Bolo de iogurte

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Depois das dicas de como assar bolos fofinhos, aqui vai uma receita bem gostosa, fácil e rápida:

Ingredientes

1 1/4 xícaras de açúcar (225 g)

1 colher (sopa) de raspas de limão (opcional)

3 ovos

1 xícara de iogurte natural inteiro (245 g)

1/2 xícara de óleo (130 ml)

1 colher (chá) de baunilha

1 1/2 xícaras de farinha (180 g) + cerca de 1 colher (sopa) para untar a assadeira

2 colheres (chá) de fermento em pó

1/2 colher (chá) de sal

Preparo

Pré-aqueça o forno a 170 graus.

Unte uma forma própria para pound cake (ou de pão) com manteiga ou óleo e polvilhe com um pouquinho de farinha. Reserve. Se não tiver esse tipo de forma, use uma quadrada ou retangular não muito grande.

Em uma tigela, peneire a farinha, o polvilho e o sal. Reserve.

Na batedeira ainda desligada, misture o açúcar com as raspas de limão (se estiver usando). Em seguida, ligue-a, junte os ovos um a um e bata até obter um creme levemente esbranquiçado. Adicione o iogurte, óleo e a baunilha e bata um pouco mais. Junte a mistura da farinha e mexa bem (sem bater) até que a massa esteja homogênea.

Despeje na forma untada e leve ao forno por cerca de 50 a 55 minutos. Se sua assadeira for rasa, diminua o tempo. Depois, já sabe: é só fazer o teste do palitinho. 🙂

IMG_0946Sugestões sirva acompanhado de sua compota favorita (na foto, usei geleia de damasco) ou de coulis de frutas vermelhas (fácil de fazer: em uma panela pequena, misture cerca de 1 xícara de frutas vermelhas de sua preferência, picadinhas, com 3 colheres (sopa) de açúcar. Leve ao fogo brando por uns minutinhos, mexendo de vez em quando, para encorpar um pouco. Depois, bata com a varinha mágica. Ou deixe os pedacinhos mesmo!).

A manteiga e o caramelo

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A manteiga existe há vários milênios, mas até virar isso que passamos no pão nosso de cada dia, muita coisa aconteceu. Antes ela era feita de leite de cabra ou de ovelha. Foi só bem mais tarde, com a domesticação do gado, que se passou a confeccioná-la com leite de vaca. Aí, em alguma altura do campeonato, começaram a adicionar sal, um conservante natural, ao creme para que ela durasse mais. No início, manteiga era coisa de camponeses pobres; mais tarde, caiu nas graças da nobreza. A história é longa… Aqui na França, um rei lá da Idade Média* resolveu impor uma taxa alta sobre o preço do sal em quase todo o território francês. As pessoas tiveram de parar de botar os cristaizinhos na manteiga. Aliás, tiveram de parar de botá-los em muitas outras coisas: o sal tinha virado artigo de luxo. Só que a Bretanha era, na época, uma província governada como se fosse uma nação separada dentro do reino e acabou ficando isenta de pagar esse tal de imposto. Ainda por cima, a região produzia o próprio sal. Com acesso fácil ao produto, os bretões continuaram acrescentar sal a tudo, inclusive à manteiga. Desde então, a manteiga salgada bretã adquiriu excelência e fama. Não é de se admirar que o caramelo salgado (e é aqui que eu queria chegar) tenha sido inventado lá, séculos mais tarde. A data de sua origem é meio incerta, mas foi no final da década de 1970 que ele começou a se popularizar graças a um chocolatier** que, para se diferenciar de seus concorrentes, criou um bombom usando chocolate, amêndoas e caramelo feito com um pouquinho da manteiga salgada local. Foi sucesso absoluto. De uns anos para cá, o caramel au beurre salé virou moda no mundo todo e aparece em forma de balas, bombons e também em calda, como essa da foto acima, cuja receita – fácil, fácil – eu deixo aqui. Quem não conhece pode se assustar: caramelo salgado? Não, não: você sente um pouquinho do sal, sim, mas a calda continua sendo bem doce, não se preocupe. Fica ótimo por cima de frutas, sorvetes, pipocas, crepes ou panquecas, rabanadas e bolos, como o brownie, por exemplo.

*Rei Philippe VI de Valois, em 1343.

**Chocolatier Henri Le Roux, em Quiberon, na Bretanha.

 

Caramelo com manteiga salgada (Caramel au beurre salé)

Ingredientes:

½ xícara de açúcar

2 colheres (sopa) de manteiga com sal

200 ml de creme de leite integral e fresco (procure não usar creme de leite de latinha porque o sabor dele é intenso e o resultado será diferente)

Preparo:

Leve uma panela com o açúcar ao fogo baixo. Deixe caramelizar, sem mexer, até ficar com aquela corzinha bem dourada. Se necessário, gire a panela de vez em quando para que o açúcar derreta uniformemente. Cuidado para que não passe do ponto: a gente sabe que caramelo queimado é amargo!

Retire do fogo, junte a manteiga e mexa bem.

Acrescente o creme de leite, leve de volta ao fogo baixo e mexa constantemente, até que o caramelo esteja bem homogêneo. Sirva morno ou frio. Se o puser na geladeira, ele vai ficar cremoso: uma delícia para comer às (pequenas) colheradas!

Obs.: Empelotou? Sem problema: leve ao fogo bem baixinho de novo e mexa até derreter.

 

Roquefort & Gorgonzola

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Alguns dizem que o Roquefort é o rei dos queijos franceses. Outros, que ele pode até não ser o rei dos queijos, mas é o queijo dos reis. Ou era, já que não há mais reis na França há um bom tempo. De qualquer forma, são produzidas quinze mil toneladas de Roquefort por ano, e oitenta por cento dessa quantidade toda é destinada ao consumo interno. É mesmo um caso de amor entre os franceses e um queijo de cheiro peculiar e sabor intenso.

Parece que o queijo de veias azuladas foi criado por acaso. Reza a lenda que, lá pelo século XI, um jovem pastor descansava numa gruta quando viu uma moça passar a distância. Ela era linda, e ele adorava um rabo de saia. Encantado, ele largou para trás sua bolsa com o queijo que pretendia comer no almoço e foi atrás da jeune femme. Ao voltar à gruta, meses mais tarde, viu que seu queijo havia sofrido uma transformação graças à ação de um fungo local (Penicillium roqueforti). O jovem experimentou o queijo mofado e adorou seu sabor forte e salgadinho. Daí, virou o que virou.

Em 1979, o Roquefort recebeu o selo de A.O.C. (Appellation d’Origine Contrôllée), que, até então, era dado somente a vinhos. Em 1996, ganhou o selo de A.O.P. (Appellation d’Origine Protégée). Recebem esses selos produtos que seguem regras bem específicas e rigorosas. No caso do queijo, ele só pode ser chamado de Roquefort se for produzido com leite cru das ovelhas da raça Lacaune da cidade de Roquefort e região (uma área de cerca de 150 quilômetros ao redor da cidade, no sudoeste da França); três-quartos da alimentação dessas ovelhas devem vir do solo dessa mesma região e, por fim, o queijo deve ser maturado nas grutas de Roquefort-sur-Soulzon durante um período de três a nove meses. As veias azuladas são criadas pelo fungo e resultam da ação da umidade e temperatura que se mantêm constantes dentro dessas grutas.

O Roquefort tem vários primos estrangeiros, como o inglês Stilton e o dinamarquês Danish Blue. Mas, sem dúvida, seu parente mais famoso é o italiano Gorgonzola, que parece ter nascido lá pelo século IX, na cidadezinha de Gorgonzola, pertinho de Milão.

O queijo Gorgonzola é feito de leite de vaca pasteurizado. Ele também tem um selo de proteção, o D.O.P. (Denominazione d’Origine Protetta), porque tanto os franceses quanto os italianos adoram preservar seus produtos mais queridos de invencionices e modificações. Fazem muito bem.

O Gorgonzola Piccante é figura fácil nos supermercados do Brasil. Mas há também um outro tipo, menos conhecido pelos brasileiros, o Gorgonzola Dolce, que de doce não tem nada. Ele leva esse nome porque possui menos veias, é mais cremoso e bem mais suave que o outro.

A origem do Gorgonzola, dizem, também está ligada a um jovem que tomava conta de um rebanho e ajudava a fazer queijos. Certa vez, ele resolveu dar uma escapada: deixou o trabalho e foi passar a noite nos braços da amada. Voltou ao trabalho ao amanhecer e, para que sua escapulida não fosse descoberta, juntou o coalho do dia anterior, que já não estava lá grande coisa, ao daquela manhã. O resultado foi que, assim, acabou criando um queijo que continuava macio mesmo quando envelhecido. O jovem furou o queijo para ver se conseguia secá-lo, e os furos acabaram causando mofo. E così è nato e il Gorgonzola. Ou assim o dizem.

O fungo do Gorgonzola é introduzido no leite junto com o coalho. Dias depois, fura-se o queijo com varetas fininhas de cobre ou aço para que o fungo se prolifere. Se observarmos um pedaço do queijo, poderemos ver algumas riscas onde foram feitos os furinhos. O Gorgonzola é maturado por um período de 50 (Dolce) a 80 dias (Piccante). Para receber esse nome, ele deve ser produzido nas regiões da Lombardia ou do Piemonte.

Os italianos fazem mais de 4 milhões de formas de Gorgonzola anualmente, das quais 91% é do tipo Dolce. Cerca de 16 mil toneladas são exportadas. É bastante queijo!

A semelhança entre as lendas que contam a origem dos dois queijos é interessante. Fica difícil saber de verdade qual surgiu primeiro, como e quando. Mas quem se importa, não?

Mas uma coisa é certa, é melhor degustar o produto verdadeiro: substituí-lo por um queijo azul de baixa qualidade dificilmente vai proporcionar uma experiência prazerosa, já que quase certamente a imitação será forte ou salgada demais.

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Gorgonzola com Mascarpone. Genial!

 

E por falar em experiências prazerosas…

 

Os dois queijos podem ser saboreados como petisco, acompanhados de torradinhas, tiras de aipo, frutas ou compotas e um bom vinho… E também são excelentes no preparo de pratos. Aqui vão cinco sugestões de como usar um ou outro na culinária:

  1. Faça uma salada de folhas verdes variadas, acrescente nozes caramelizadas (basta derreter um pouco de açúcar junto com algumas nozes quebradas), um punhadinho de uvas-passas (ou, melhor ainda, cranberries desidratados!), e seu queijo azul preferido, em pedacinhos. Tempere com um belo vinagrete feito de vinagre balsâmico e azeite extra virgem. Misture delicadamente e sirva.

 

  1. Acrescente um pouco de Gorgonzola junto com o queijo parmesão de praxe no final do preparo de um risoto basiquinho.

 

  1. Numa frigideira com um fio de azeite, sele pequenos medalhões de filé mignon (de mais ou menos 100 g cada) dos dois lados. Não precisa fritá-los completamente porque irão ao forno. Tempere com sal e pimenta (pouco sal: o queijo já é salgado!). Cubra cada pedaço de carne com um pedacinho de Roquefort e um pouquinho de alecrim fresco. Embrulhe os medalhões em massa folhada, formando ‘pacotinhos’. Você vai precisar abrir a massa e cortar alguns retângulos para fazer os pacotinhos. Arrume cada medalhão numa metade de cada retângulo, cubra com a outra metade e aperte os dois lados para que fechem bem. Pincele a parte de cima com um ovo batido e leve ao forno pré-aquecido para acabar de assar a carne e dourar a massa folhada (siga as instruções da embalagem da massa).

 

  1. Aproveite o friozinho para fazer uma polenta bem molinha e servi-la como se faz em Bergamo, a terra da polenta: por cima de um pedaço de Gorgonzola Dolce.

 

  1. Derreta um pedaço de Roquefort ou Gorgonzola com um pouquinho de creme de leite fresco. Tempere com pimenta (e sal, se preferir) e sirva por cima do bife ou hambúrguer. Fácil, fácil.

 

Fontes:

academiabarilla.com

http://www.gorgonzola.com/il-formaggio-gorgonzola-le-origini/

http://www.saporinews.com/2014/04/dati-di-vendita-lo-confermanoil-formaggio-gongorzola-e-piu-forte-della-crisi/

https://fr.wikipedia.org/wiki/Roquefort_(fromage)

 

 

 

 

 

São Francisco, ícones e curiosidades

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Painel do Panama-Pacific International Exposition, de Young Museum (foto FPFA)

Do Terremoto à Feira Internacional

São Francisco era uma cidade jovem no início do século passado. Contava com 400 mil habitantes, escolas, hotéis, teatros, parques e museus. A cidade havia sofrido com enchentes, pragas, incêndios e governos corruptos, mas, ainda assim, já era um dos maiores centros urbanos americanos.

Na manhã de 18 de abril de 1906, um terremoto de magnitude 7,8 atingiu a cidade. Com o desmoronamento das casas e prédios, canos de gás estouraram e focos de incêndio se espalharam por todos os lados. O sistema de água se rompeu e a cidade ficou sem uma gota de água. Os bombeiros tentavam conter o fogo usando dinamite, o que, muitas vezes, ao contrário do que esperavam, aumentava o problema. As construções, quase todas de madeira e muito próximas umas das outras, arderam em chamas por vários dias. Cerca de 80% da cidade foi completamente destruída – foram 25 mil construções em 490 quarteirões. Estima-se que milhares de pessoas tenham morrido e que centenas de milhares tenham ficado desabrigadas. Muitas fugiram para Oakland e Berkeley.

Aos poucos, bastante gente retornou. Logo foram feitos planos de reconstrução. Todos queriam São Francisco de volta. Contra as previsões dos pessimistas e incrédulos, a cidade renasceu rapidamente e, nove anos mais tarde, foi palco da Panama-Pacific Exposition (PPIE), uma feira internacional que tinha como objetivo comemorar a abertura do Canal do Panamá e também mostrar ao mundo que São Francisco havia ressurgido maior e melhor que nunca. A feira durou dez meses e recebeu cerca de 19 milhões de visitantes vindos de 48 estados americanos e 21 países. Um número exorbitante, dadas as condições da época.

Para abrigar todas as obras de arte, shows e atividades diversas que faziam parte da feira, várias construções foram erguidas provisoriamente por toda a cidade. Quase todas foram demolidas depois, mas algumas restaram intactas, como o Palace of Fine Arts (hoje, vazio), na Marina.

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Palace of Fine Arts (foto FPFA)

 

Golden Gate Bridge: um ícone por acaso

Golden Gate é o nome da passagem entre a Baía de São Francisco e o Oceano Pacífico. A ponte foi construída ali em meio a muita controvérsia. Muitos acreditavam que ela estragaria a linda vista e que teria um impacto negativo no turismo. Em 1937, quando ficou pronta, resolveram de última hora que, em vez de pintá-la de cinza, a cor mais óbvia para pontes, iriam deixá-la da cor laranja-avermelhada, a cor da camada de tinta antiferrugem que havia sido usada para proteger suas partes, porque ela fazia um belo contraste com o verde das colinas e o azul do mar e do céu. Inserida numa paisagem incrível daquelas e daquela cor, quem poderia esquecê-la? A ponte acabou se transformando no mais importante símbolo da cidade.

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A ponte, vista do Presidio Park (foto FPFA)

 

Streetcars

Enquanto em muitos lugares eles pertencem a museus, em São Francisco os bondinhos ainda circulam nas ruas e fazem a linha F-Market & Wharves. Há bondinhos que datam dos anos 1930 e que vieram de várias cidades americanas, além de cidades europeias, como Milão e Lisboa. São um charme!

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Um dos charmosos bondinhos de São Francisco (foto FPFA)

 

Cable cars

Outro símbolo de São Francisco, os cable cars são bondinhos operados manualmente e que se locomovem através de cabos subterrâneos. Quase saíram de circulação completamente algumas décadas atrás, mas, por meio de um referendo, os apaixonados por eles conseguiram manter três linhas ativas – hoje usadas principalmente por turistas.

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Um cable car subindo a California Street (foto FPFA)

 

Transamerica Building

Com 48 andares, foi construído entre 1969 e 1972 e é o prédio mais alto de São Francisco. Sua construção também gerou protestos. Muitos diziam que o prédio alto em forma de pirâmide estragaria a visão do lindo céu da cidade. Hoje ele é outro ícone. Imponente, a gente o enxerga de onde a gente estiver.

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O Transamerica Building com a Bay Bridge por trás (foto FPFA)

 

Painted Ladies

Com a descoberta de ouro na região e o subsequente aumento da população de São Francisco, milhares de casas foram construídas nos estilos vitoriano e eduardiano entre os anos de 1849 e 1915. Eram todas bem coloridas. Depois, vieram a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais e ninguém mais tinha dinheiro para manter as casas ajeitadinhas. Muitas delas acabaram sendo pintadas de branco, porque tinta branca era muito barata, ou de cinza, com as sobras das tintas que haviam sido usadas para pintar os navios de guerra. Muito sem graça… Só lá pelos anos 1960 é que elas voltaram a ficar coloridas, graças a um artista que pintou a sua casa de azul e verde e, com isso, incentivou outros proprietários a fazerem o mesmo – e aos hippies (quem diria!), que pintaram suas casas em Haight-Ashbury de cores diversas. Os tons das casas variam de fortes a pastel.

O termo ‘Painted Ladies’ foi usado por dois escritores no título de seu livro sobre as casas vitorianas (Painted Ladies – San Francisco Resplendent Victorians, de Elizabeth Pomada e Michael Larsen, 1978) e passou a designar todas as casas daquele estilo. Mas, sem dúvida, as mais famosas são as da Steiner Street, em frente ao Alamo Square.

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As mais famosas ‘Painted Ladies’ contrastando com os prédios modernos atrás (foto FPFA)

 

Ilha de Alcatraz

Primeiro havia ali só um farol. Depois, construíram na ilha um forte e uma prisão militar. Mais para a frente, aquilo virou uma penitenciária federal que ficou famosa pelos criminosos que estiveram detidos lá, como Al Capone e Robert Franklin Stroud (conhecido como o ‘Birdman de Alcatraz’), entre outros. Hoje o lugar pertence ao National Park Service e está aberto ao público. A balsa chega rapidinho, já que a ilha fica a pouco mais de dois quilômetros de distância.

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Alcatraz (foto FPFA)

 

Calça Levi’s

Como tanta gente, Levi Strauss e Jacob Davis imigraram para a América ainda bem jovens. O primeiro era alemão e o segundo era russo. Ambos viveram em São Francisco até morrerem. Jacob era alfaiate e Levi era seu fornecedor de tecidos. Atendendo ao pedido da esposa de um lenhador que queria uma calça resistente para seu marido, Jacob criou um modelo que levava costuras duplas, tinha bolsos e, para fazê-lo, usou um tecido grosso e rústico (denim) que costumava comprar na Levi Strauss & Co. para fazer tendas e capas para cavalos, entre outras coisas. Nascia o blue jeans. A calça fez sucesso imediato. Jacob, com a ajuda financeira de Levi, patenteou o jeans em 1873. Levi abriu uma grande loja em São Francisco para vender a criação de Jacob, e o resto é história.

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(foto FPFA)

 

Televisão

Muitos estavam tentando, mas a primeira transmissão em televisão eletrônica foi feita por um garoto de vinte um anos chamado Philo Farnsworth. O feito aconteceu num laboratório na Green Street no dia 7 de setembro de 1927. Farnsworth transmitiu eletronicamente a figura de uma linha que se movia, usando seu ‘dissector de imagem’, de dentro de uma sala para um receptor numa outra sala. Parece pouco, mas veja só no que deu!

 

Sanduíche de sorvete

Alguém tinha de inventá-lo! E foi um cara chamado George Whitney, em 1928, que teve a ideia de botar sorvete de baunilha no meio de dois biscoitos de aveia. O nome da invenção? ‘It’s it’. Depois a fábrica se mudou de São Francisco para Burlingame, um pouquinho ao sul.

 

Cupid’s Span

Em 2002, os fundadores da Gap, Donald e Doris Fisher, encomendaram aos artistas Claes Odenburg e Coosje van Bruggen uma escultura enorme de um arco e flecha para expressar a ideia de que Cupido havia passado pela cidade. A escultura ficou pronta e foi montada durante a noite, causando espanto, admiração ou choque em todos os que passaram por ela na manhã seguinte. Ninguém ficou indiferente… Alguns a viram com ceticismo no início, mas ela acabou virando outro ícone da cidade e não vai sair de onde está tão cedo.

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O arco e flecha do Cupido, no Embarcadero (foto FPFA)

 

Algumas das empresas que adoramos e que nasceram ou têm sua sede em São Francisco

Instagram, Yelp, Uber, Lyft, Airbnb, Pinterest, Twitter, Open Table, Levi Strauss & Co., Gap Inc., Banana Republic e Old Navy, Lucasfilm… A lista continua, mas dá para se ter uma ideia.

São Francisco sempre foi inovadora. Lançou e continuará a lançar tendências. Ela acolhe a diversidade de bom grado e tem a mente no futuro, mas valoriza e protege seu passado. Embora tenha lá seus defeitos e seus problemas, suas qualidades são muitas e renderiam ainda incontáveis posts. Não tenho mais tempo, preciso ir embora. Paris me aguarda. Ah, mas qualquer hora eu volto…

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E por falar em São Francisco ainda só mais um pouquinho…

A banda Train, que é de São Francisco, fez o vídeo abaixo. A música é uma delícia e as imagens da cidade são lindas! Dá só uma olhadinha:

 

Em 1962, Tony Bennett gravou a canção ‘I left my heart in San Francisco’. Pode ser o maior clichê do mundo, mas quem vai embora de lá sempre deixa um bocadinho do coração para trás, não tem jeito. Aqui vai o vídeo:

 

 

Fontes:

 

San Francisco Chronicle

San Francisco 1015 – Panama-Pacific International Exposition DVD

Jewel City, Art from San Francisco’s PPIE, de Young Museum

This Bridge will not be Gray, by Dave Eggers

Wikipedia

Affogato al Caffè

Está preparando um jantarzinho para amigos, mas não vai ter tempo para fazer a sobremesa? Servir um Affogato al Caffè pode ser a solução. É doce, mas não doce demais e leva só o tempo de preparar o café. Mais fácil, impossível! Olha como se faz:

Faça café suficiente para o número de convidados (use uma xícara das de café como medida para cada um) e adoce-o, se quiser. Vale até café descafeinado, se preferir.

Em um copo ou taça, coloque de duas a três bolas de sorvete de baunilha, fior di latte ou creme e despeje o café por cima (verifique se a taça aguenta o choque de temperaturas!). Repita de acordo com o número de pessoas.

Para deixar a sobremesa mais interessante, você pode lambuzar o fundo da taça com Nutella ou calda de chocolate e/ou polvilhar o sorvete com raspas de chocolate. Muitos restaurantes italianos servem o sorvete com panna montata (creme de leite fresco batido) por cima. Mas, aí, já começa a complicar, não?

Pois é, isso é só sorvete com café… Mas se a chamarmos de Affogato al Caffè, a sobremesa muda de nível, concorda?

(Affogato al Caffè. Feito Peixe Fora d'Água)
(Affogato al Caffè. Feito Peixe Fora d’Água)

Nova Orleans: o jazz, a culinária e o French Quarter

(Foto de Feito Peixe Fora d'Água, em set/98)
(Foto de Feito Peixe Fora d’Água)

O jazz

O jazz surgiu no final do século XIX, depois do blues e do ragtime, e seu aparecimento não está bem registrado. As primeiras gravações foram feitas quando a tecnologia era ainda bastante limitada. Há também controvérsia quanto ao seu berço. Mas não há como negar que o gênero musical foi fortemente influenciado pela cultura Creole de Nova Orleans.

Muitos músicos negros Creoles pertenciam à classe alta de Nova Orleans e frequentemente eram educados em Paris. Voltavam com um conhecimento amplo e formal de música e tocavam com técnicas precisas. Mesmo os que não iam até a Europa costumavam aprender a tocar instrumentos europeus.

Em contraste, do outro lado da cidade habitavam escravos recém-libertados. Os ex-escravos tocavam blues e música gospel de ouvido e com muita improvisação. Os negros ricos e os ex-escravos viviam em dois mundos à parte… até que veio uma lei segregatória que obrigou os negros livres Creoles a se mudarem para o outro lado da cidade, aquele onde viviam os ex-escravos. Do encontro dessas duas culturas distintas nasceu o traditional New Orleans jazz.

(Nos clubes, nas casas de shows, nas ruas... o jazz está em todos os lados de Nova Orleans. fpfd)
(Nos clubes, nas casas de shows, nas ruas… o jazz está em todos os lados de Nova Orleans. FPFD)

A história do jazz é bem longa e tem muitas ramificações. Com o tempo, surgiram variações como o gypsy jazz, o cool jazz,, smooth jazz… Aqui vai só uma pincelada bem superficial. Para saber mais, dê uma olhada nas fontes no final do post.

Curiosidades:

-Louis Armstrong, um dos mais importantes e conhecidos intérpretes do jazz, nasceu em Nova Orleans em 4 de agosto de 1901.

-Jazz costumava ser tocado em funerais de pessoas ilustres da cidade.

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A culinária

(Foto de Feito Peixe Fora d'Água)
(Foto de Feito Peixe Fora d’Água)

Tanto Creole quanto Cajun são termos largamente empregados para designar a culinária de Nova Orleans. Essas são duas culturas diversas e, portanto, seus estilos são diferentes, apesar de ambas usarem condimentos fortes e ingredientes parecidos. Para quem é de fora, não é tão fácil assim distingui-las.

Originalmente, a cozinha Creole era mais aristocrata e urbana. Era preparada por escravos de membros da sociedade e usava grande abundância de ingredientes. Os primeiros Cajuns*, no entanto, viviam em zonas rurais. Sem acesso a nenhum tipo de refrigeração ou a outras modernidades da cidade, tinham que se virar com o os recursos que conseguiam, e o faziam com muito talento. Da necessidade de não desperdiçar nada surgiram linguiças e salsichas como Boudin e Andouille, por exemplo.

(Foto de Feito Peixe Fora d'Água)
(Foto de Feito Peixe Fora d’Água)

Gumbo, Jambalaya, Crawfish Étouffée, Shrimp Creole, Po-Boy, Red Beans’n’Rice e Beignets estão entre os pratos locais mais conhecidos. Mas a variedade é imensa! E deliciosa! Pelas ruas do French Quarter se sente também o cheirinho tentador das Pralines vindo das diversas lojas que fazem o doce de açúcar derretido e amêndoas diariamente.

*No post anterior, há um pouquinho da história dessas duas culturas. Para lê-lo, clique aqui.

(Beignets com café au lait. FPFD)
(Beignets com café au lait. FPFD)

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O French Quarter

(Varanda típica do French Quarter. FPFD)
(Varanda típica do French Quarter. FPFD)

O French Quarter é o bairro mais antigo – e vibrante – de Nova Orleans. Como fica numa região um pouco mais elevada que o restante da cidade, acabou sendo bem mais poupado da destruição causada pelo Katrina, em agosto de 2005, que outras regiões da cidade. Com a força do furacão, barragens inadequadas que protegiam a cidade das águas do Rio Mississippi e do Lago Pontchartrain partiram, e 80% da cidade ficou semanas inundada. Mas o French Quarter teve sorte.

(Foto de Feito Peixe Fora d'Água)
(Foto de Feito Peixe Fora d’Água)

A arquitetura do French Quarter é uma mistura de estilos francês, espanhol, americano e Creole – singular, linda e icônica.

É ali que fica a famosa Bourbon Street. E é no French Quarter que você provavelmente vai querer se hospedar, se for a Nova Orleans. O que não falta é diversão: restaurantes, lojas, casas de música, pequenos museus e casarões históricos, e muito mais.

(Foto de Feito Peixe Fora d'Água)
(Foto de Feito Peixe Fora d’Água)

Aqui vão algumas das atrações preferidas do local:

Museus:

-National World War II Museum: (um pouco afastado do French Quarter. Vá de táxi.)  para quem se interessa pelo assunto, este é um dos maiores museus sobre a Segunda Guerra Mundial que existem. O museu tem várias exposições e, em destaque, uma bastante detalhada sobre a invasão da Normandia pelos aliados,  além de um filme narrado por Tom Hanks. O filme, ‘Beyond All Frontiers’, apresenta uma perspectiva ampla da Guerra e é excelente. Imperdível. Único possível problema: como costuma acontecer nos museus americanos, tudo é só em inglês. Mas não deixe de visitá-lo mesmo assim.
945 Magazine Street, no ‘Historic Warehouse District’ (www.ddaymuseum.org)

-The Presbytère: o museu era dedicado originalmente ao Mardi Gras* de Nova Orleans. Mas, depois que a cidade se recuperou o suficiente da devastação causada pelo Katrina, o lugar passou a usar parte do seu espaço para registrar o desastre, contando o que aconteceu e mostrando relatos de pessoas envolvidas. O museu é para quem quer saber um pouco mais sobre uma das maiores catástrofes que o país já sofreu. Depois, é só prosseguir e levantar o ânimo com a exposição dedicada aos montes e montes de fantasias de Mardi Gras.
751 Chartres Street, Jackson Square

*Mardi Gras é o carnaval de Nova Orleans. Bem diferente do brasileiro…

(Foto de Feito Peixe Fora d'Água)
(Foto de Feito Peixe Fora d’Água)

Southern Food and Beverage Museum and Museum of the American Cocktail: um museu dedicado à comida e à bebida que conta a história de como os diferentes grupos étnicos contribuíram para que a culinária da cidade seja o que é. É também um passeio pela história de 200 anos de coquetéis no país. Muito instrutivo e divertido. Atenção: fecha às terças.
1 Poydras Street, no ‘Riverwalk Marketplace Mall’ (www.museumofthearicancocktail.org e www.southernfood.org)

Atrações:

(Foto de Feito Peixe Fora d'Água)
(Foto de Feito Peixe Fora d’Água)

-Preservation Hall: fundada com a finalidade de preservar o jazz tradicional de Nova Orleans, essa instituição é formada por uma banda de músicos que toca sem finalidade lucrativa. O lugar é minúsculo, escuro e meio caindo aos pedaços. Não há ar condicionado (aquilo fica um forno no verão) nem lugares confortáveis para se sentar. Em algum momento você vai se perguntar o que é que você está fazendo ali… Até aqueles senhores começarem a tocar e cantar. Ah, aí, tudo fica claro! Experiência única e inesquecível. Há três shows por noite, de cerca de 50 minutos cada. A fila na porta é sempre grande e nem todos conseguem lugar. Compre ingressos com antecedência pela internet e evite a fila e a decepção.
726 Street, Peter Street (http://preservationhall.com/hall/)

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(Prédio onde fica o ‘Preservation Hall’. FPFD)

Onde comer:

Há inúmeros restaurantes fantásticos. Aqui vão só algumas sugestões:

-Café du Monde: Paraíso dos beignets (massinha frita e passada no açúcar, meio que um ‘doughnut’ francês) com café au lait – o café aqui é feito à moda do sul: com um pouco de chicória. Não torça o nariz e experimente!
800 Decatur (www.cafedumonde.com)

-Johnny’s Po-Boys: as toalhas das mesas são de plástico, assim como os pratos e talheres. O lugar tem cara de pé sujo, mas é autêntico e muito bom no que se propõe a fazer. Lá eles servem vários exemplos da culinária local, inclusive, obviamente, o Po-Boy: sanduíches típicos de camarão, frango, linguiça, etc.

511 St. Louis Street (http://johnnyspoboys.com)

-Muriel’s Jackson Square: este é  bem diferente da lanchonete acima. Fica no coração do French Quarter e é um dos melhores restaurantes da cidade. Excelente cozinha, decoração aconchegante e elegante sem ser em nada pretensioso. Se tiver que escolher um só lugar para jantar, é ele.

801 Chartress Street (http://www.muriels.com/index.html)

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Há muito, muito mais. Faça uma pesquisa ou explore o lugar na hora e você certamente vai descobrir maravilhas. Divirta-se!

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Fontes:

redhotjazz.com

louisianatravel.com

neworleanscvb.com

neworleansonline.com

nola.com

wikipedia.com

Frommer’s USA 2011