The Castro – Um breve passeio pelos bairros de São Francisco

 

(Foto de Feito Peixe Fora d'Água)
(Foto de Feito Peixe Fora d’Água)

O bairro Castro nasceu dentro de um outro bairro, o Eureka Valley, lá pelo final dos anos 1880. Na época, ali só havia umas poucas residências e vários pequenos negócios. Nas casas, de arquitetura vitoriana, além de americanos e mexicanos, moravam irlandeses, alemães, suecos e finlandeses que trabalhavam no comércio, no setor público e nas docas, e o pequeno lugar tinha tudo de que precisava: mercadinhos, padaria, açougue, etc. Com o tempo, o número de casas aumentou e espremeu o bairro, mas suas características permaneceram. Até a chegada a Segunda Guerra Mundial… Os anos pós-guerra viram o declínio do bairro. Os preços altíssimos dos financiamentos fizeram com que muitos trocassem Eureka Valley pelo subúrbio de São Francisco. A popularização dos automóveis serviu de incentivo.

Durante a Segunda Guerra Mundial, milhares de soldados americanos de todas as partes do país foram expulsos das suas divisões devido à sua orientação sexual. São Francisco, já conhecida por ser bastante tolerante, acolheu um grande número desses soldados, e eles foram parar em diversos pontos da cidade. Eureka Valley passou a se firmar como uma comunidade gay durante o Summer of Love do bairro vizinho, Haight-Ashbury, em 1967 (para saber mais sobre o evento e o movimento hippie, dê uma olhadinha no meu post anterior). Nos anos que se seguiram, médicos, engenheiros e advogados, grande parte deles gays com muito dinheiro, começaram a se mudar para Eureka Valley, atraídos principalmente pela bela arquitetura local. Castro Street, a principal rua do pequeno distrito, acabou por dar seu nome ao bairro.

Hoje, São Francisco (incluindo Oakland e Hayward) tem o maior número de pessoas que se identificam como gays, lésbicas, bissexuais e transexuais do país. Segundo a Sistema de Pesquisa Gallup, isso se traduz em 6,2% da população da cidade. A bandeira símbolo do movimento LGBT foi desenhada por Gilbert Baker, artista de São Francisco, em 1978, e sofreu algumas modificações desde então.

O bairro foi e continua sendo palco de marchas, protestos, movimentos políticos e eventos históricos. E de pessoas nuas. Pois é. Até fevereiro de 2013, usar roupas na cidade era opcional. A única exigência era que, por questões de higiene, se cobrisse o assento com papel ou pano antes de se sentar. A nova lei cortou um pouco o barato dos peladões e peladonas espalhados por São Francisco. No entanto, basta um passeio por Castro para a gente se deparar com alguém assim, bem à vontade. Se não quiser passar pela experiência, não visite o bairro ou, então, torça para que esteja fazendo muito frio no dia.  🙂

Castro é, sem dúvida, um dos bairros mais agitados da cidade. Há inúmeros bares, cafés, restaurantes, clubes e lojas, além do icônico cinema (o Castro Theater, construído em 1922). Diversão não falta. Uma precaução, porém: olhinhos infantis podem se chocar com algumas vitrines. Se for passear por lá, é melhor não levar os pequenos.

Para saber mais, você pode fazer um walking tour que passa pelos lugares mais interessantes enquanto conta a história do bairro. É só visitar o site:

http://www.cruisinthecastro.com

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E por falar em movimentos políticos…

 Foi para Castro que se mudou Harvey Milk , a primeira pessoa assumidamente gay  eleita para um cargo de governo nos EUA. A história é contada no filme Milk: A Voz da Igualdade, de 2008. Aqui vai o trailer:

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Fontes:

Wikipedia

http://www.kqed.org/w/hood/castro/castroHistory.html

Frommer’s San Francisco 2011

Um breve passeio pelos bairros de São Francisco: Haight-Asbury

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O bairro de Haight-Ashbury recebeu esse nome devido à intersecção de duas de suas ruas principais, a Haight St. e Ashbury St. Até o início do século passado, as grandes casas coloridas de estilo vitoriano que ali existiam eram habitadas por moradores da classe média-alta de São Francisco. O bairro, por sorte, escapou ileso do terremoto de 1906 que devastou grande parte da cidade. As mansões continuaram de pé, mas o lugar foi mudando de perfil aos poucos.

A Crise de 1929 e a consequente depressão econômica pela qual o país passou nos anos seguintes e, mais para a frente um pouco, os anos posteriores à Segunda Guerra Mundial contribuíram para o declínio daquela região. Os antigos moradores abandonaram o bairro, alugando suas antigas residências por preços muito baixos. E, aí, ah… aí, vieram os anos 1960 e, com eles, o movimento hippie.

Foi o Human Be-In, um evento que atraiu cerca de 20 mil pessoas em janeiro de 1967 no Golden Gate Park (ali do lado) o responsável pelo início da popularização do movimento hippie. Foi esse evento também que inspirou o famoso musical Hair. Em junho do mesmo ano, aconteceu o Monterey Pop Festival, no sul da Califórnia. Nele se apresentaram pela primeira vez para um grande público figuras como Janis Joplin e as bandas The Jimmy Hendrix Experience e The Who. O festival deu início ao Summer of Love, um fenômeno social que levou cerca de 100 mil pessoas a se instalarem, de cabelão, bata e cuia, em Haight-Ashbury. Essa multidão toda chegou para ficar, atraída pelo baixo custo dos aluguéis, pelo fácil acesso a drogas como anfetaminas, LSD e marijuana e pela vontade de viver em comunidade. O bairro de São Francisco ficou famoso e passou a ser sinônimo de contracultura, drogas e música. Ah, claro, e de paz e amor. Janis Joplin, o pessoal do Grateful Dead e do Jefferson Airplane todos moraram ali.

Nos anos de 1980, Haight-Ashbury teve papel importante no crescimento e na promoção da comédia teatral de SF. O bairro ajudou a lançar a carreira de Robin Williams e Whoopi Goldberg, entre outros comediantes.

Hoje os hippies se foram, com exceção de alguns poucos remanescentes. O que se vê ali agora é uma mistura de lojas trendy, restaurantes e cafés hip (não confundir hip com hippie!), lojas de discos e de roupas vintage, moradores ricos (muitos voltaram…), pedintes, gente das mais diversas tribos, algum cheiro suspeito, cores por todos os lados e, sim, muitos turistas.

Se planeja passar alguns dias em São Francisco, uma visita ao bairro pode ser bastante divertida. Aqui vão quatro dicas:

  • Haight-Ashbury Flower Power Walking Tour: para quem quer saber um pouco mais sobre a arquitetura local, a história do movimento hippie, visitar a casa de Janis Joplin, etc.

www.haightashburytour.com

  • Haight-Ashbury Street Fair: a feira acontece todo segundo domingo de junho. Lá você vai encontrar artesanato de todo tipo, comidas étnicas, bandas de rock e coisas do gênero.

www.haightashburystreetfair.org

  • Ben and Jerry’s Ice Cream: a legendária sorveteria fica bem na esquina da Haight Street com a Ashbury Street. Saboreie seu sorvete e tire uma foto das placas. 🙂

1480 Haight St., San Francisco CA.

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E por falar em hippies…

Scott McKenzie imortalizou o movimento na cidade com sua música San Francisco (Be Sure to Wear Flowers in Your Hair): 

“If you’re going to San Francisco
Be sure to wear some flowers in your hair
If you’re going to San Francisco
You’re gonna meet some gentle people there”…

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Fontes:

Frommer’s San Francisco 2011

Wikepedia