The Mission – Um breve passeio pelos bairros de São Francisco

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The Mission District  foi o primeiro bairro de São Francisco. Quando os espanhóis missionários chegaram em 1769, encontraram uma população nativa que eles logo subjugaram. A tribo Yelamu vivia ali havia mais de dois mil anos quando o padre Francisco Palóu fundou a Misión San Francisco de Asís, usando o trabalho – nada voluntário – dos nativos na sua construção.

Com a corrida do ouro no século XIX, um grande número de imigrantes europeus, em especial, alemães, poloneses e irlandeses, começou a se aglomerar na área, o que contribuiu para torná-la mais residencial e para desenvolver o comércio local. Com o passar das décadas, esses europeus foram se mudando para outras regiões da cidade. Os anos de 1950 e 1960, no entanto, viram a chegada de imigrantes mexicanos. A nova população mudou as características do bairro. Logo chegaram muitos e muitos outros latino-americanos, e, hoje, o Mission é conhecido como o bairro latino de São Francisco.

O Mission nunca foi um bairro muito próspero. Durante quase cinquenta anos, os relativos baixos preços das moradias atraíam imigrantes que, mesmo com pouca renda, conseguiam comprar ou alugar uma residência no local. O bairro também nunca foi lá tão seguro quanto os outros bairros da cidade, particularmente nos seus cantos ou ruas mais obscuras. Caminhado pela Mission Street, uma de suas principais ruas, veem-se armazéns, lojinhas de roupas usadas, bancas de frutas e verduras, mercadinhos que vendem de tudo e muitos murais pintados por artistas da região que se empenham em passar suas mais variadas mensagens, principalmente de cunho político e social. Assim como os murais, o bairro é muito colorido.

Se antes imigrantes pouco abastados conseguiam adquirir propriedade no local, isso agora está mudando. O boom tecnológico da última década e meia na região de São Francisco vem atraindo cada vez mais profissionais da área, normalmente bastante abonados, para o distrito. Esse pessoal não quer morar nos bairros nobres da cidade nem no Vale do Silício. Prefere o burburinho alegre e a diversidade que o Mission proporciona. Com a chegada dos tech people, o perfil do bairro está se transformando de novo e causando muita polêmica e revolta. Dinheiro chama dinheiro e o preço de tudo tem ido às alturas. Inúmeros moradores que vivem lá há décadas não estão conseguindo mais bancar os atuais aluguéis altíssimos ou manter as casas compradas gerações atrás. Muitos prédios estão passando por reformas e a fachada do bairro está se modernizando. Mark Zuckerberg tem uma mansão por ali cuja reforma (e estou falando só da reforma), especula-se, custou quase dois milhões de dólares. Como é que o café e o cookie não vão ficar mais caros, não?

Indubitavelmente inspirada pelos mexicanos, a culinária do distrito vem há tempos recebendo também a influência de inúmeras outras culturas. Taquerías convivem amigavelmente com restaurantes indiano, vietnamita, italiano, etíope, guatemalteco, salvadorenho, nicaraguense, etc. Se a Mission Street tem um jeitão bastante dilapidado e feioso, a paralela Valencia Street já demonstra sinais de que esse pessoal mais cheio da grana se instalou pelas redondezas para ficar: a rua é cheia de restaurantes, lojas, butiques, cafés, etc. – tudo muito, muito hipster

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E por falar em mexicanos… 

Dia 5 de maio é uma data importante para eles. Foi nesse dia de 1862 que o general Zaragoza e seu exército venceram os franceses, que tentavam dominar o país, na ‘Batalla de Puebla’. A data é comemorada no México e em muitas cidades americanas. Em São Francisco, a festa acontece no Mission. Muita música, danças folclóricas, comida típica, artesanato e diversão para quem quiser passar por lá. Bota na agenda!

_MG_4853Alguns dados tirados das fontes:

San Francisco Chronicle: http://www.sfchronicle.com/the-mission/a-changing-mission/

Wikipedia

Chinatown – Um breve passeio pelos bairros de São Francisco

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Chinatown de São Francisco é a comunidade chinesa mais antiga do país. Sua história se confunde com a da cidade, que teve início no final da primeira metade do século XIX. O que é hoje São Francisco não passava de um vilarejo no meio do qual alguém havia enfiado uma bandeira americana. Portsmouth Square se chamava a praça ao redor da qual havia algumas cabanas, uma ou outra construção de pedras ou tijolos, algum comércio precário e pouca coisa mais. Com a descoberta de ouro na Califórnia em 1848, a população do lugar cresceu de mil para mais de 25 mil habitantes em apenas um ano. Muitos desses recém-chegados eram chineses.

A notícia da descoberta de ouro nas terras distantes da ‘Golden Mountain’ (EUA) chegou à China quando o país estava muito mal. Os chineses haviam acabado de ser derrotados pelos britânicos na Primeira Guerra do Ópio e, ainda por cima, uma série de catástrofes naturais castigava a população. As consequências disso tudo foram devastadoras. Muitos chineses deixaram seu país em busca de melhores dias e vieram procurar trabalho nas minas e nas ferrovias do oeste americano. Foram recebidos com desconfiança. Nos anos seguintes, a construção das ferrovias terminou e, ao mesmo tempo, os EUA entraram em depressão econômica. Os chineses continuavam chegando aos montes e começaram a ser vistos com maus olhos porque competiam por trabalho com os americanos. Discriminados e submetidos a uma legislação para lá de repressora, eles passaram por maus pedaços… Sem trabalho e proibidos de atuar em vários setores, centenas de chineses se instalaram em cortiços de madeira nas proximidades de Portsmouth Square, que agora já era uma região com residências, hotéis, escritórios, restaurantes, bordéis e casas de jogos. Começaram a se dedicar à agricultura e à pecuária, a fazer serviços domésticos nas casas dos americanos e a trabalhar em restaurantes. Montaram muitas e muitas lavanderias. Aquela área logo ficou conhecida como “Little Canton” e, mais tarde, como “Chinatown”. O lugar ficou colorido e barulhento, cheio de lanternas típicas, placas em dialetos diversos, templos, herbários, um teatro, mercadinhos e muita gente.

Durante as décadas seguintes, a imigração de chineses foi controlada rigorosamente. Só entrava um número restrito de homens; mulheres e crianças voltavam para trás. As coisas começaram a mudar quando, com o ataque do Japão a Pearl Harbor em dezembro de 1941, os chineses se aliaram aos americanos e lutaram com eles lado a lado contra os japoneses, usando o mesmo uniforme e carregando a mesma bandeira. A partir daí, caíram nas graças dos americanos (bem, mais ou menos) e passaram a poder adquirir cidadania americana e a ter direitos antes negados, como trazer a família da China, trabalhar em diversos setores, votar, possuir propriedade fora de Chinatown, etc.

O tempo passou e muita coisa mudou desde então. Hoje Chinatown compreende uma área de pouco mais de vinte quarteirões em volta da mesma Portsmouth Square – uma praça feiosa onde frequentemente se veem idosos jogando xadrez chinês ou praticando Tai Chi. Fica no coração da cidade e faz fronteira com o bairro italiano North Beach e o Distrito Financeiro. Ali habitam mais de 80 mil chineses (descendentes e recém-chegados), muitos em condições precárias. É muita gente em pouco espaço. A maioria da população chinesa (e asiática, como um todo), no entanto, geralmente mais próspera, mora nos distritos de Richmond e Sunset.

Segundo o último Censo, um em cada cinco habitantes de São Francisco é chinês ou de descendência chinesa. Hoje, quem diria, o prefeito da cidade, Ed Lee, é sino-americano.

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E por falar em sino-americanos…

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Chop Suey, ao contrário do que se acredita, não é um prato chinês autêntico. Nasceu por acaso, em solo americano. Dizem que alguns marinheiros chegaram a Honolulu tarde da noite, famintos. Não encontraram nada aberto. Quando viram a luz ainda acesa em um pequeno restaurante, imploraram para o dono lhes dar qualquer coisa de comer. O proprietário, um senhor chinês, ficou com pena dos marinheiros e improvisou uma receita com as sobras do dia. O prato ficou uma delícia. Quando perguntaram o nome daquilo, o senhor respondeu: “chop suey”, que em cantonês quer dizer “coisas misturadas”.

Aqui vai uma receitinha bem simples e saborosa. Os ingredientes podem ser facilmente substituídos, se quiser.

Chop Suey

Ingredientes:

500g da carne de sua preferência (porco, vaca ou frango), em fatias finas

2 colheres (sopa) de óleo (um pouco mais, se necessário)

2 cenouras médias, cortadas em diagonal em fatias finas

1 talo de salsão, cortado em diagonal em fatias finas 2 xícaras de brotos de feijão (frescos ou enlatados)

1 xícara de cogumelos frescos fatiados 1 xícara de brotos de bambu (frescos ou enlatados)

3 cebolinhas, cortadas em diagonal em fatias grossas

3 xícaras de noodles ou arroz cozido

Para o molho:

½ xícara de caldo de galinha

3 colheres (sopa) de molho de soja (Shoyu)

4 colheres (chá) de amido de milho

1 colher (chá) de açúcar

Preparo:

Aqueça 1 colher de óleo em um wok ou uma frigideira grande. Frite as cenouras e o salsão em fogo algo, mexendo sempre, por cerca de dois minutos. Acrescente mais um pouco de óleo, se necessário, e adicione os brotos de feijão fresco (se estiver usando) e os cogumelos, os brotos de bambu e as cebolinhas. Frite, mexendo constantemente, por mais dois minutos ou até que os legumes estejam macios, porém ainda crocantes. Retire e reserve.

Aqueça a colher de óleo restante no wok ou frigideira e frite metade da carne. Mexa sempre até que esteja bem frita. Retire e reserve. Faça o mesmo com a outra metade da carne. Quando estiver frita, adicione o molho e mexa constantemente, até que ele ferva e engrosse. Junte os legumes e a carne que estavam reservados e os brotos de feijão enlatados (se estiver usando). Aqueça por um minuto e sirva sobre noodles ou arroz. Rende 4 porções.

Obs.: O segredo desse tipo de prato é cozinhar com pouco óleo,em fogo alto e rapidamente.

(Receita adaptada do livro: Wok Cuisine, Oriental to American – Better Homes and Gardens)

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P.S. A história da imigração chinesa é muito mais complexa e interessante do que poderia caber num post de blog. Aqui fica um resumo bem superficial, só para dar uma ideia. 🙂

Fontes:

San  Francisco Magazine – Special Issue: Culture, Politics, and the Rise of a Chinese-American Establishment

PBS – KQEDhttp://www.pbs.org/kqed/chinatown/resourceguide/story.html

Wikipedia

The Castro – Um breve passeio pelos bairros de São Francisco

 

(Foto de Feito Peixe Fora d'Água)
(Foto de Feito Peixe Fora d’Água)

O bairro Castro nasceu dentro de um outro bairro, o Eureka Valley, lá pelo final dos anos 1880. Na época, ali só havia umas poucas residências e vários pequenos negócios. Nas casas, de arquitetura vitoriana, além de americanos e mexicanos, moravam irlandeses, alemães, suecos e finlandeses que trabalhavam no comércio, no setor público e nas docas, e o pequeno lugar tinha tudo de que precisava: mercadinhos, padaria, açougue, etc. Com o tempo, o número de casas aumentou e espremeu o bairro, mas suas características permaneceram. Até a chegada a Segunda Guerra Mundial… Os anos pós-guerra viram o declínio do bairro. Os preços altíssimos dos financiamentos fizeram com que muitos trocassem Eureka Valley pelo subúrbio de São Francisco. A popularização dos automóveis serviu de incentivo.

Durante a Segunda Guerra Mundial, milhares de soldados americanos de todas as partes do país foram expulsos das suas divisões devido à sua orientação sexual. São Francisco, já conhecida por ser bastante tolerante, acolheu um grande número desses soldados, e eles foram parar em diversos pontos da cidade. Eureka Valley passou a se firmar como uma comunidade gay durante o Summer of Love do bairro vizinho, Haight-Ashbury, em 1967 (para saber mais sobre o evento e o movimento hippie, dê uma olhadinha no meu post anterior). Nos anos que se seguiram, médicos, engenheiros e advogados, grande parte deles gays com muito dinheiro, começaram a se mudar para Eureka Valley, atraídos principalmente pela bela arquitetura local. Castro Street, a principal rua do pequeno distrito, acabou por dar seu nome ao bairro.

Hoje, São Francisco (incluindo Oakland e Hayward) tem o maior número de pessoas que se identificam como gays, lésbicas, bissexuais e transexuais do país. Segundo a Sistema de Pesquisa Gallup, isso se traduz em 6,2% da população da cidade. A bandeira símbolo do movimento LGBT foi desenhada por Gilbert Baker, artista de São Francisco, em 1978, e sofreu algumas modificações desde então.

O bairro foi e continua sendo palco de marchas, protestos, movimentos políticos e eventos históricos. E de pessoas nuas. Pois é. Até fevereiro de 2013, usar roupas na cidade era opcional. A única exigência era que, por questões de higiene, se cobrisse o assento com papel ou pano antes de se sentar. A nova lei cortou um pouco o barato dos peladões e peladonas espalhados por São Francisco. No entanto, basta um passeio por Castro para a gente se deparar com alguém assim, bem à vontade. Se não quiser passar pela experiência, não visite o bairro ou, então, torça para que esteja fazendo muito frio no dia.  🙂

Castro é, sem dúvida, um dos bairros mais agitados da cidade. Há inúmeros bares, cafés, restaurantes, clubes e lojas, além do icônico cinema (o Castro Theater, construído em 1922). Diversão não falta. Uma precaução, porém: olhinhos infantis podem se chocar com algumas vitrines. Às vezes, elas podem ser bastante explícitas.

Para saber mais, você pode fazer um walking tour que passa pelos lugares mais interessantes enquanto conta a história do bairro. É só visitar o site:

http://www.cruisinthecastro.com

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E por falar em movimentos políticos…

 Foi para Castro que se mudou Harvey Milk , a primeira pessoa assumidamente gay  eleita para um cargo de governo nos EUA. A história é contada no filme Milk: A Voz da Igualdade, de 2008. Aqui vai o trailer:

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Fontes:

Wikipedia

http://www.kqed.org/w/hood/castro/castroHistory.html

Frommer’s San Francisco 2011

Um breve passeio pelos bairros de São Francisco: Haight-Asbury

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O bairro de Haight-Ashbury recebeu esse nome devido à intersecção de duas de suas ruas principais, a Haight St. e Ashbury St. Até o início do século passado, as grandes casas coloridas de estilo vitoriano que ali existiam eram habitadas por moradores da classe média-alta de São Francisco. O bairro, por sorte, escapou ileso do terremoto de 1906 que devastou grande parte da cidade. As mansões continuaram de pé, mas o lugar foi mudando de perfil aos poucos.

A Crise de 1929 e a consequente depressão econômica pela qual o país passou nos anos seguintes e, mais para a frente um pouco, os anos posteriores à Segunda Guerra Mundial contribuíram para o declínio daquela região. Os antigos moradores abandonaram o bairro, alugando suas antigas residências por preços muito baixos. E, aí, ah… aí, vieram os anos 1960 e, com eles, o movimento hippie.

Foi o Human Be-In, um evento que atraiu cerca de 20 mil pessoas em janeiro de 1967 no Golden Gate Park (ali do lado) o responsável pelo início da popularização do movimento hippie. Foi esse evento também que inspirou o famoso musical Hair. Em junho do mesmo ano, aconteceu o Monterey Pop Festival, no sul da Califórnia. Nele se apresentaram pela primeira vez para um grande público figuras como Janis Joplin e as bandas The Jimmy Hendrix Experience e The Who. O festival deu início ao Summer of Love, um fenômeno social que levou cerca de 100 mil pessoas a se instalarem, de cabelão, bata e cuia, em Haight-Ashbury. Essa multidão toda chegou para ficar, atraída pelo baixo custo dos aluguéis, pelo fácil acesso a drogas, como anfetaminas, LSD e marijuana, e pela vontade de viver em comunidade. O bairro de São Francisco ficou famoso e passou a ser sinônimo de contracultura, drogas e música. Ah, claro, e de paz e amor. Janis Joplin, o pessoal do Grateful Dead e do Jefferson Airplane todos moraram ali.

Nos anos de 1980, Haight-Ashbury teve papel importante no crescimento e na promoção da comédia teatral de SF. O bairro ajudou a lançar a carreira de Robin Williams e Whoopi Goldberg, entre outros comediantes.

Hoje os hippies se foram, com exceção de alguns poucos remanescentes. O que se vê ali agora é uma mistura de lojas trendy, restaurantes e cafés hip (não confundir hip com hippie!), lojas de discos e de roupas vintage, moradores ricos (muitos voltaram…), pedintes, gente das mais diversas tribos, algum cheiro suspeito, cores por todos os lados e, sim, muitos turistas.

Se planeja passar alguns dias em São Francisco, uma visita ao bairro pode ser bastante divertida. Aqui vão quatro dicas:

  • Haight-Ashbury Flower Power Walking Tour: para quem quer saber um pouco mais sobre a arquitetura local, a história do movimento hippie, visitar a casa de Janis Joplin, etc.

www.haightashburytour.com

  • Haight-Ashbury Street Fair: a feira acontece todo segundo domingo de junho. Lá você vai encontrar artesanato de todo tipo, comidas étnicas, bandas de rock e coisas do gênero.

www.haightashburystreetfair.org

  • Ben and Jerry’s Ice Cream: a legendária sorveteria fica bem na esquina da Haight Street com a Ashbury Street. Saboreie seu sorvete e tire uma foto das placas. 🙂

1480 Haight St., San Francisco CA.

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E por falar em hippies…

Scott McKenzie imortalizou o movimento na cidade com sua música San Francisco (Be Sure to Wear Flowers in Your Hair): 

“If you’re going to San Francisco
Be sure to wear some flowers in your hair
If you’re going to San Francisco
You’re gonna meet some gentle people there”…

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Fontes:

Frommer’s San Francisco 2011

Wikepedia

Comfort Food para todos os gostos

São Francisco é uma cidade de imigrantes e concentra inúmeras nacionalidades entre seus pouco mais de 850 milhões de habitantes. Essa diversidade toda naturalmente se reflete na culinária. Junte a isso o fato de que o país como um todo – e essa cidade em particular – é muito competitivo, e você tem uma quantidade enorme de bons a excelentes restaurantes das mais variadas partes do mundo (os ruinzinhos não sobrevivem por muito tempo – sites de opinião como Yelp e Zagat são implacáveis…).

Há poucos dias, fui com o Filho ao Westfield, um shopping center que fica no centro da cidade. Na hora que bateu a fome, fomos almoçar na praça da alimentação do shopping. Para nossa surpresa, recentemente abriram ali uma pequena churrascaria brasileira. Não dava para deixar escapar. Picanha aqui é coisa rara! Fizemos o pedido a dois funcionários que de brasileiros não tinham nada e que pareciam pouco familiarizados com aquilo que serviam (pedi umas gotinhas do óleo da pimenta e a mocinha me deu um copinho cheio de malaguetas). Já sentados, enquanto misturava o arroz com o feijão e a farinha, eu me peguei pensando em quão pouco atraente aquilo devia parecer aos olhos estrangeiros, e quão delicioso era. Será que esse pessoal aqui sabe como comer isso do jeito certo? Tinha que vir com instruções: misture tudo e bote umas gotinhas de pimenta por cima. Fica uma bagunça, mas é muito bom.

Comfort food é uma expressão traduzida normalmente como comida caseira. Mas é mais que isso, é a comida que nos leva de volta à infância, que nos traz aquele sentimento gostoso de que está tudo certo, de que tudo está bem. Vai além do sentido de comida caseira. Quando vi o Filho se deliciando com arroz, feijão e bife, foi nisso que pensei. Ele parecia ter voltado no tempo, à época em que eu ainda fazia arroz e feijão ou, então, à férias na casa da avó. No mesmo instante, um casal de coreanos se sentou do nosso lado. Eles mexiam com maestria os ingredientes das duas tigelas que haviam levado para a mesa. Eu não sabia o nome daquele prato coreano, muito menos o jeito certo de comê-lo, mas aquilo era evidentemente comfort food para eles. Na praça da alimentação do Westfield não há McDonald’s nem Pizza Hut. O que há é uma pequenina amostra da heterogeneidade que existe em São Francisco. Ali você encontra pouco mais de meia dúzia de restaurantes de diversas nacionalidades, mas, lá fora, as alternativas são incontáveis. A chance de agradar a um estrangeiro com saudades de casa é grande!

Obs.: Come-se bem em São Francisco hoje, assim como se come bem em Chicago, Nova Iorque e muitas outras cidades americanas. Mas nem sempre foi assim. A história da evolução da culinária no país é muito interessante e está contada no ótimo livro ‘An Economist gets Lunch’, de Tyler Cowen. O autor dá ainda grandes dicas de como encontrar boa comida (boa comida não é sinônimo de comida cara) e explica por que muitas vezes come-se melhor num restaurante ‘pé sujo’ do que num badalado. Isso vale para qualquer país! Se você lê em inglês e se interessa pelo assunto, fica aqui a sugestão.

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E por falar em comfort food…

Meatloaf é o exemplo perfeito de comfort food para os americanos. Parece com nosso bolo de carne, mas não é recheado. Os temperos também são diferentes dos que vão na versão brasileira. Aqui vai uma receita bem gostosa e fácil de fazer do site ‘simplyrecipes.com’ . Se quiser dar uma olhada na receita original é só visitá-lo. O site traz outros pratos deliciosos e fotos de dar água na boca.

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Tempo de preparo: 20 minutos; tempo de cozimento: 1 hora (+ 10 minutos)

Serve: 4 a 6

Ingredientes

2 colheres (sopa) de manteiga sem sal

1 xícara de cebola, bem picada

1 talo de aipo, bem picado

1 cenoura, bem picada

½ xícara de cebolinha, parte branca e verde, bem picada

3 dentes de alho, amassados

2 colheres (chá) de sal

½ colher (chá) de pimenta-do-reino

2 colheres (chá) de Molho Inglês (Worcestershire sauce)

2/3 xícara de Ketchup, divididos em 1/3 e 1/3

700g de carne moída

350g de linguiça italiana (apimentada ou sem pimenta) ou carne de porco moída*

1 xícara de farinha de pão (bata duas fatias de pão de forma até obter uma farinha grosseira)

2 ovos grandes, levemente batidos

1/3 xícara de salsinha, picada

* A linguiça italiana dá um gostinho especial à receita. Se preferir usar carne de porco moída ou mesmo linguiça de porco comum, acrescente ½ colher (chá) de sementes de erva-doce amassadas, ½ colher de ervas secas (como tomilho, orégano e/ou alecrim) e umas gotas de pimenta vermelha.

Preparo:

Aqueça o formo a 180°C.

Em uma panela grande, leve a manteiga ao fogo médio. Assim que derreter, acrescente a cebola, o aipo, a cenoura, a cebolinha e o alho e frite por cerca de 5 minutos. Cubra a panela e frite por mais alguns minutos, mexendo de vez em quando, até que os legumes estejam macios. Tempere com o sal e a pimenta e adicione o Molho Inglês e 1/3 xícara de Ketchup. Cozinhe por mais um minuto e retire do fogo.

Quando os legumes tiverem esfriado um pouco, coloque-os em uma tigela grande e junte a carne moída, a linguiça sem a pele, os ovos, a farinha de pão e a salsa. Mexa bem com as mãos até que tudo esteja bem misturado.

Unte uma assadeira de pão ou de bolo inglês (cerca de 25cm x 10cm, com 7cm de altura) e coloque ali a mistura da carne. Pressione até ficar uniforme. Se não tiver uma assadeira própria, molde o bolo de carne com as mãos e coloque-o em uma assadeira ou pirex. Espalhe o restante do Ketchup por cima da carne e cubra com papel alumínio.

Leve-o ao forno por cerca de uma hora ou até que esteja assado (retire o papel alumínio depois de 30 minutos). Deixe descansar por 10 minutos e sirva.

Se sobrar, o meatloaf fica ótimo em sanduíches no dia seguinte! É só conservá-lo na geladeira e esquentá-lo de novo quando for usar.

Pequena história dos food trucks

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Segundo o site culinaryschools.com, a história dos food trucks americanos teve origem no final do século 17, na costa leste do país, com vendedores ambulantes que paravam suas carroças nas ruas e vendiam comida aos transeuntes. Depois da Guerra Civil (1861-1865), muita gente começou a cruzar o país em busca de novas oportunidades. Essa expansão criou uma necessidade grande de alimentos, e a carne era um deles. Para suprir essa demanda, pecuaristas precisavam percorrer enormes distâncias levando gado para o oeste e o norte do país e, como as ferrovias ainda não haviam chegado àqueles lados, acabavam ficando meses a fio nas estradas, com pouca coisa para comer.

Em 1866, enquanto se preparava para a longa viagem que teria pela frente para levar suas duas mil cabeças de gado do Texas para o estado do Novo México, o rancheiro Charles Goodnight teve uma sacada genial: adquiriu uma carroça que havia pertencido ao Exército e a adaptou com uma cozinha. Deu um jeito de enfiar uma superfície onde pudesse preparar e servir a comida, estocou o vagão com enlatados e outros não perecíveis e lá foi ele, feliz da vida, porque finalmente conseguiria comer bem na estrada. A ideia pegou. Para os cowboys, ‘chuck’ significa ‘boia’ ou ‘rango’  e, desde então, essas carroças  passaram a ser conhecidas como chuck wagons. Essas ‘cozinhas sobre rodas’ são as precursoras dos food trucks de hoje nas terras americanas.

Décadas mais para a frente, imigrantes mexicanos trouxeram a cultura do taco truck para a Califórnia. A coisa foi se diversificando um pouco, mas, durante muito tempo, food trucks eram sinônimos de hambúrgueres, cachorros-quentes, sorvetes e, naturalmente, tacos. Nada muito interessante.

A crise financeira iniciada na década passada foi a responsável pela reviravolta do street food (comida vendida na rua, seja em bancas, feiras, carrinhos ou food trucks). Por causa da crise, muitos chefes de restaurantes badalados perderam o emprego. Montar um food truck pareceu uma boa ideia para alguns deles, uma vez que o capital que precisariam empregar seria relativamente pequeno. Os americanos, já acostumados com a cultura do street food, estavam ávidos por uma comida rápida, econômica, mas de melhor qualidade. Bingo! Assim nasciam os food trucks gourmet.

As cidades americanas com mais concentração de food trucks são Chicago, Los Angeles, Nova Iorque, Washington D.C., Houston, Miami e São Francisco. Presume-se que, a cada semana, dez food trucks novos sejam abertos. Hoje há cerca de três milhões deles nas ruas do país e sabe-se lá quantos outros espalhados pelo mundo. A história do street food em países asiáticos, africanos e europeus é muito mais antiga, e a origem de seus food trucks certamente é diversa. Porém, a onda dos food trucks repaginados e chiquezinhos de hoje se deve bastante à influência da cultura americana.

Na outra ponta dos food trucks gourmet estão aqueles com finalidades humanitárias que são usados para levar ajuda a refugiados e populações carentes ou de áreas em conflitos. Entre um extremo e outro, segundo a Food and Agriculture Organization of the United Nations, eles alimentam cerca de 2,5 bilhões de pessoas por dia. É gente para caramba!

O termo food truck foi adicionado à Wikipédia em 2006.

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E por falar em food trucks…

Se ainda não viu, não deixe de ver o gostosíssimo filme Chef, com Jon Favreau, Sofía Vergara e Scarlett Johansson. Dê uma olhada no trailer:

O ótimo livro The Van (‘O Furgão’), de Roddy Doyle, também virou filme anos atrás. A história é da época em que food trucks eram tudo, menos requintados:

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Quer saber mais? Aqui vão as fontes:

http://www.culinaryschools.com/history-of-food-trucks

http://mashable.com/2011/08/04/food-truck-history-infographic/

http://mobile-cuisine.com/business/history-of-american-food-trucks/

E um filminho bem legal que resume bem a história toda:

http://www.history.com/shows/modern-marvels/videos/history-of-food-trucks

Gazpacho

Quase todas as culturas têm seu alimento básico, aquele com que seus habitantes contam como parte essencial de sua dieta. O ‘pão nosso de cada dia’ varia de país para país. Se no Brasil almoçamos e/ou jantamos arroz e feijão, na Itália é a massa – nos seus mais variados tamanhos e formatos – que aparece todos os dias na mesa das pessoas. Durante muito tempo, a batata foi a essência da alimentação irlandesa e, de certa forma, ainda é. Em muitos países asiáticos, o arroz ou os noodles fazem parte da refeição diária… E por aí vai.

E em Portugal, você sabe? Com certeza pensou em bacalhau! O peixe salgado pode ser o símbolo da cozinha portuguesa, mas o que entra em cena em pelo menos uma refeição diária na maioria dos lares lusitanos é… a sopa. Caldo Verde, Sopa da Pedra, Açorda Alentejana são apenas algumas das muitas variações existentes. Em Portugal, há até restaurantes que só servem sopa. Prática, nutritiva e deliciosa, ela é irresistível. Eu sei, com as temperaturas altíssimas no Brasil neste momento, ninguém está pensando em encarar um prato de caldo quente. Mas se ele for gelado, pode cair muito bem!

O Gazpacho é uma sopa fria bastante popular na Península Ibérica. A clássica sopa espanhola tem os seus ingredientes triturados, transformados em purê. Já na versão portuguesa, eles são apenas picados, e a receita ainda inclui orégano, azeitonas e, às vezes, ovos cozidos. Hoje, há muitas outros tipos de Gazpacho, até alguns que não levam seu ingrediente original, o tomate. Deixo aqui uma adaptação da receita andaluza, porque seu preparo é muito simples e não falha!

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Ingredientes:

5 tomates maduros grandes, sem pele e picados

2 fatias de pão de forma branco, sem casca

1 dente de alho, amassado

1 cebola pequena, picada

2-3 colheres (sopa) de azeite extra-virgem

2 colheres (sopa) de vinagre de vinho branco

2/3 xícara de suco de tomate

½ colher (chá) de páprica (opcional)

1 pitada de cominho em pó (opcional)

sal e pimenta-do-reino a gosto

 

Guarnição:

½ pimentão vermelho sem sementes, picado

½ pepino, sem casca e sem sementes, picado

pão frito, em cubinhos (croutons)

 

Preparo:

Coloque as fatias de pão em um prato fundo e cubra com um pouco de água fria. Deixe alguns minutos e, depois, desmanche-as com os dedos ou um garfo, retirando o excesso de água.

Em um liquidificador ou processador, bata os tomates, a cebola, o alho, o suco de tomate, o azeite, o vinagre, o pão e os temperos até conseguir a textura desejada (mais ou menos cremosa). Leve à geladeira por algumas horas.

Sirva o Gazpacho em tigelas ou pratos de sopas gelados. Enfeite com a guarnição e bom apetite! Rende quatro porções.

Obs.: O alho e a cebola crua dão um toque levemente picante à sopa. Ajuste-os ao seu gosto.