Chinatown – Um breve passeio pelos bairros de São Francisco

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Chinatown de São Francisco é a comunidade chinesa mais antiga do país. Sua história se confunde com a da cidade, que teve início no final da primeira metade do século XIX. O que é hoje São Francisco não passava de um vilarejo no meio do qual alguém havia enfiado uma bandeira americana. Portsmouth Square se chamava a praça ao redor da qual havia algumas cabanas, uma ou outra construção de pedras ou tijolos, algum comércio precário e pouca coisa mais. Com a descoberta de ouro na Califórnia em 1848, a população do lugar cresceu de mil para mais de 25 mil habitantes em apenas um ano. Muitos desses recém-chegados eram chineses.

A notícia da descoberta de ouro nas terras distantes da ‘Golden Mountain’ (EUA) chegou à China quando o país estava muito mal. Os chineses haviam acabado de ser derrotados pelos britânicos na Primeira Guerra do Ópio e, ainda por cima, uma série de catástrofes naturais castigava a população. As consequências disso tudo foram devastadoras. Muitos chineses deixaram seu país em busca de melhores dias e vieram procurar trabalho nas minas e nas ferrovias do oeste americano. Foram recebidos com desconfiança. Nos anos seguintes, a construção das ferrovias terminou e, ao mesmo tempo, os EUA entraram em depressão econômica. Os chineses continuavam chegando aos montes e começaram a ser vistos com maus olhos porque competiam por trabalho com os americanos. Discriminados e submetidos a uma legislação para lá de repressora, eles passaram por maus pedaços… Sem trabalho e proibidos de atuar em vários setores, centenas de chineses se instalaram em cortiços de madeira nas proximidades de Portsmouth Square, que agora já era uma região com residências, hotéis, escritórios, restaurantes, bordéis e casas de jogos. Começaram a se dedicar à agricultura e à pecuária, a fazer serviços domésticos nas casas dos americanos e a trabalhar em restaurantes. Montaram muitas e muitas lavanderias. Aquela área logo ficou conhecida como “Little Canton” e, mais tarde, como “Chinatown”. O lugar ficou colorido e barulhento, cheio de lanternas típicas, placas em dialetos diversos, templos, herbários, um teatro, mercadinhos e muita gente.

Durante as décadas seguintes, a imigração de chineses foi controlada rigorosamente. Só entrava um número restrito de homens; mulheres e crianças voltavam para trás. As coisas começaram a mudar quando, com o ataque do Japão a Pearl Harbor em dezembro de 1941, os chineses se aliaram aos americanos e lutaram com eles lado a lado contra os japoneses, usando o mesmo uniforme e carregando a mesma bandeira. A partir daí, caíram nas graças dos americanos (bem, mais ou menos) e passaram a poder adquirir cidadania americana e a ter direitos antes negados, como trazer a família da China, trabalhar em diversos setores, votar, possuir propriedade fora de Chinatown, etc.

O tempo passou e muita coisa mudou desde então. Hoje Chinatown compreende uma área de pouco mais de vinte quarteirões em volta da mesma Portsmouth Square – uma praça feiosa onde frequentemente se veem idosos jogando xadrez chinês ou praticando Tai Chi. Fica no coração da cidade e faz fronteira com o bairro italiano North Beach e o Distrito Financeiro. Ali habitam mais de 80 mil chineses (descendentes e recém-chegados), muitos em condições precárias. É muita gente em pouco espaço. A maioria da população chinesa (e asiática, como um todo), no entanto, geralmente mais próspera, mora nos distritos de Richmond e Sunset.

Segundo o último Censo, um em cada cinco habitantes de São Francisco é chinês ou de descendência chinesa. Hoje, quem diria, o prefeito da cidade, Ed Lee, é sino-americano.

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E por falar em sino-americanos…

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Chop Suey, ao contrário do que se acredita, não é um prato chinês autêntico. Nasceu por acaso, em solo americano. Dizem que alguns marinheiros chegaram a Honolulu tarde da noite, famintos. Não encontraram nada aberto. Quando viram a luz ainda acesa em um pequeno restaurante, imploraram para o dono lhes dar qualquer coisa de comer. O proprietário, um senhor chinês, ficou com pena dos marinheiros e improvisou uma receita com as sobras do dia. O prato ficou uma delícia. Quando perguntaram o nome daquilo, o senhor respondeu: “chop suey”, que em cantonês quer dizer “coisas misturadas”.

Aqui vai uma receitinha bem simples e saborosa. Os ingredientes podem ser facilmente substituídos, se quiser.

Chop Suey

Ingredientes:

500g da carne de sua preferência (porco, vaca ou frango), em fatias finas

2 colheres (sopa) de óleo (um pouco mais, se necessário)

2 cenouras médias, cortadas em diagonal em fatias finas

1 talo de salsão, cortado em diagonal em fatias finas 2 xícaras de brotos de feijão (frescos ou enlatados)

1 xícara de cogumelos frescos fatiados 1 xícara de brotos de bambu (frescos ou enlatados)

3 cebolinhas, cortadas em diagonal em fatias grossas

3 xícaras de noodles ou arroz cozido

Para o molho:

½ xícara de caldo de galinha

3 colheres (sopa) de molho de soja (Shoyu)

4 colheres (chá) de amido de milho

1 colher (chá) de açúcar

Preparo:

Aqueça 1 colher de óleo em um wok ou uma frigideira grande. Frite as cenouras e o salsão em fogo algo, mexendo sempre, por cerca de dois minutos. Acrescente mais um pouco de óleo, se necessário, e adicione os brotos de feijão fresco (se estiver usando) e os cogumelos, os brotos de bambu e as cebolinhas. Frite, mexendo constantemente, por mais dois minutos ou até que os legumes estejam macios, porém ainda crocantes. Retire e reserve.

Aqueça a colher de óleo restante no wok ou frigideira e frite metade da carne. Mexa sempre até que esteja bem frita. Retire e reserve. Faça o mesmo com a outra metade da carne. Quando estiver frita, adicione o molho e mexa constantemente, até que ele ferva e engrosse. Junte os legumes e a carne que estavam reservados e os brotos de feijão enlatados (se estiver usando). Aqueça por um minuto e sirva sobre noodles ou arroz. Rende 4 porções.

Obs.: O segredo desse tipo de prato é cozinhar com pouco óleo,em fogo alto e rapidamente.

(Receita adaptada do livro: Wok Cuisine, Oriental to American – Better Homes and Gardens)

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P.S. A história da imigração chinesa é muito mais complexa e interessante do que poderia caber num post de blog. Aqui fica um resumo bem superficial, só para dar uma ideia. 🙂

Fontes:

San  Francisco Magazine – Special Issue: Culture, Politics, and the Rise of a Chinese-American Establishment

PBS – KQEDhttp://www.pbs.org/kqed/chinatown/resourceguide/story.html

Wikipedia