Facciamoci un aperitivo?

Dizem que o médico grego Hipócrates, há quase dois milênios e meio, prescrevia gotas de seu Vinum Hippocraticum aos pacientes que não tinham fome. Uma espécie de vinho branco misturado com losna e arruda, a poção era bastante amarga. Podemos imaginála sendo engolida de uma só vez e provocando uma grande careta…

Mais tarde, os romanos acrescentaram ervas aromáticas à mistura com o intuito de torná-la mais prazerosa. Sua função continuava a mesma: a de abrir o apetite, e ela passou, então, a ser conhecida como ‘aperitivo’, que vem do latim aperire (abrir).

Com o tempo e a influência de outros povos, a bebida continuou se transformando e se popularizando.

Muitos séculos depois, em Turim, foi criado o Vermouth. Tendo objetivo semelhante, mas paladar bem mais agradável, a novidade caiu nas graças do rei Vittorio Emanuele II e virou o aperitivo oficial da corte. E, assim, a combinação de vinho, ervas e especiarias que prepara o estômago antes das refeições virou mania em toda a Itália e é bastante apreciada especialmente no norte do país. O conceito ampliou-se ao longo dos anos e hoje inclui diversas outras bebidas alcoólicas e não alcoólicas que vão desde vinho, cerveja e coquetéis, como o Negroni e o Bellini, até sucos de frutas e refrigerantes.

O hábito delicioso de ir ao bar com amigos antes do jantar não deve ser confundido com nosso happy hour: os aperitivos na Itália não ficam mais baratos por causa do horário. Ao contrário, geralmente os preços aumentam consideravelmente entre as 18h e as 21h. O que os torna tão atraentes (e mais caros) é que os bares e restaurantes servem antepastos com a bebida. Pelo preço dela, você come e bebe. As comidinhas vão desde simples batatinhas e azeitonas, até elaboradas pizzette, bruschette, focacce e grissini, massas, verduras grelhadas ou mesmo fatias de queijo, salame e presunto cru. Os antepastos variam bastante de região para região. Vale a pena pesquisar quais são os bares mais populares entre os italianos e evitar os muito turísticos.

Muitas vezes, as porções são trazidas até a mesa; se quiser mais uma porção, terá que pedir mais uma bebida. Outras vezes, há um bufê do qual você se serve. Você pode voltar ao bufê várias vezes, mas é sempre bom usar o bom senso: se pretende continuar comendo, é melhor pedir mais uma bebida. A ideia original, no entanto, deve continuar valendo: a de preparar o estômago e não a de substituir a refeição.

Os italianos fazem um aperitivo no bar e depois ou vão jantar em casa ou seguem com os amigos para algum restaurante onde, invariavelmente, o assunto girará em volta daquilo que estiverem comendo. É um prazer que leva a outro, mas tudo em doses moderadas. Dificilmente veremos alguém se excedendo na bebida ou na comida. Não parece que eles sabem muito bem o que fazem?

(Fontes: Bar Business; http://www.bergamoparty.it)

 E por falar em aperitivos…

  De cor alaranjada e sabor levemente amargo, o Aperol é uma bebida originária de Pádua e lembra um pouco o Campari (ambos são feitos pelo Gruppo Campari). Porém, tem teor alcoólico bem menor que seu primo de cor vermelha (11% contra os mais de 20% do Campari). Com ele é feito um dos aperitivos mais queridos da Itália. Ecco la ricetta:

Aperol Spritz

Em um copo do tipo americano ou uma taça de vinho, colocar bastante gelo e acrescentar:

3 partes de Prosecco ou outro vinho branco espumante

2 partes de Aperol

1 parte de Club soda ou água com gás

1 fatia fina de laranja (opcional)

Cin cin!

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