Nova Orleans: o jazz, a culinária e o French Quarter

(Foto de Feito Peixe Fora d'Água, em set/98)
(Foto de Feito Peixe Fora d’Água)

O jazz

O jazz surgiu no final do século XIX, depois do blues e do ragtime, e seu aparecimento não está bem registrado. As primeiras gravações foram feitas quando a tecnologia era ainda bastante limitada. Há também controvérsia quanto ao seu berço. Mas não há como negar que o gênero musical foi fortemente influenciado pela cultura Creole de Nova Orleans.

Muitos músicos negros Creoles pertenciam à classe alta de Nova Orleans e frequentemente eram educados em Paris. Voltavam com um conhecimento amplo e formal de música e tocavam com técnicas precisas. Mesmo os que não iam até a Europa costumavam aprender a tocar instrumentos europeus.

Em contraste, do outro lado da cidade habitavam escravos recém-libertados. Os ex-escravos tocavam blues e música gospel de ouvido e com muita improvisação. Os negros ricos e os ex-escravos viviam em dois mundos à parte… até que veio uma lei segregatória que obrigou os negros livres Creoles a se mudarem para o outro lado da cidade, aquele onde viviam os ex-escravos. Do encontro dessas duas culturas distintas nasceu o traditional New Orleans jazz.

(Nos clubes, nas casas de shows, nas ruas... o jazz está em todos os lados de Nova Orleans. fpfd)
(Nos clubes, nas casas de shows, nas ruas… o jazz está em todos os lados de Nova Orleans. FPFD)

A história do jazz é bem longa e tem muitas ramificações. Com o tempo, surgiram variações como o gypsy jazz, o cool jazz,, smooth jazz… Aqui vai só uma pincelada bem superficial. Para saber mais, dê uma olhada nas fontes no final do post.

Curiosidades:

-Louis Armstrong, um dos mais importantes e conhecidos intérpretes do jazz, nasceu em Nova Orleans em 4 de agosto de 1901.

-Jazz costumava ser tocado em funerais de pessoas ilustres da cidade.

– 0 –

A culinária

(Foto de Feito Peixe Fora d'Água)
(Foto de Feito Peixe Fora d’Água)

Tanto Creole quanto Cajun são termos largamente empregados para designar a culinária de Nova Orleans. Essas são duas culturas diversas e, portanto, seus estilos são diferentes, apesar de ambas usarem condimentos fortes e ingredientes parecidos. Para quem é de fora, não é tão fácil assim distingui-las.

Originalmente, a cozinha Creole era mais aristocrata e urbana. Era preparada por escravos de membros da sociedade e usava grande abundância de ingredientes. Os primeiros Cajuns*, no entanto, viviam em zonas rurais. Sem acesso a nenhum tipo de refrigeração ou a outras modernidades da cidade, tinham que se virar com o os recursos que conseguiam, e o faziam com muito talento. Da necessidade de não desperdiçar nada surgiram linguiças e salsichas como Boudin e Andouille, por exemplo.

(Foto de Feito Peixe Fora d'Água)
(Foto de Feito Peixe Fora d’Água)

Gumbo, Jambalaya, Crawfish Étouffée, Shrimp Creole, Po-Boy, Red Beans’n’Rice e Beignets estão entre os pratos locais mais conhecidos. Mas a variedade é imensa! E deliciosa! Pelas ruas do French Quarter se sente também o cheirinho tentador das Pralines vindo das diversas lojas que fazem o doce de açúcar derretido e amêndoas diariamente.

*No post anterior, há um pouquinho da história dessas duas culturas. Para lê-lo, clique aqui.

(Beignets com café au lait. FPFD)
(Beignets com café au lait. FPFD)

– 0 –

O French Quarter

(Varanda típica do French Quarter. FPFD)
(Varanda típica do French Quarter. FPFD)

O French Quarter é o bairro mais antigo – e vibrante – de Nova Orleans. Como fica numa região um pouco mais elevada que o restante da cidade, acabou sendo bem mais poupado da destruição causada pelo Katrina, em agosto de 2005, que outras regiões da cidade. Com a força do furacão, barragens inadequadas que protegiam a cidade das águas do Rio Mississippi e do Lago Pontchartrain partiram, e 80% da cidade ficou semanas inundada. Mas o French Quarter teve sorte.

(Foto de Feito Peixe Fora d'Água)
(Foto de Feito Peixe Fora d’Água)

A arquitetura do French Quarter é uma mistura de estilos francês, espanhol, americano e Creole – singular, linda e icônica.

É ali que fica a famosa Bourbon Street. E é no French Quarter que você provavelmente vai querer se hospedar, se for a Nova Orleans. O que não falta é diversão: restaurantes, lojas, casas de música, pequenos museus e casarões históricos, e muito mais.

(Foto de Feito Peixe Fora d'Água)
(Foto de Feito Peixe Fora d’Água)

Aqui vão algumas das atrações preferidas do local:

Museus:

-National World War II Museum: (um pouco afastado do French Quarter. Vá de táxi.)  para quem se interessa pelo assunto, este é um dos maiores museus sobre a Segunda Guerra Mundial que existem. O museu tem várias exposições e, em destaque, uma bastante detalhada sobre a invasão da Normandia pelos aliados,  além de um filme narrado por Tom Hanks. O filme, ‘Beyond All Frontiers’, apresenta uma perspectiva ampla da Guerra e é excelente. Imperdível. Único possível problema: como costuma acontecer nos museus americanos, tudo é só em inglês. Mas não deixe de visitá-lo mesmo assim.
945 Magazine Street, no ‘Historic Warehouse District’ (www.ddaymuseum.org)

-The Presbytère: o museu era dedicado originalmente ao Mardi Gras* de Nova Orleans. Mas, depois que a cidade se recuperou o suficiente da devastação causada pelo Katrina, o lugar passou a usar parte do seu espaço para registrar o desastre, contando o que aconteceu e mostrando relatos de pessoas envolvidas. O museu é para quem quer saber um pouco mais sobre uma das maiores catástrofes que o país já sofreu. Depois, é só prosseguir e levantar o ânimo com a exposição dedicada aos montes e montes de fantasias de Mardi Gras.
751 Chartres Street, Jackson Square

*Mardi Gras é o carnaval de Nova Orleans. Bem diferente do brasileiro…

(Foto de Feito Peixe Fora d'Água)
(Foto de Feito Peixe Fora d’Água)

Southern Food and Beverage Museum and Museum of the American Cocktail: um museu dedicado à comida e à bebida que conta a história de como os diferentes grupos étnicos contribuíram para que a culinária da cidade seja o que é. É também um passeio pela história de 200 anos de coquetéis no país. Muito instrutivo e divertido. Atenção: fecha às terças.
1 Poydras Street, no ‘Riverwalk Marketplace Mall’ (www.museumofthearicancocktail.org e www.southernfood.org)

Atrações:

(Foto de Feito Peixe Fora d'Água)
(Foto de Feito Peixe Fora d’Água)

-Preservation Hall: fundada com a finalidade de preservar o jazz tradicional de Nova Orleans, essa instituição é formada por uma banda de músicos que toca sem finalidade lucrativa. O lugar é minúsculo, escuro e meio caindo aos pedaços. Não há ar condicionado (aquilo fica um forno no verão) nem lugares confortáveis para se sentar. Em algum momento você vai se perguntar o que é que você está fazendo ali… Até aqueles senhores começarem a tocar e cantar. Ah, aí, tudo fica claro! Experiência única e inesquecível. Há três shows por noite, de cerca de 50 minutos cada. A fila na porta é sempre grande e nem todos conseguem lugar. Compre ingressos com antecedência pela internet e evite a fila e a decepção.
726 Street, Peter Street (http://preservationhall.com/hall/)

IMG_5367
(Prédio onde fica o ‘Preservation Hall’. FPFD)

Onde comer:

Há inúmeros restaurantes fantásticos. Aqui vão só algumas sugestões:

-Café du Monde: Paraíso dos beignets (massinha frita e passada no açúcar, meio que um ‘doughnut’ francês) com café au lait – o café aqui é feito à moda do sul: com um pouco de chicória. Não torça o nariz e experimente!
800 Decatur (www.cafedumonde.com)

-Johnny’s Po-Boys: as toalhas das mesas são de plástico, assim como os pratos e talheres. O lugar tem cara de pé sujo, mas é autêntico e muito bom no que se propõe a fazer. Lá eles servem vários exemplos da culinária local, inclusive, obviamente, o Po-Boy: sanduíches típicos de camarão, frango, linguiça, etc.

511 St. Louis Street (http://johnnyspoboys.com)

-Muriel’s Jackson Square: este é  bem diferente da lanchonete acima. Fica no coração do French Quarter e é um dos melhores restaurantes da cidade. Excelente cozinha, decoração aconchegante e elegante sem ser em nada pretensioso. Se tiver que escolher um só lugar para jantar, é ele.

801 Chartress Street (http://www.muriels.com/index.html)

IMG_5458

Há muito, muito mais. Faça uma pesquisa ou explore o lugar na hora e você certamente vai descobrir maravilhas. Divirta-se!

Para mais fotos e dicas, dê uma olhada na página do Feito Peixe Fora d’Água do Facebook e no Instagram.

IMG_5439

Fontes:

redhotjazz.com

louisianatravel.com

neworleanscvb.com

neworleansonline.com

nola.com

wikipedia.com

Frommer’s USA 2011

Nova Orleans: uma brevíssima passada pela sua história

imageNova Orleans fica no sul do estado da Louisiana. A cidade foi fundada em 1718 por colonizadores franceses e recebeu esse nome em homenagem ao Duque de Orleans, regente do Rei Luís XV na época. Permaneceu sob domínio francês por 45 anos, até passar a pertencer aos espanhóis com o Tratado de Paris (1763). Das mãos dos espanhóis, ela voltou para os franceses décadas depois, até Napoleão vender a Louisiana para os EUA em 1803, anos antes de a região virar estado.

IMG_5426

A influência europeia está por toda a parte na cidade: nós a vemos na arquitetura, na comida, na língua, na música… A presença africana e caribenha também é muito marcante. Dessa mistura de franceses, espanhóis, caribenhos e africanos nasceu a cultura Creole (crioula). O termo foi primeiramente usado para denotar pessoas de descendência europeia ou africana nascidas na Louisiana.

IMG_5423

Outro grupo étnico que ajudou a caracterizar o estado foi o Cajun. Esses eram colonizadores franceses que, séculos atrás, haviam se estabelecido no que é hoje o sudeste do Canadá. Conflitos entre os britânicos e os franceses (que disputavam aquela região) expulsaram esse pessoal de lá. Muitos voltaram para a França, enquanto outros foram para a Louisiana.

Mais tarde, até mesmo irlandeses, alemães, italianos e portugueses entraram nesse mexido.

_MG_5408

A história da cidade é muito longa. Com mais 60% de sua população composta por negros no início do século XIX (cerca de metade deles era composta por escravos e a outra metade, por negros livres da classe média e alta vindos do Caribe), dá para imaginarmos o papel que Nova Orleans desempenhou durante a Guerra Civil americana e, depois, no Movimento dos Direitos Civis, etc.

De porto importantíssimo e próspero, principalmente durante o comércio de escravos, a cidade sofreu um declínio significativo no último século. Uma década atrás, foi devastada pelo furação Katrina. Mas Nova Orleans é resiliente, vem se recuperando e continua linda. E única! Não há mesmo nada igual a ela.

IMG_5403

Para saber um pouco mais, aqui vão algumas fontes:

https://en.wikipedia.org/wiki/New_Orleans

https://en.wikipedia.org/wiki/Louisiana_Creole_people

Sete estados em três semanas

O Marido, o Filho e eu resolvemos fazer um ‘road trip’ pela costa leste dos EUA, começando na Louisiana e indo até a Pennsylvania. A ideia é fazer sete estados em três semanas. Passaremos pelo berço do jazz, do blues, do rock’n’roll e da música country. Quer vir com a gente? Então corre, que o avião para Nova Orleans está saindo!!Screen Shot 2015-07-21 at 16.57.39

Dicas e fotos no Facebook e Instagram.

Pesto Genovese

IMG_4987

O molho pesto que conhecemos hoje nasceu lá pelos lados de Gênova, na região italiana da Ligúria. No entanto, os romanos antigos já comiam uma pasta feita de queijo, alho e ervas séculos antes. Vindo do Oriente Médio, o manjericão apareceu mais tarde, tanto na Ligúria quanto na Provença, e substituiu as outras ervas. O pesto italiano e o pistou francês são parentes próximos, mas não são idênticos.

Tradicionalmente, o pesto leva apenas sete ingredientes, que devem ser da melhor qualidade: manjericão, azeite extravirgem, alho, queijo Parmesão, queijo Pecorino, pinoli e sal. Segundo os puristas, o tamanho das folhas de manjericão é importante: precisam ser novas e, portanto, pequenas (tem a ver com a quantidade de óleos essenciais que influenciam o sabor).  Eles ainda especificam a origem da erva, assim como a do azeite (devem ser da Ligúria).

Mas como não poderia deixar de ser, o molho tem variações. Dizem até que cada família na Ligúria tem sua ‘receita secreta’ (difícil imaginar tantas alternativas, não?). Algumas receitas levam salsa, rúcula, creme, ricota, nozes em vez de pinoli, etc. Ah, mas aí já não é mais Pesto Genovese e, sim, Pesto alla Genovese. Para os puristas, a diferença é muito importante! Então, para assegurar a proteção da receita original, criou-se Il Consorzio del Pesto Genovese, que é reconhecido pelo Ministério da Agricultura e que tem um estatuto com 15 artigos. Rigorosíssimo! Pois é…

A receita tradicional pede que os ingredientes sejam amassados num pilão, com movimentos rotatórios. Quem não tem nem tempo nem paciência pode usar um processador ou liquidificador. Nesse caso, para garantir que o molho não fique escuro (devido à oxigenação), recomenda-se deixar a lâmina e o copo do processador ou liquidificador na geladeira por um tempo antes de utilizá-los. Outra coisa que ajuda o molho a não escurecer é enxugar bem as folhas de manjericão depois de lavá-las. Parece que gotinhas de água e alta temperatura são inimigas do pesto verdinho.

Feito o pesto, basta cozinhar a pasta, a batata e a vagem. Como é que é? Batata e vagem?! Explico: um bel piato di pasta al pesto normalmente é servido com batatas em cubinhos e vagens cortadas, que são cozidas na mesma panela com a massa.  Ao escorrer a massa, reserve um pouco da água e, quando tudo estiver cozido, misture o pesto e algumas colheres da água reservada. O amido tanto da massa quanto da batata ajuda a dar cremosidade ao molho. Acha estranho servir batata e massa num mesmo prato? Funciona, prometo.

Aqui vai uma receita genovesa quase oficial (sejamos maleáveis!)

IMG_4956

Ingredientes para o molho pesto

1 maço de manjericão de cerca de 50g (procure folhas não muito grandes)

2 dentes de alho

70g (6 colheres de sopa) de queijo Parmigiano Reggiano, ralado (se não achar o queijo italiano, um Parmesão nacional de ótima qualidade faz as vezes)

30g (cerca de 2 colheres de sopa) de queijo Pecorino, ralado (não tem? Use mais Parmesão)

100ml de azeite de oliva extravirgem

15g (cerca de 1 colher de sopa) de pinoli (pine nuts) ou nozes.

1 pitada de sal

Ingredientes para a massa

250g de batatas (cerca de duas batatas médias), cortada em cubinhos

200g de vagem, cortadas em três

350g de trofie, penne ou outra massa de sua preferência

Preparo

Em um processador ou liquidificador recém-tirado da geladeira, junte todos os ingredientes, menos o azeite. Pulse e desligue algumas vezes, adicionando um pouco de azeite por vez, até obter um creme (não precisa ficar muito homogêneo).

Coloque a massa e os cubinhos de batata para cozinhar em uma panela grande com bastante água e um pouco de sal. Mexa durante os primeiros minutos. Siga as instruções da embalagem da massa quanto ao tempo de cozimento. Cerca de cinco minutos antes de a massa estar pronta, acrescente a vagem. Quando tudo estiver cozido, escorra, reservando algumas colheres da água. A massa deve estar al dente e as batatas, macias. Se não tiver certeza de que acertará o tempo de cozimento usando uma panela só para as três coisas, cozinhe os ingredientes separadamente.

Coloque a massa, a batata e a vagem em uma vasilha grande, despeje o molho pesto e um pouquinho da água reservada. Misture bem, polvilhe um pouco de queijo Parmesão por cima e sirva em seguida. Buon appetito!  (Rende de 3 a 4 porções.)

Obs. O pesto congela bem. Se quiser, faça o dobro da receita e congele a metade. Ele também descongela com facilidade.

–  o  –

E por falar em Itália…

Para entrar ainda mais no clima, que tal abrir um vinho e ver filminho italiano? Aqui vão algumas sugestões:

E outros dois deliciosos, que não são italianos, mas se passam na Itália:

Fontes:

Mangiare in Liguria

Giallo Zafferano

E essa tal de street art?

São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d’Água)

Decidir o que é arte é complicado. Decidir o que é street art (arte urbana), então, é mais difícil ainda. Luxo ou lixo? Manifestação estética ou contravenção? Graffiti ou pichação? O que é o quê? E quem decide, afinal?

Há quem considere as pinturas rupestres dos povos pré-históricos como formas primitivas de graffiti. Depois disso, registros em forma de textos e desenhos adornaram também paredes de Roma e do Egito antigos, de Pompeia, etc. Mas isso foi há muito tempo…

Nascido no final dos anos 1960, os graffiti modernos estavam atrelados ao movimento cultural hip hop e, depois, ao punk rock e eram usados por gangues para demarcar seus territórios. Ativistas políticos também faziam uso de graffiti para manifestar suas posições. Apareceram primeiro em muros da Filadélfia e logo chegaram a vagões de trens e de metrô de Nova Iorque. Paralelamente, muros de cidades europeias como Paris e Belfast recebiam inscrições políticas, sociais ou mesmo poéticas.

Arte urbana e graffiti estão intimamente ligados. Até recentemente vistos com maus olhos, eles começaram a ser compreendidos como uma forma legítima de expressão artística e sócio-política há pouco tempo. O que separa a legalidade da ilegalidade é a autorização. Se o espaço foi disponibilizado para isso, não há problema. Se não foi, é infração.

Mas qual é a diferença entre arte urbana e graffiti? E pichação? A diferença está na sua forma de expressão, no tipo de público almejado e na intencionalidade. Os graffiti se manifestam essencialmente por meio de uma tag (etiqueta), que é uma inscrição. Não raramente, essas tags são difíceis de decifrar, a não ser que você conheça bem as técnicas envolvidas. São também a assinatura do grafiteiro, sua marca. Graffiti sempre têm texto, mesmo que seja difícil reconhecê-lo. Normalmente usa-se spray aerossol ou rolo e tinta, e a inscrição é feita na hora, muitas vezes, às pressas.

Arte urbana envolve desenhos. Ela pode até empregar algumas técnicas dos graffiti, mas geralmente requer preparo antecipado que é depois levado até o local. Usam-se, além de spray, estêncil, etiquetas adesivas, instalações, mosaicos, projeções de vídeo, entre outras coisas.

Pichação é uma inscrição muito menos elaborada. A pichação de propriedades privadas ou espaços públicos é vandalismo em diversos países e punível de acordo com a lei do local. Enquanto a pichação colabora para deteriorar a área onde ela ocorre, certas formas de arte urbana podem exercer o efeito contrário e embelezar um lugar decadente, elevando inclusive o preço das moradias da região. Acredite!

Diversos sites elencam as melhores cidades do mundo em relação a arte urbana. São Paulo, Berlim, Lisboa, Nova Iorque e Londres são sempre mencionadas. Há várias outras cidades. Curiosamente, São Francisco não aparece nessas listas (suspeito que esse pessoal não tenha estado por aqui!). Em São Francisco, há murais por toda a parte e, em especial, no bairro Mission. Para quem gosta do assunto, o 1amsf.com faz uma excursão que passa pelos melhores graffiti da cidade. No final, você pode grafitar também, tudo dentro da lei. Eles até ensinam como fazer sua própria tag. Aqui vai o site: http://1amsf.com/category/classes/ . Divirta-se!

– O –

E por falar em arte urbana em Lisboa…

A banda U2 lançou uma série de vídeos para seu álbum mais recente, Songs of Innocence, usando o trabalho de um artista urbano renomado diferente para cada uma das 11 canções. Os artistas tiveram liberdade para interpretar as canções como quisessem. A série se chama Films of Innocence. Vhils, pintor, escultor e grafiteiro português, usa explosões, grafite e metal enferrujado, entre outros materiais, em seus trabalhos (normalmente rostos esculpidos em paredes), que estão espalhados por diversos países. Ele foi o responsável pelo vídeo abaixo, filmado em Lisboa. Olha que bacana ficou:

E por falar mais um pouquinho em arte urbana em Lisboa…

Bordalo II,  um jovem artista português, anda fazendo maravilhas com objetos retirados do lixo. Seu trabalho em 3D é lindíssimo. Clique no link abaixo para ver um pouquinho de sua obra:

http://globalstreetart.com/bordalo-ii

–  O –

Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d' Água)
São Francisco (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
Boston (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
Boston (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
Lisboa (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
Pompeia (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
Pompeia (foto de Feito Peixe Fora d’Água)
Pompeia (foto Feito Peixe Fora d'Água)
Pompeia (foto Feito Peixe Fora d’Água)
Pompeia (foto de Feito Peixe Fora d'Água)
Pompeia (foto de Feito Peixe Fora d’Água)

Fontes:

College & Research Libraries

Davey D’S Hip Hop Corner 

Wikipedia

The Mission – Um breve passeio pelos bairros de São Francisco

_MG_4837

The Mission District  foi o primeiro bairro de São Francisco. Quando os espanhóis missionários chegaram em 1769, encontraram uma população nativa que eles logo subjugaram. A tribo Yelamu vivia ali havia mais de dois mil anos quando o padre Francisco Palóu fundou a Misión San Francisco de Asís, usando o trabalho – nada voluntário – dos nativos na sua construção.

Com a corrida do ouro no século XIX, um grande número de imigrantes europeus, em especial, alemães, poloneses e irlandeses, começou a se aglomerar na área, o que contribuiu para torná-la mais residencial e para desenvolver o comércio local. Com o passar das décadas, esses europeus foram se mudando para outras regiões da cidade. Os anos de 1950 e 1960, no entanto, viram a chegada de imigrantes mexicanos. A nova população mudou as características do bairro. Logo chegaram muitos e muitos outros latino-americanos, e, hoje, o Mission é conhecido como o bairro latino de São Francisco.

O Mission nunca foi um bairro muito próspero. Durante quase cinquenta anos, os relativos baixos preços das moradias atraíam imigrantes que, mesmo com pouca renda, conseguiam comprar ou alugar uma residência no local. O bairro também nunca foi lá tão seguro quanto os outros bairros da cidade, particularmente nos seus cantos ou ruas mais obscuras. Caminhado pela Mission Street, uma de suas principais ruas, veem-se armazéns, lojinhas de roupas usadas, bancas de frutas e verduras, mercadinhos que vendem de tudo e muitos murais pintados por artistas da região que se empenham em passar suas mais variadas mensagens, principalmente de cunho político e social. Assim como os murais, o bairro é muito colorido.

Se antes imigrantes pouco abastados conseguiam adquirir propriedade no local, isso agora está mudando. O boom tecnológico da última década e meia na região de São Francisco vem atraindo cada vez mais profissionais da área, normalmente bastante abonados, para o distrito. Esse pessoal não quer morar nos bairros nobres da cidade nem no Vale do Silício. Prefere o burburinho alegre e a diversidade que o Mission proporciona. Com a chegada dos tech people, o perfil do bairro está se transformando de novo e causando muita polêmica e revolta. Dinheiro chama dinheiro e o preço de tudo tem ido às alturas. Inúmeros moradores que vivem lá há décadas não estão conseguindo mais bancar os atuais aluguéis altíssimos ou manter as casas compradas gerações atrás. Muitos prédios estão passando por reformas e a fachada do bairro está se modernizando. Mark Zuckerberg tem uma mansão por ali cuja reforma (e estou falando só da reforma), especula-se, custou quase dois milhões de dólares. Como é que o café e o cookie não vão ficar mais caros, não?

Indubitavelmente inspirada pelos mexicanos, a culinária do distrito vem há tempos recebendo também a influência de inúmeras outras culturas. Taquerías convivem amigavelmente com restaurantes indiano, vietnamita, italiano, etíope, guatemalteco, salvadorenho, nicaraguense, etc. Se a Mission Street tem um jeitão bastante dilapidado e feioso, a paralela Valencia Street já demonstra sinais de que esse pessoal mais cheio da grana se instalou pelas redondezas para ficar: a rua é cheia de restaurantes, lojas, butiques, cafés, etc. – tudo muito, muito hipster

_MG_4852

_MG_4836

_MG_4878

_MG_4905

IMG_4831

– o –

E por falar em mexicanos… 

Dia 5 de maio é uma data importante para eles. Foi nesse dia de 1862 que o general Zaragoza e seu exército venceram os franceses, que tentavam dominar o país, na ‘Batalla de Puebla’. A data é comemorada no México e em muitas cidades americanas. Em São Francisco, a festa acontece no Mission. Muita música, danças folclóricas, comida típica, artesanato e diversão para quem quiser passar por lá. Bota na agenda!

_MG_4853Alguns dados tirados das fontes:

San Francisco Chronicle: http://www.sfchronicle.com/the-mission/a-changing-mission/

Wikipedia