais que influenciam o sabor).  Eles ainda especificam a origem da erva, assim como a do azeite (devem ser da Ligúria).

Mas como não poderia deixar de ser, o molho tem variações. Dizem até que cada família na Ligúria tem sua ‘receita secreta’ (difícil imaginar tantas alternativas, não?). Algumas receitas levam salsa, rúcula, creme, ricota, nozes em vez de pinoli, etc. Ah, mas aí já não é mais Pesto Genovese e, sim, Pesto alla Genovese. Para os puristas, a diferença é muito importante! Então, para assegurar a proteção da receita original, criou-se Il Consorzio del Pesto Genovese, que é reconhecido pelo Ministério da Agricultura e que tem um estatuto com 15 artigos. Rigorosíssimo! Pois é…

A receita tradicional pede que os ingredientes sejam amassados num pilão, com movimentos rotatórios. Quem não tem nem tempo nem paciência pode usar um processador ou liquidificador. Nesse caso, para garantir que o molho não fique escuro (devido à oxigenação), recomenda-se deixar a lâmina e o copo do processador ou liquidificador na geladeira por um tempo antes de utilizá-los. Outra coisa que ajuda o molho a não escurecer é enxugar bem as folhas de manjericão depois de lavá-las. Parece que gotinhas de água e alta temperatura são inimigas do pesto verdinho.

Feito o pesto, basta cozinhar a pasta, a batata e a vagem. Como é que é? Batata e vagem?! Explico: um bel piato di pasta al pesto normalmente é servido com batatas em cubinhos e vagens cortadas, que são cozidas na mesma panela com a massa.  Ao escorrer a massa, reserve um pouco da água e, quando tudo estiver cozido, misture o pesto e algumas colheres da água reservada. O amido tanto da massa quanto da batata ajuda a dar cremosidade ao molho. Acha estranho servir batata e massa num mesmo prato? Funciona, prometo.

Aqui vai uma receita genovesa quase oficial (sejamos maleáveis!)

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Ingredientes para o molho pesto

1 maço de manjericão de cerca de 50g (procure folhas não muito grandes)

2 dentes de alho

70g (6 colheres de sopa) de queijo Parmigiano Reggiano, ralado (se não achar o queijo italiano, um Parmesão nacional de ótima qualidade faz as vezes)

30g (cerca de 2 colheres de sopa) de queijo Pecorino, ralado (não tem? Use mais Parmesão)

100ml de azeite de oliva extravirgem

15g (cerca de 1 colher de sopa) de pinoli (pine nuts) ou nozes.

1 pitada de sal

Ingredientes para a massa

250g de batatas (cerca de duas batatas médias), cortada em cubinhos

200g de vagem, cortadas em três

350g de trofie, penne ou outra massa de sua preferência

Preparo

Em um processador ou liquidificador recém-tirado da geladeira, junte todos os ingredientes, menos o azeite. Pulse e desligue algumas vezes, adicionando um pouco de azeite por vez, até obter um creme (não precisa ficar muito homogêneo).

Coloque a massa e os cubinhos de batata para cozinhar em uma panela grande com bastante água e um pouco de sal. Mexa durante os primeiros minutos. Siga as instruções da embalagem da massa quanto ao tempo de cozimento. Cerca de cinco minutos antes de a massa estar pronta, acrescente a vagem. Quando tudo estiver cozido, escorra, reservando algumas colheres da água. A massa deve estar al dente e as batatas, macias. Se não tiver certeza de que acertará o tempo de cozimento usando uma panela só para as três coisas, cozinhe os ingredientes separadamente.

Coloque a massa, a batata e a vagem em uma vasilha grande, despeje o molho pesto e um pouquinho da água reservada. Misture bem, polvilhe um pouco de queijo Parmesão por cima e sirva em seguida. Buon appetito!  (Rende de 3 a 4 porções.)

Obs. O pesto congela bem. Se quiser, faça o dobro da receita e congele a metade. Ele também descongela com facilidade.

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E por falar em Itália…

Para entrar ainda mais no clima, que tal abrir um vinho e ver filminho italiano? Aqui vão algumas sugestões:

E outros dois deliciosos, que não são italianos, mas se passam na Itália:

Fontes:

Mangiare in Liguria

Giallo Zafferano

E essa tal de street art?

São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d’Água)

Decidir o que é arte é complicado. Decidir o que é street art (arte urbana), então, é mais difícil ainda. Luxo ou lixo? Manifestação estética ou contravenção? Graffiti ou pichação? O que é o quê? E quem decide, afinal?

Há quem considere as pinturas rupestres dos povos pré-históricos como formas primitivas de graffiti. Depois disso, registros em forma de textos e desenhos adornaram também paredes de Roma e do Egito antigos, de Pompeia, etc. Mas isso foi há muito tempo…

Nascido no final dos anos 1960, os graffiti modernos estavam atrelados ao movimento cultural hip hop e, depois, ao punk rock e eram usados por gangues para demarcar seus territórios. Ativistas políticos também faziam uso de graffiti para manifestar suas posições. Apareceram primeiro em muros da Filadélfia e logo chegaram a vagões de trens e de metrô de Nova Iorque. Paralelamente, muros de cidades europeias como Paris e Belfast recebiam inscrições políticas, sociais ou mesmo poéticas.

Arte urbana e graffiti estão intimamente ligados. Até recentemente vistos com maus olhos, eles começaram a ser compreendidos como uma forma legítima de expressão artística e sócio-política há pouco tempo. O que separa a legalidade da ilegalidade é a autorização. Se o espaço foi disponibilizado para isso, não há problema. Se não foi, é infração.

Mas qual é a diferença entre arte urbana e graffiti? E pichação? A diferença está na sua forma de expressão, no tipo de público almejado e na intencionalidade. Os graffiti se manifestam essencialmente por meio de uma tag (etiqueta), que é uma inscrição. Não raramente, essas tags são difíceis de decifrar, a não ser que você conheça bem as técnicas envolvidas. São também a assinatura do grafiteiro, sua marca. Graffiti sempre têm texto, mesmo que seja difícil reconhecê-lo. Normalmente usa-se spray aerossol ou rolo e tinta, e a inscrição é feita na hora, muitas vezes, às pressas.

Arte urbana envolve desenhos. Ela pode até empregar algumas técnicas dos graffiti, mas geralmente requer preparo antecipado que é depois levado até o local. Usam-se, além de spray, estêncil, etiquetas adesivas, instalações, mosaicos, projeções de vídeo, entre outras coisas.

Pichação é uma inscrição muito menos elaborada. A pichação de propriedades privadas ou espaços públicos é vandalismo em diversos países e punível de acordo com a lei do local. Enquanto a pichação colabora para deteriorar a área onde ela ocorre, certas formas de arte urbana podem exercer o efeito contrário e embelezar um lugar decadente, elevando inclusive o preço das moradias da região. Acredite!

Diversos sites elencam as melhores cidades do mundo em relação a arte urbana. São Paulo, Berlim, Lisboa, Nova Iorque e Londres são sempre mencionadas. Há várias outras cidades. Curiosamente, São Francisco não aparece nessas listas (suspeito que esse pessoal não tenha estado por aqui!). Em São Francisco, há murais por toda a parte e, em especial, no bairro Mission. Para quem gosta do assunto, o 1amsf.com faz uma excursão que passa pelos melhores graffiti da cidade. No final, você pode grafitar também, tudo dentro da lei. Eles até ensinam como fazer sua própria tag. Aqui vai o site: http://1amsf.com/category/classes/ . Divirta-se!

– O –

E por falar em arte urbana em Lisboa…

A banda U2 lançou uma série de vídeos para seu álbum mais recente, Songs of Innocence, usando o trabalho de um artista urbano renomado diferente para cada uma das 11 canções. Os artistas tiveram liberdade para interpretar as canções como quisessem. A série se chama Films of Innocence. Vhils, pintor, escultor e grafiteiro português, usa explosões, grafite e metal enferrujado, entre outros materiais, em seus trabalhos (normalmente rostos esculpidos em paredes), que estão espalhados por diversos países. Ele foi o responsável pelo vídeo abaixo, filmado em Lisboa. Olha que bacana ficou:

E por falar mais um pouquinho em arte urbana em Lisboa…

Bordalo II,  um jovem artista português, anda fazendo maravilhas com objetos retirados do lixo. Seu trabalho em 3D é lindíssimo. Clique no link abaixo para ver um pouquinho de sua obra:

http://globalstreetart.com/bordalo-ii

–  O –

Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d' Água)
São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
Boston (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
Boston (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
Pompeia (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
Pompeia (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
Pompeia (foto Feito Peixe Fora d'Água)
Pompeia (foto Feito Peixe Fora d’Água)
Pompeia (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
Pompeia (foto de Feito Peixe Fora d’Água)

Fontes:

College & Research Libraries

Davey D’S Hip Hop Corner 

Wikipedia