As francófilas e suas yoga pants

Uma vez Carrie Bradshaw disse, num episódio de Sex and the City, que era fácil reconhecer quem não era de Nova Iorque só de olhar para a pessoa. A maneira como estavam vestidos delatava os forasteiros. Carrie passou todas as temporadas do seriado usando roupas e sapatos fabulosos, quando não um pouco excêntricos, e, embora eu duvide que todas as nova-iorquinas se vistam como Carrie se vestia, algumas devem fazê-lo, e a exuberância possivelmente passará despercebida nas ruas de Manhattan.

Aqui na costa oeste dos EUA, as coisas são bem diferentes. As californianas se vestem com muito mais descontração. Na Califórnia há uma predileção por calças legging. Sim, aquelas de fazer ginástica, aqui chamadas de yoga pants. Não fiz uma pesquisa, mas poderia apostar que em nenhum outro lugar do mundo usam-se tantas leggings como aqui. Elas são o que se vê nas ruas da cidade, nos cafés, nos supermercados, nos cinemas, nos aeroportos. As americanas daqui parecem estar sempre prontas para dar uma corridinha ou entrar numa academia, mesmo se na verdade estiverem indo pegar um caffè latte no Starbucks ou buscar o filho na escola. Calças legging estão para as californianas assim como calças jeans estão para o resto do mundo. E elas as vestem impecavelmente, tenham certeza, já que não se vê uma só celulite ou gordurinha fora do lugar. Elas podem.

Meio que na contramão do que disse acima, uma boa parte das americanas se intitula Francophile (francófilas), o que quer dizer que amam de paixão tudo aquilo que é francês. Daí a abundância de livros sobre o país e, em especial, sobre Paris e as parisienses. Há inúmeras autoras ensinando as americanas a serem mais francesas. “As francesas isso, as francesas aquilo, as francesas sempre, as francesas jamais…” Os livros tratam do que as francesas comem, de como se portam e, sobretudo, de como se vestem. Ironicamente, suas autoras não são francesas. Com raras exceções, são americanas que passaram algum tempo em Paris e resolveram escrever sobre a parcela das francesas que corresponde ao ideal que se fez delas pelo mundo afora: as despojadamente elegantes e charmosas.

Não entendo muito do assunto, mas depois de morar em alguns países e de visitar uns tantos outros, é claro para mim que moda é uma coisa muito particular de cada cultura. Apesar de sermos bombardeados pela mídia com as tendências de cada estação, a forma como cada cultura vê e usa essas tendências varia muito. As espanholas têm uma maneira particular de se vestir, as italianas também. O que funciona em Portugal – sei por experiência própria – não funciona necessariamente no Brasil ou nos Estados Unidos… Como Carrie Bradshaw já havia notado, até dentro de um mesmo país existem diferenças. É só observar como as cariocas, as paulistanas e as mineiras se vestem. Apesar de bom gosto ser bom gosto em qualquer canto e de um desastre fashion ser sempre um desastre fashion, cada lugar tem suas cores locais e seus encantos. Tentar recriar aqui o que dá certo acolá nem sempre resulta bem. Mas há uma aura ao redor das francesas que todo mundo, em especial as americanas, parece querer imitar.

Não faz muito tempo, uma famosa ex-modelo francesa escreveu um guia de estilo parisiense. Com olho no grande mercado americano, o livro logo foi traduzido para o inglês, e ela se juntou, assim, ao time das autoras americanas que vêm lucrando com o tema há tempos. A ex-modelo inicia o livro dizendo que você não precisa ter nascido em Paris para ter o estilo das moçoilas de lá. Se ela, que nasceu em Saint-Tropez, pode se vestir a la Parisienne (imaginem!), por que você, que nasceu do outro lugar do mundo, não poderia? Não preciso dizer que o livro tem vendido aqui como cerveja em dia de Super Bowl.

E a coisa continua. Basta fazer uma breve pesquisa no Amazon.com e aparecerão dezenas de outros livros mais recentes sobre o assunto.

Paris provoca essa paixão nas americanas. Não é de se estranhar, já que aquela cidade é maravilhosa, e as parisienses, sensualíssimas. Mas nem a paixão nem todos os livros vendidos parecem modificar de fato o comportamentos das americanas. Pelo menos não na costa oeste. Aqui, apesar de tais livros venderem muito, as yoga pants vendem muito mais e reinam absolutamente. Agora, uma francesa saboreando um pain au chocolat de leggings num café de Paris parece bastante improvável, non?

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E por falar em yoga pants…

Aproveitando a onda, nomes como Michael Kors, Alexander Wang, Rebecca Taylor, Seven for All Mankind, entre outros, já estão criando suas versões da peça, usando tecidos mais sofisticados e cobrando bastante por elas. A ideia é vestir a mulher contemporânea – aquela que está sempre em movimento entre o trabalho, a academia, o barzinho, etc., com conforto e alguma elegância. Na falta de um termo dicionarizado, inventou-se até um nome esquisito para a tendência: athleisure, ou seja, uma mistura de atletismo com lazer. Dizem que o jeans está com seus dias contados. Ai, ai, o que será de mim?…

Praça do Comércio, Lisboa

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Foi na Praça do Comércio (também conhecida como Terreiro do Paço) que muitos fatos importantes da história portuguesa aconteceram. Se você tem planos de conhecer Lisboa, inevitavelmente vai andar por lá. Vale a pena pesquisar o assunto para descobrir pelo menos um pouco de tudo o que se passou naquela parte da cidade. O lugar, que andava decadente até alguns anos atrás, agora está muito lindo e concentra um grande número de restaurantes e lojas bacanas. Algumas sugestões:

 

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  • Lisboa Story Centre: o museu é interativo e superinteressante.  Lá você vai conhecer a história da cidade desde quando ela começou a ser povoada até os dias de hoje.  Há até uma simulação do terremoto que destruiu quase toda Lisboa em 1755. Não deixe de visitá-lo. Uma dica: você pode adquirir um bilhete combinado (Interactive Pack) que inclui tanto o ingresso para o ‘Lisboa Story Centre’ como para o ‘Arco da Rua Augusta’. Fica um pouco mais barato que comprá-los separadamente.

Aqui vai o link do museu: www.lisboastorycentre.pt

  • Arco da Rua Augusta: pagando um pequeno ingresso (ou usando seu bilhete combinado), você sobe de elevador até o topo do Arco, de onde terá uma vista magnífica da cidade, em especial da Rua Augusta, da Praça do Comércio e do rio Tejo.

 

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  • Museu da Cerveja: que é também um restaurante. Você pode se sentar a uma das charmosas mesas ou pedir sua cerveja + petiscos ao balcão. A especialidade da casa (além da cerveja, é claro!) são os bolinhos de bacalhau recheados de queijo da Serra da Estrela. Para quem não conhece, o queijo português de leite de ovelhas tem sabor bastante forte. Vá lá, peça um bolinho pelo menos… Ah, sim! O museu fica no andar de cima do restaurante.

 

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  • Café-restaurante Martinho da Arcada: dizem que o café, inaugurado em 1782,  era praticamente a segunda casa de Fernando Pessoa. Foi lá que o poeta escreveu boa parte de seus poemas. Ali você encontra pratos típicos da culinária portuguesa e também uns maravilhosos e sempre frescos pastéis de nata (que vão muito bem com um cafezinho, principalmente depois do bolinho de bacalhau do Museu da Cerveja!)

 

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  • Sala de Provas, Vinhos de Portugal, Sala Ogival: para quem quer provar vinhos das diversas regiões do país, esse é o lugar! Basta escolher qual vinho quer e botar uma moeda na máquina (de 50 cêntimos ou um euro, dependendo do vinho). De moedinha em moedinha e de copinho em copinho, as ladeiras de Lisboa vão parecendo ainda mais íngremes. Melhor ficar pela Baixa por enquanto ou correr para o Martinho da Arcada tomar outro café…

 

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  • Lisbon Shop: uma loja que é tudo de bom. Vai dar vontade de encher a mala de presentinhos. Pode acreditar!

 

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A Praça do Comércio tem tudo isso e muito mais. Divirta-se!

 

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Em Lisboa: Taberna da Rua das Flores e Landeau Chocolate

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Em Portugal, tascas são restaurantes simples, sem frescuras, que servem pratos típicos ou petiscos. Elas costumavam ter uma conotação meio negativa até tempos atrás. No entanto, de alguns anos para cá, as tascas têm passado por uma repaginada e viraram o lugar giro* da hora. Normalmente, nelas você come bem e paga relativamente pouco. Há muitas em Lisboa. Minha preferida é a pequena e notável ‘Taberna da Rua das Flores’. O lugar é uma graça, mas minúsculo. O cardápio do almoço é bastante reduzido e varia todos os dias. À noite, ele é maior. Não aceitam reservas e costuma haver filas. Mas vale a espera porque os pratos são de comer de joelhos, agradecendo aos céus.

*Giro(a) é um daqueles adjetivos que podem significar um montão de coisas, entre elas: bonito(a), legal, bacana, maneiro(a), descolado(a), etc. e que são usados nas mais diversas situações. É giro? Então, beleza!

Rua das Flores, 103 – Lisboa (tel: +351 21 347 9418)

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Se sobrou espaço para sobremesa – e ela pode ser bolo de chocolate – basta descer a rua alguns metros e, do lado esquerdo, você vai achar a ‘Landeau Chocolate’. É só isso mesmo que eles servem: um delicioso bolo de chocolate, chocolate quente, café, chá e pouca coisa mais. A ‘Landeau’ fica no térreo de um pequeno prédio antigo que foi renovado recentemente. Séculos atrás, era no térreo das casas e edifícios que ficavam as estrebarias. A chocolateria faz referência ao seu passado com algumas esculturas de cavalos expostas na decoração (linda, por sinal). O teto do lugar é original pombalino. Mas, de volta ao bolo de chocolate, ah, aquele bolo é muito bom…

Rua das Flores, 70 – Lisboa

www.landeau.pt

(Obrigada, Bianca!)

Uma curiosidade: a rua das Flores é mencionada com frequência no romance ‘Os Maias’, de Eça de Queiroz. Carlos e seus amigos a sobem e a descem diversas vezes no decorrer da história. 🙂

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Gazpacho

Quase todas as culturas têm seu alimento básico, aquele com que seus habitantes contam como parte essencial de sua dieta. O ‘pão nosso de cada dia’ varia de país para país. Se no Brasil almoçamos e/ou jantamos arroz e feijão, na Itália é a massa – nos seus mais variados tamanhos e formatos – que aparece todos os dias na mesa das pessoas. Durante muito tempo, a batata foi a essência da alimentação irlandesa e, de certa forma, ainda é. Em muitos países asiáticos, o arroz ou os noodles fazem parte da refeição diária… E por aí vai.

E em Portugal, você sabe? Com certeza pensou em bacalhau! O peixe salgado pode ser o símbolo da cozinha portuguesa, mas o que entra em cena em pelo menos uma refeição diária na maioria dos lares lusitanos é… a sopa. Caldo Verde, Sopa da Pedra, Açorda Alentejana são apenas algumas das muitas variações existentes. Em Portugal, há até restaurantes que só servem sopa. Prática, nutritiva e deliciosa, ela é irresistível. Eu sei, com as temperaturas altíssimas no Brasil neste momento, ninguém está pensando em encarar um prato de caldo quente. Mas se ele for gelado, pode cair muito bem!

O Gazpacho é uma sopa fria bastante popular na Península Ibérica. A clássica sopa espanhola tem os seus ingredientes triturados, transformados em purê. Já na versão portuguesa, eles são apenas picados, e a receita ainda inclui orégano, azeitonas e, às vezes, ovos cozidos. Hoje, há muitas outros tipos de Gazpacho, até alguns que não levam seu ingrediente original, o tomate. Deixo aqui uma adaptação da receita andaluza, porque seu preparo é muito simples e não falha!

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Ingredientes:

5 tomates maduros grandes, sem pele e picados

2 fatias de pão de forma branco, sem casca

1 dente de alho, amassado

1 cebola pequena, picada

2-3 colheres (sopa) de azeite extra-virgem

2 colheres (sopa) de vinagre de vinho branco

2/3 xícara de suco de tomate

½ colher (chá) de páprica (opcional)

1 pitada de cominho em pó (opcional)

sal e pimenta-do-reino a gosto

 

Guarnição:

½ pimentão vermelho sem sementes, picado

½ pepino, sem casca e sem sementes, picado

pão frito, em cubinhos (croutons)

 

Preparo:

Coloque as fatias de pão em um prato fundo e cubra com um pouco de água fria. Deixe alguns minutos e, depois, desmanche-as com os dedos ou um garfo, retirando o excesso de água.

Em um liquidificador ou processador, bata os tomates, a cebola, o alho, o suco de tomate, o azeite, o vinagre, o pão e os temperos até conseguir a textura desejada (mais ou menos cremosa). Leve à geladeira por algumas horas.

Sirva o Gazpacho em tigelas ou pratos de sopas gelados. Enfeite com a guarnição e bom apetite! Rende quatro porções.

Obs.: O alho e a cebola crua dão um toque levemente picante à sopa. Ajuste-os ao seu gosto.

 

Viajando leve (bem, nem tanto…)

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Acabo de ler a newsletter do meu amigo americano Jonathan. Ele escreve um blog sobre as viagens que faz com sua esposa todos os anos. Suas viagens são longas, normalmente duram de sete a oito semanas. Em sua newsletter, Jonathan dá dicas de como viajar com o mínimo de coisas possível. Ele e sua esposa costumam levar apenas uma mala de mão cada um e, portanto, evitam ter que pagar tarifas para despachá-las (que algumas companhias aéreas cobram), não precisam ficar esperando a bagagem chegar na esteira e não correm o risco de que elas sejam extraviadas. Viajante experiente, Jonathan descreve em pormenores tudo o que leva nos bolsos do casaco e na pequena mala, especificando quantidades, pesos e dimensões. Assim, com poucas roupas, meu amigo e sua esposa passeiam dois meses pela Europa, Ásia ou pelas Américas. Não são jovens mochileiros, longe disso. Ele é aposentado e ela trabalha com eventos em Hollywood. Apesar da ótima posição financeira, alojam-se em hotéis simples, confortáveis e bem localizados, mas jamais luxuosos. Frequentam galerias e museus, descobrem as atrações locais, comem e bebem muito bem e tiram o máximo proveito da cultura do lugar onde estiverem. Tudo isso com dois pares de sapatos, meia dúzia de camisas, três calças, uma câmera, um laptop e pouca coisa mais. Não viajam para fazer compras. Compram apenas livros que, depois de lerem, deixam nos hotéis para os próximos hóspedes. Depois voltam para casa com muitas fotos e muitas histórias para contar, e com as malas do mesmo tamanho de antes.

Vamos combinar, não temos chegar a esse ponto! Principalmente nós, mulheres. Afinal, só as nécessaires que levamos já pesam bastante, e sem elas fica mais difícil a gente ser feliz. Diminuir seu tamanho é inegociável. Precisamos de todos os nossos cremes, blushes e batons. E, sim, primer é um produto indispensável, basta ver a raiz da palavra: prim = primeira necessidade.

Esclarecidas as prioridades, vamos também admitir que certamente dá para simplificar bastante nossa vida quando viajamos. Será que precisamos mesmo levar uma roupa para cada dia e sapatos e bolsas para combinar com cada uma delas? Vamos com as malas cheias e voltamos ainda mais carregadas, depois das comprinhas que adoramos fazer, principalmente no exterior. Com certeza, muitas vezes os preços compensam e os artigos são únicos ou de melhor qualidade. Às vezes, a viagem tem mesmo esse objetivo. É válido. Mas será que temos que associar toda e qualquer viagem a compras?

Com o passar do tempo, venho aprendendo uma coisinha ou outra quanto ao que levar na bagagem e ao que trazer de volta… Meio no “quem não vai pelo amor vai pela dor…” Minhas viagens em família incluem sempre muitos e muitos quilômetros de caminhadas. Saímos de manhã e voltamos à noite, seja com frio, calor, chuva ou neve. Assim, os saltos e as sandalinhas delicadas, blusinhas e casacos lindos, mas inúteis não viajam mais comigo. Aprendi a duras penas, depois de repetidos episódios de dolorosas bolhas nos pés e das tantas vezes que vi o Marido, viajante também tarimbadíssimo, balançar a cabeça (tsk, tsk, tsk) e dizer: “Para que levar isso? Não é esse tipo de viagem…”. Devagarinho fui trocando a vaidade pelo conforto. Mas sem exageros: tudo tem limite!

Turista estrangeiro tem cara de turista estrangeiro. É fato. A gente se arruma toda e vai ao restaurante bacana do local, e lá estão aqueles americanos ou europeus na mesa do lado, absolutamente tranquilos com suas calças cargo (cruzes!) e sandálias Birkenstock, felizes, deliciando-se com algum prato maravilhoso e apreciando um bom vinho. E o melhor de tudo: ninguém liga! Com exceção de uns poucos restaurantes muito sofisticados (normalmente mais formais – o tipo que não me atrai), hoje tudo está bem mais tranquilo. Você vai do jeito que está, sem problemas. Ótimo! Então, deixo o capricho na produção para quando voltar para casa. A não ser que eu esteja em Portugal. Ah, aí é diferente…

Acabo de voltar de Portugal. Fui passar lá dois meses. Para ir, fiz e refiz minha mala diversas vezes, tirando e botando de volta isso e aquilo, até chegar a um consenso. Mesmo assim, ela ficou bastante grande, maior do que eu gostaria. Ao ler a newsletter do meu amigo Jonathan, não deu para não comparar a bagagem dele com a minha. Mas afinal de contas, Portugal é esse tipo de viagem. Minha casa foi lá durante alguns anos e, de certa forma, continua sendo. Lá eu vou às compras, porque tem sempre lugar para mais um livro, um galinho de Barcelos ou uma sardinha de cerâmica na minha coleção. É lá que eu revejo pessoas queridas, saio para almoçar com uma amiga, vou ao cinema com outra, tomo um aperitivo no final da tarde com outra ainda… Em Portugal eu cometo todos os meus excessos. E vou de rasteirinhas, apesar de saber que inevitavelmente vou tropeçar nas calçadas portuguesas (as pedrinhas são lindas, mas perigosas…). Mas é só lá. Para os outros tipos de viagens também tenho minhas Birkenstock. Agora, calça cargo, não! Como disse, tudo tem limite…

(As dicas do Jonhathan você encontra aqui: http://wp.me/p2G6y6-1hR)

E por falar em compridas…

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Não sei dizer se foi a crise (mãe da criatividade) ou se foi uma nova geração de portugueses que resolveu retomar e valorizar a esquecida arte nacional, mas o fato é que o país está cheio de artesanato lindíssimo. Os temas são bem característicos: sardinhas, andorinhas, Santo Antônio, fado, entre outros. Os galinhos de Barcelo nunca saíram de cena, na verdade. Mas o restante é coisa bastante recente. Irresistível! Seja lá o que deu origem a isso, o importante é que  está funcionando muito bem.

Lisboa tem muitas lojinhas bacanas. Não deixe de comparar preços, porque eles variam muito de uma para outra. Duas lojas excelentes onde você vai achar lembrancinhas para todo mundo são:

  • A Vida Portuguesa 

Rua Anchieta, 11 (no Chiado)

www.avidaportuguesa.com

  • Lisbon Shop

 Rua do Arsenal, 15 – Pátio da Galé (na Praça do Comércio) 

E por falar em sardinhas…

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Elas agora são gourmet! Numa sacada de mestre, alguém resolveu transformá-las em algo mais requintado. Deu certíssimo também! Diversas marcas investiram no peixe mais popular que existe e o transformaram em manjar dos deuses. As latas estão lindas e há muitas variações de molhos (de azeite, tomate, suco de limão…). Uma latinha + pão crocante + um copinho de vinho branco bem gelado e a felicidade está garantida.

Você encontra as latinhas em muitos lugares, mas aqui vai uma loja especial:

  • Loja das Conservas

  Rua do Arsenal, 130 (Lisboa)

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O Duomo de Milão: teto e subsolo

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O Duomo num raro dia de sol

 

A construção da Catedral de Milão (Il Duomo) teve início em 1386 no lugar onde havia antes as Basílicas de Santa Tecla e de Santa Maria Maggiore. O trabalho só terminou vários séculos depois, e, por isso, passou pelas mãos de arquitetos, artistas e escultores de movimentos diferentes. Mas a catedral é predominantemente gótica.

A maior catedral da Itália é visitada por milhares de turistas todos os anos. O que pouca gente sabe, no entanto, é que, pagando-se um ingresso (de 7 euros para ir de escada ou de 12 euros para ir de elevador), pode-se subir no telhado. A vista que se tem da piazza Duomo é bacana, mas o foco da visita é o telhado em si, com suas maravilhosas esculturas. Vale a pena!

 

 

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Outra coisa pouco conhecida é que, logo ao entrar no Duomo, do lado direito, há uma escada que dá para o Battistero di San Giovanni alle Fonti. As ruínas do século IV a.C. só foram descobertas recentemente, quando foram feitas escavações para a linha de metrô. Paga-se um pequeno ingresso para visitá-las.

 

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Roma, Ristorante Da Pancrazio

Nas ruínas do Teatro dei Pompeo, o mais importante teatro da Roma Antiga, você pode almoçar ou jantar enquanto respira um pouco de história. Foi nesse teatro que Júlio César foi assassinado em 44 a.C.  Desde 1922, funciona ali o restaurante Da Pancrazio. O lugar é muito bacana e lá você encontra pratos clássicos da cozinha romana, como o Saltimbocca alla Romana, entre muitas outras coisas deliciosas.

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Foto da internet

Piazza del Biscione, 92/94

 

E já que está por ali, dê uma passadinha no Hotel Campo de’Fiori, um hotel boutique que é uma graça. Se pedir na recepção, eles deixam subir até o terraço, de onde a vista da cidade é linda. Aí, é sonhar em voltar a Roma e se hospedar ali.

Via del Biscione, 6

Para ver fotos do hotel, dê uma olhada no site: www.hotelcampodefiori.com

Antico Caffè Greco, Roma

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Se estiver caminhando pelos lados da sofisticada (e sempre cheia) ‘Via dei Condotti’, em Roma, vale a pena fazer uma pausa para um chá e/ou doce e/ou café e/ou granita no chiquérrimo ‘Antico Caffè Greco’.

O Caffè Greco existe desde 1760 e é o café mais antigo de Roma. Segundo seu site, artistas, poetas, músicos e filósofos ilustres como Shelley, Keats, Goethe, Byron e Wagner passaram por lá. O lugar é lindo e, sim, caro. Garçons vestidos de fraques servem  clientes vestidos de jeans, shorts, tênis… Enfim!…

Via dei Condotti, 86

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O melhor café de Roma

Bateu a vontade de um cafezinho? O Caffè Sant’ Eustachio vem servindo a bebida aos romanos desde 1938. O lugar é bem despretensioso e pouco turístico, apesar de estar localizado entre o Pantheon e a Piazza Navona. Eles afirmam que servem o melhor café de Roma, e eu acho que é verdade. Sem firulas, para tomar de pé, ao balcão. Basta escolher se quer o seu ‘zuccherato’ (já adoçado) ou não.

Piazza Sant’ Eustachio, 82

 

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Roma

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Roma não foi amor à primeira vista. Eu tinha vinte e um anos a primeira vez que vi a cidade. Passei lá os últimos dias de uma viagem que fazia sozinha, com aquela coragem (ou seria imprudência?) que a gente ainda tem aos vinte e poucos anos. Assim como minha aventura, minha grana também estava no fim. Para completar, não entendia a língua, não conhecia ninguém ali, ainda precisava arranjar onde me alojar, e os hoteizinhos que cabiam no meu espremido orçamento pareciam estar todos lotados. A um certo ponto, cansada de tanto rodar em busca de uma pensione, resolvi parar a procura por um instante e tomar um sorvete para ver se o açúcar me reanimava. Entrei na sorveteria com minha mala, pedi em inglês o que eu queria, paguei e me sentei, pronta para repensar meus planos. Foi aí que o funcionário da sorveteria se aproximou e me disse: “Desculpe, signorina, mas sentada é mais caro.” Para não pagar a diferença, fui comer o meu sorvete na pracinha do lado e lá fiquei, tentando focar meus pensamentos no que me preocupava no momento, enquanto carros, vespas, táxis, ônibus de turistas, bicicletas e pedestres disputavam a rua da frente e a minha atenção. Definitivamente, não me apaixonei pela cidade de imediato.

Horas depois, consegui me instalar numa pensãozinha. Ao dar uma olhada no banheiro que teria que dividir com os outros hóspedes, decidi que passaria os próximos dias sem tomar banho, já que ele parecia mais sujo que eu. Deixei meus pertences no quarto e saí para explorar o lugar, com mapa e câmera nas mãos.

Nos dias seguintes, fiz todos os passeios que meu livro-guia indicava: visitei o Coliseu, o Pantheon, a Fontana di Trevi, o Fórum Romano, a Piazza Navona e até algumas catacumbas. Comi o primeiro Spaghetti alla Carbonara da minha vida, escolhido ao acaso, e gostei tanto que quis repetir no dia seguinte. E, no dia seguinte, como não entendia o que dizia o cardápio nem me lembrava como se chamava a massa deliciosa do dia anterior, pedi o único prato da lista que parecia levar ovos – e tomei um susto quando o garçom me trouxe uma sopa com um ovo pochê por cima. Mais uma frustração e mais um mico para contar para os amigos na volta.

Com muita convicção, ao passar pela Fontana di Trevi, não joguei uma moedinha. Soltei até um desaforo: “Aqui eu não volto de jeito nenhum!” Para minha sorte, o Netuno da ponte mais famosa do mundo fez ouvidos moucos, e eu voltei umas tantas vezes. Põe sorte nisso…

É aí que está a magia de Roma: depois de fazer todos aqueles programas obrigatórios (e maravilhosos) que todo turista que visita o lugar pela primeira vez precisa fazer, ficamos livres para explorar o restante da cidade, que é absurdamente caótica e absolutamente fantástica, e olhar para ela com olhos diferentes.

Roma é cheia de ruazinhas estreitas, de praças e fontes, de pequenos cafés e restaurantes meio escondidos, de igrejas lindas e menos conhecidas, de lojinhas únicas, como aquela que só vende papel de embrulhar presentes, ou aquela outra que só vende chapéus, ou aquela ainda que só vende luvas. É uma delícia se perder na cidade, andar muito e descobrir tesouros menos óbvios. Então a gente se esquece que aquilo ali é a Roma de Rômulo e Remo, dos Césares, a antiga capital do mundo. Até dobrarmos uma esquina e, inesperadamente, darmos de cara com o Coliseu.

Roma não foi amor à primeira vista. A cidade foi me conquistando aos poucos. No segundo encontro, ela me encantou. No terceiro, eu já estava fisgada. Aí, como já deu para adivinhar, não teve jeito: virou amor eterno.

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 E por falar em Roma…

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Um dos pratos mais típicos da cidade chama-se ‘Spaghetti Cacio e Pepe’ (espaguete com queijo e pimenta). Apesar de muito difundido em Roma, sua origem, na verdade, é antiga e incerta. Muitos dizem que ele nasceu na região do Lazio, onde fica Roma. Outros afirmam que ele surgiu na cidade de Nápoles ou mesmo na região de Abruzzo. Com somente três ingredientes, era a comida dos pastores, devido a seu baixo custo, sua praticidade e seu valor nutritivo. Os pastores saíam para trabalhar e levavam consigo um pedaço de Pecorino (queijo de ovelha), um punhado de espaguete e um bom tanto de pimenta preta triturada – que gerava calor e ajudava a suportar as noites frias de lá.

Tempos depois, apareceram variantes como o ‘Spaghetti alla Carbonara’, por exemplo, que leva ovos e pancetta ou guanciale (bacon feito com as bochechas do porco), entre outras.

Contudo, é justamente a simplicidade do ‘Spaghetti Cacio e Pepe’ que faz com que seu preparo seja cheio de cuidados: a massa deve estar al dente e o prato deve chegar à mesa quentíssimo. E, levando só três ingredientes, estes precisam ser da melhor qualidade.

Ingredientes (para 4 pessoas):

400g de espaguete

cerca de duas xícaras de queijo Pecorino Romano ralado na hora

Abundante pimenta preta ralada na hora

Preparo:

Leve uma panela com água e um pouco de sal ao fogo. Quando ferver, acrescente o espaguete e mexa durante os primeiros minutos para que não grude. Cozinhe-o de acordo com as instruções da embalagem, tomando cuidado para não cozinhar demais. Escorra a massa, reservando algumas conchas da água.

Leve o espaguete de volta à panela e acrescente um pouco da água reservada (comece com uma concha). Adicione mais ou menos 2/3 do queijo e mexa bastante, até que o queijo e a água tenham ficado com uma consistência cremosa. Se vir que há água no fundo, adicione queijo. Se, ao contrário, a massa estiver muito seca, coloque um pouco mais de água. Por fim, acrescente bastante pimenta. O processo deve ser bem rápido, para não esfriar a massa. Sirva em pratos aquecidos.

Observações:

  1. Na Itália, massa é servida como primo piatto, então as porções são pequenas. A quantidade acima pode não ser suficientes para quatro pessoas famintas, se for servida como prato único.
  2. Conseguir uma textura cremosa às vezes é mais complicado do que parece. Se não der na primeira vez, tente de novo outra hora: ne vale la pena!

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