Madeleines – curiosidades e receita

Acabo de retirar do forno uma forma de madeleines e aproveito para escrever enquanto elas esfriam um pouco. Essas pequenas maravilhas em forma de conchinha são um clássico da pâtisserie francesa. Sua receita sofreu modificações com o passar do tempo e ficou bem mais leve. Uma madeleine muitas vezes é bem o que a gente quer para completar o cafezinho passado na hora. Porque, honestamente, todo cafezinho deveria vir acompanhado de um pequeno mimo, como um chocolatinho, uma bolachinha ou uma delicada madeleine (ou duas ou três). 

Como geralmente acontece, a origem das receitas antigas se perdeu no tempo; a das madeleines não é exceção. São diversas as lendas em torno da sua invenção. No entanto, todas têm em comum o lugar de seu nascimento: a cidade francesa de Commercy, na região de Lorraine (Lorena). O que não se sabe é quem a pariu. São quatro as possibilidades mais aceitas. Aqui vão elas:

O mais antigo registro diz que as madeleines vêm lá da Idade Média. Eram pequenos brioches assados dentro de conchas de verdade. Dado o seu formato, alguns acreditam que eram destinadas aos peregrinos que passavam por ali a caminho de Santiago de Compostela. 

Outra versão afirma que quem criou essas delícias foi Madeleine Simoni, em 1661, quando esta era cozinheira de um importante cardeal da época(1). O alto dignatário da Igreja Católica adorava as guloseimas e deu-lhes o nome de madeleines. Muito apropriado!

Há quem fale que as madeleines aparecerem mais para a frente, em 1755, por causa de uma briga. Parece que um certo dia, um renomado duque de Lorena(2) ia oferecer um de seus banquetes habituais, só que, horas antes da festa, o pâtissier do duque aprontou um barraco na cozinha, arrancou o avental e saiu porta afora, pisando duro. Imaginou a cena? Por sorte, uma serviçal que ajudava na cozinha juntou alguns ingredientes às pressas e fez uns biscoitos que sua avó lhe havia ensinado. O nome da serviçal era Madeleine. Claro… (Mas, convenhamos, os biscoitos deveriam ter levado o nome da avó dela, concorda?)

Finalmente, há ainda a versão de que foi Jean Avice(3), um dos cozinheiros de uma outra notável figura da política francesa(4), que, num belo dia, resolveu misturar uns ingredientes assim, rapidinho, assar a massa em pequenos recipientes em formato de conchas e batizar as bolachas com o nome de sua amada, Madeleine. 

Fazer as madeleines é muito mais simples que tentar escolher qual a versão que convence mais. Leva cinco minutinhos para misturar os ingredientes e pouco mais de dez para assá-las. O tempo de fazer o cafezinho.  🙂

***Dando nome aos bois, isto é, às figuras históricas:

(1) Cardeal Jean-François-Paul de Gondi– para situar rapidamente o personagem na história, Gondi foi cardeal na época em que Anne da Áustria (viúva do rei francês Louis XIII) governou como regente de seu filho, Louis XIV, durante sua minoridade. Gondi foi um dos principais articuladores da rebelião chamada ‘as Frondas’, contra a rainha e seu conselheiro, o cardeal Marazin.

(2) Duque Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord, político francês e diplomata (e grande gourmant!). Teve uma carreira bastante longeva e influente que transitou pela Revolução Francesa, pelos anos de Napoleão, e continuou ilesa durante a volta da monarquia, nos reinados de Louis XVIII e Louis-Philippe. Era amado por uns e odiado por outros, como é de se esperar, já que ele passou por esses regimes todos…

(3) Jean Avice, chef pâtissier da Bailly, a melhor pâtisserie parisiense de sua época (início do século XIX). Foi mestre do célebre Marie-Antoine Carême (mas esta é história para um outro post).

(4) Stanislaw I, rei deposto da Polônia. Teve de sair de seu país e veio parar na França, onde acabou virando duque da região de Lorena. O ex-rei, então duque, casou sua filha, Marie Leszczynska, com o rei Louis XV.

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E agora, vamos à receita?  

Obs.: Se não tiver uma forma própria para madeleinesne t’inquiète pas ! Use forminhas de empada. Mas encha com só um dedinho ou dois de massa para que elas não fiquem umas bolachonas!

Madeleines

Ingredientes:

½ xícara + 2 colheres (sopa) de açúcar

Raspas de um limão 

2 colheres (sopa) de suco de limão

7 colheres (sopa) de manteiga (100g) + um pouquinho para untar a forma

1 colher (sopa) de mel

2 ovos grandes

1 colher (chá) de baunilha

1 xícara de farinha

½ colher (chá) de fermento em pó (pó Royal)

Preparo

Pré-aqueça o forno a 180°graus (170°graus, se seu forno for ventilado). Unte uma assadeira própria para as madeleines (ou formas de empada) com um pouco de manteiga e reserve.

Coloque a manteiga e o mel numa panela pequena e leve ao fogo para derreter. Se preferir, derreta-os no micro-ondas (comece com 1 minuto e meio e, se necessário, repita por mais alguns segundos). Deixe esfriar.

Numa vasilha pequena, peneire a farinha e o fermento em pó. Reserve.

Na tigela da batedeira, misture o açúcar com as raspas de limão usando os dedos ou uma colher. 

Junte os ovos e a baunilha à mistura de açúcar e limão e bata por alguns minutos, até que fique um creme amarelado. Acrescente o suco de limão e bata por mais uns segundos. Adicione a manteiga derretida já fria (ou, no máximo, morninha – para não cozinhar os ovos!) e bata um pouco mais para que tudo fique bem incorporado. Em seguida, adicione a farinha aos poucos e misture gentilmente até que a massa esteja bem homogênea. Despeje-a nas forminhas.

Leve a assadeira ao forno e asse por cerca de 12-13 minutos ou até que estejam douradas. Se estiver usando formas de empadas, talvez precise deixar mais uns minutos. Retire do forno e deixe esfriar um pouco antes de desenformá-las. Se sobrou massa crua, retire as madeleines que estiverem prontas, unte a forma novamente, despeje o restante da massa e leve ao forno até que dourem. Rende cerca de 18 unidades. 

Fontes:

La Très Belle et Très Exquise Histoire des Gâteux et des Friandises, Maguelonne Toussaint-Samat

Dinner Chez Moi, Elisabeth Bard

Le Guide Culinaire, Auguste Escoffier

Wikipedia

Salada César – história e receitas

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A origem da Salada César é meio controversa, assim como a de tantas outras receitas. A versão mais aceita, de acordo com o jornal britânico ‘The Telegraph’ (22 de setembro de 2003), é a de que ela foi inventada por um milanês chamado Caesare Gandini. Parece que a coisa aconteceu assim: Caesare e seu irmão, Alessandro, imigraram para São Diego, nos EUA, logo depois do fim da Primeira Guerra Mundial. Como a gente já viu em tantos filmes americanos que retratam aquela época, nos anos 1920 estava em vigor no país a ‘Lei Seca’, lei que proibia a fabricação, venda e transporte de bebidas alcóolicas. Os irmãos italianos resolveram abrir um restaurante, mas decidiram fazê-lo a um passinho da fronteira americana, lá em Tijuana, no México. O estabelecimento logo virou um sucesso e andava sempre cheio de americanos que, para escapar da lei, davam um pulinho no país vizinho a fim de beber um copo. Era mesmo essa a intenção dos dois irmãos.

Um certo dia, o restaurante acabou tendo movimento maior do que o normal, e já não restava quase nada na cozinha. Caesare teve que improvisar uma salada com os poucos recursos que ainda havia: alface romana (aquela das folhas mais claras e firmes), gema crua, azeite, alho, queijo Parmesão e ‘Molho Inglês’. Deu certo e a invenção foi batizada com o nome de seu criador. Ou suposto criador… Dizem lá que a ideia pode ter sido do garçom que trabalhava ali e que Caesare se apropriou dela. Até Alessandro, o irmão, quis tirar uma lasquinha da fama da salada: botou anchovas no molho e croutons (versão que também acabou se tornando bastante popular) e saiu por aí chamando a salada de sua. Não importa. Hoje a Salada César é conhecida como um dos ícones da cozinha americana. Ora, ora…

Se você também é fã dessa salada, possivelmente já se frustrou alguma vez ao pedi-la num restaurante e se deparar com um prato sem graça. Não é raro a alface estar muito gelada e o molho sem sabor ou, ao contrário, com excesso de alho. Aqui vão duas versões que faço e que costumam dar certo. Uma é à base de maionese e a outra leva gema crua e anchovas. Para uma refeição mais completa, você pode acrescentar peito de frango grelhado bem temperadinho (ou camarão também grelhado, salmão assado…). Espero que goste! Mas não deixe de adaptá-la ao seu gosto (um bocadinho mais disso, um pouquinho menos daquilo…).

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Salada César 

 Ingredientes para a salada (server 2 pessoas):

 Folhas de alface romana cortadas grosseiramente, o suficiente

2 xícaras de croutons (cubinhos de pão torrado – ver receita abaixo)

2 peitos de frangos, grelhados e fatiados (opcional)

Para os ‘croutons’:

Ingredientes:

 5-6 fatias de pão do tipo italiano (ou qualquer outro que seja firme e tenha crosta), cortadas em cubos

3 colheres (sopa) de azeite (+ um pouco para untar a assadeira)

1 colher (sopa) de salsa ou outra erva (fresca ou desidratada) de sua preferência, picada

Sal a gosto

Preparo dos ‘croutons’:

Pré-aqueça o forno a 180 graus.

Misture os cubos de pão com os outros ingredientes e distribua em uma assadeira levemente untada.

Leve ao forno até ficarem dourados (cerca de 5 minutos).

Você pode fritar o pão na frigideira usando manteiga em vez de assá-lo com azeite, se preferir.

Molho à base de maionese (receita I)

Ingredientes: 

1 a 2 dentes de alhos pequenos, amassados (alho cru é muito forte! Comece com 1 dentinho, experimente e, se gostar, use mais)

1 a 2 colheres (sopa) de suco de limão (aqui também, comece com 1 colher!)

1 xícara de maionese

1/2 xícara de queijo Parmigiano-Reggiano, de preferência ralado na hora*

1 colher (chá) de molho Worcestershire (‘Molho Inglês’)

1 colher (chá) de mostarda Dijon

Sal (se achar necessário)

Pimenta preta moída na hora, a gosto

*Obs.: Se possível, evite queijo ralado de saquinho, que costuma ter gosto muito forte e ser ressecado. Se não puder usar Parmigiano-Reggiano, tente um queijo Parmesão nacional de boa qualidade.

Preparo:

Em uma tigela pequena, misture bem os ingredientes do molho. Verifique se necessita de sal.

Em uma tigela maior, arrume a alface e, em seguida, despeje o molho, mexendo delicadamente.

Por cima, arrume as fatias de frango (se estiver usando) e os croutons.

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 Molho à base de gema de ovo e anchovas (receita II)

Ingredientes: 

1 a 2 dentes de alho pequenos, amassados (como disse na receita acima, comece com 1 dentinho, experimente e, se gostar, use mais)

1 gema bem fresca

2 anchovas pequenas conservadas em óleo, escorridas e sem a espinha do meio

1 colher (sopa) de suco de limão

6 colheres (sopa) de azeite (um pouco mais, se necessário)

1/2 colher (chá) de mostarda Dijon

1/2 xícara de queijo Parmigiano-Reggiano (ver a observação da receita I)

Sal e pimenta preta moída na hora, a gosto

Preparo:

Em um pilão, amasse bem as anchovas com um garfo. Junte o alho e a mostarda e amasse mais, até obter uma pasta. Passe essa pasta para uma tigela maior, acrescente as gemas e o suco de limão e misture bem. Aos poucos, vá despejando o azeite, enquanto mexe rapidamente, até emulsificar. Se estiver muito grosso ou azedo, use mais azeite, até que fique com a consistência e sabor de sua escolha. Adicione o queijo, a pimenta, verifique o tempero e acrescente sal, se precisar.

Junte as folhas de alface e mexa delicadamente.

Por cima, arrume as fatias de frango (se estiver usando) e os croutons.

Obs.: Gemas cruas, azeite e suco de limão, quando emulsificados, viram… maionese. As anchovas da receita II entram no lugar do ‘Molho Inglês’ da receita I. No fundo, é tudo mais ou menos a mesma coisa. 🙂

 

 

 

Ricota caseira

 

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De vez em quando me vem de fazer ricota aqui em casa e pensei em compartilhar a receita que eu uso com vocês. Aí, achei bacana pesquisar sua história para contá-la. Para minha surpresa, descobri que a ricota é um produto secundário, isto é, ela é feita do soro que fica da produção de outros queijos, como o gorgonzola, o taleggio, o provolone, por exemplo. Daí seu nome: ricotta, que significa ‘cozido de novo’, em italiano. Pode ser feita com leite de vaca, ovelha, búfala ou mesmo uma mistura deles. Como tantas outras maravilhas da cucina povera italiana (que faz uso de sobras ou de ingredientes simples para criar pratos deliciosos), a ricota era basicamente consumida por pastores que a misturavam na polenta ou a passavam no pão. Bom, não?

Mas vamos lá para o início. Há quem diga que a ricota teve sua origem na Grécia Antiga e que logo foi levada a várias regiões da Itália, como a Lombardia, o Piemonte e Lácio (área onde fica Roma). Outros afirmam que foi pelos árabes que ela chegou à Sicília e, de lá, se espalhou por todos os lados. De qualquer forma, a ricota como conhecemos hoje é verdadeiramente italiana.

Como não podia deixar de ser quando se trata de um produto fantástico italiano, dois tipos de ricota levam o título ‘D.O.P.’ (Denominazione di Origine Protetta): a romana (feita de leite de ovelha e sem sal, e, portanto, muito usada em sobremesas) e a ricotta di bufala campana (fresca, branquinha e bastante cremosa).

Para se obter a ricota tradicional, ferve-se o soro do leite em grandes tachos de metal até que partículas da proteína se separem e subam até a superfície. Essa massa que se formou é retirada e colocada em cestos para que o excesso de água escorra. Pronto, está no ponto e já pode ser comercializada.

Além da tradicional, existem ainda a ricotta salata (salgada) e a ricotta affumicatta (defumada), entre outras. Sua consistência também pode variar de acordo com a região e ela vai de bem cremosa a mais firme.

Se você tiver acesso à ricota italiana, aproveite! Caso o que encontrar no supermercado seja uma cópia de pouca qualidade, mais vale fazê-la em casa. Tudo de que vai precisar são uns poucos ingredientes e um coador de pano com seu suporte. Tão fácil e rápido! Se puser na ponta do lápis, a ricota caseira sai ligeiramente mais cara do que sua versão industrializada, mas seu sabor é incomparável.

Obs.: como vimos, a ricota verdadeira é feita com soro. Para fazer em casa, ela deve levar leite e creme em razão da pouca quantidade e, vá lá, porque é mais simples assim. Eu gosto da minha salgada e azedinha, então, capricho no sal e no limão. Mas você pode omitir o sal se preferir usá-la em doces (na torrada, com mel ou geleia, fica uma delícia!)

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Ricota com mel e raspas de laranja

Ecco la ricetta:

Ingredientes

750 ml de leite integral

250 ml de creme de leite fresco (quanto mais espesso, melhor. Mas não pode usar o de lata!)

½ colher (chá) de raspas de limão (opcional)*

2 colheres (sopa) de suco de limão siciliano, coado

1 colher (chá) de flor de sal ou ½ colher (chá) de sal de cozinha

*Eu costumo temperar minha ricota com flor de sal que já vem com umas raspinhas de limão. Na falta, por que não acrescentar um pouquinho delas ao sal normal, então, não? Raspe o limão antes de espremê-lo.

Obs.: Você vai precisar de um coador de pano (e seu suporte). Use uma fralda de pano dobrada algumas vezes no lugar do coador, se preferir.

Preparo:

Leve o leite, o creme de leite e o sal para ferver em uma panela grande, mexendo sempre. Assim que  levantar fervura, abaixe o fogo, acrescente o suco de limão e continue mexendo por mais um a dois minutos. Retire do fogo e deixe descansar por cinco minutos. Verifique se está bem coalhado antes de despejar no coador. Se estiver muito líquido, volte ao fogo e deixe ferver de novo. Se necessário, acrescente mais um pouquinho de limão. Deixe descansar uns minutos novamente.

Despeje o leite coalhado no coador (com uma tigelinha embaixo para receber o soro) e deixe escorrer durante meia-hora ou o tempo necessário. Se precisar, esprema um pouco o coador. Quanto menos soro restar, mais cremosa e seca ficará a ricota.

Agora experimente uma colherada e imagine só isso no pão quentinho!

 

Fontes:

InNaturale – Conoscere per assaporare

Galbani France

Culture: the word on cheese

Financiers

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O Financier é um clássico da pastelaria francesa. O bolinho nasceu no século XVII pelas mãos das freiras da ordem das Visitandinas (ou da Visitação), na cidade de Nancy, lá no nordeste da França. Naquela época, as gemas dos ovos eram empregadas no preparo de tintas. As irmãs do convento, então, criaram uma receita para aproveitar as claras que sobravam, misturando-as com farinha de amêndoas, manteiga e açúcar. Os bolinhos originais eram redondos e achatados e se chamavam Visitandines, assim como a ordem. Dizem que, mais tarde, lá pelo final do século XIX, um suíço chamado Lasne possuía uma pâtisserie pertinho da Bolsa de Valores de Paris. Para agradar aos seus fregueses financeiros, Lasne resolveu dar uma repaginada na guloseima. Passou a usar forminhas retangulares para dar um ar de barrinhas de ouro aos bolinhos e rebatizou-os de Financiers. E voilà, é assim que os encontramos hoje.

Curiosidades:

*Diferentemente do que se deu na França, lá em Portugal, os doces conventuais (isto é, originários de conventos e mosteiros) foram criados para que se aproveitassem as gemas dos ovos, uma vez que as claras eram usadas para engomar roupas ou como purificadoras na produção de vinhos brancos.

**Não há praticamente registros sobre Lasne. Só se sabe que era suíço e pasteleiro. Não faz mal, ele nos deixou essas barrinhas deliciosas!

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Aqui vai a receita clássica, que é rápida e incrivelmente fácil de fazer:

Ingredientes

 150 g de açúcar de confeiteiro

50 g de farinha

60 g de amêndoas em pó (farinha de amêndoas)*

3 claras, levemente batidas

150 g de manteiga

*Se não encontrar a farinha já pronta, triture 60 g de amêndoas em um processador, até que tenha virado um pó. Não bata demais, senão ela vira um creme, como esta receita aqui.

Preparo

 Pré-aqueça o forno a 180°C graus (170°C, se o forno for ventilado).

Unte uma assadeira própria para financiers com um pouco de óleo ou manteiga. Caso não tenha uma, você pode usar forminhas de empadas (mas não as encha completamente, uns dois dedinhos de massa são suficientes). Reserve.

Derreta a manteiga em uma panela até que ela adquira uma cor dourada escura, com cuidado para não queimar. Retire do forno e deixar esfriar um pouco.

Em uma tigela, misture as farinhas e o açúcar. Acrescente a manteiga derretida (com os gruminhos que ficaram no fundo da panela – eles dão um sabor e aroma todo especial!) e mexa bem. Junte as claras e mexa novamente à mão ou na batedeira, até obter um creme homogêneo.

Despeje na assadeira e levar ao forno por cerca de 12-14 minutos ou até que estejam douradinhos.

Uma variação:

 Para financiers de chocolate, derreta 75 g de chocolate escuro em banho-maria e deixe esfriar ligeiramente. Faça a receita de financiers normalmente e, no final, junte o chocolate derretido. Mexa bem e despeje na assadeira.

Obs.: Se gostar, junte pedacinhos de cereja preservada em xarope.

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Bolo de iogurte

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Depois das dicas de como assar bolos fofinhos, aqui vai uma receita bem gostosa, fácil e rápida:

Ingredientes

1 1/4 xícaras de açúcar (225 g)

1 colher (sopa) de raspas de limão (opcional)

3 ovos

1 xícara de iogurte natural inteiro (245 g)

1/2 xícara de óleo (130 ml)

1 colher (chá) de baunilha

1 1/2 xícaras de farinha (180 g) + cerca de 1 colher (sopa) para untar a assadeira

2 colheres (chá) de fermento em pó

1/2 colher (chá) de sal

Preparo

Pré-aqueça o forno a 170 graus.

Unte uma forma própria para pound cake (ou de pão) com manteiga ou óleo e polvilhe com um pouquinho de farinha. Reserve. Se não tiver esse tipo de forma, use uma quadrada ou retangular não muito grande.

Em uma tigela, peneire a farinha, o polvilho e o sal. Reserve.

Na batedeira ainda desligada, misture o açúcar com as raspas de limão (se estiver usando). Em seguida, ligue-a, junte os ovos um a um e bata até obter um creme levemente esbranquiçado. Adicione o iogurte, óleo e a baunilha e bata um pouco mais. Junte a mistura da farinha e mexa bem (sem bater) até que a massa esteja homogênea.

Despeje na forma untada e leve ao forno por cerca de 50 a 55 minutos. Se sua assadeira for rasa, diminua o tempo. Depois, já sabe: é só fazer o teste do palitinho. 🙂

IMG_0946Sugestões sirva acompanhado de sua compota favorita (na foto, usei geleia de damasco) ou de coulis de frutas vermelhas (fácil de fazer: em uma panela pequena, misture cerca de 1 xícara de frutas vermelhas de sua preferência, picadinhas, com 3 colheres (sopa) de açúcar. Leve ao fogo brando por uns minutinhos, mexendo de vez em quando, para encorpar um pouco. Depois, bata com a varinha mágica. Ou deixe os pedacinhos mesmo!).

Dicas para assar bolos mais fofos

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No meu post anterior, prometi compartilhar com vocês minhas receitas de bolos preferidas*. Antes de mais nada, achei que seria bacana passar algumas dicas para que eles cresçam bem fofinhos e sem embatumar. Se você é boleira ou boleiro tarimbado, já sabe de tudo isso! Senão, aqui vão elas:

-Use sempre ingredientes em temperatura ambiente. Num dia de calor, basta tirar os ovos, a manteiga e o leite (se for usar) da geladeira cerca de 30 minutos antes de começar. No inverno, tire-os com algumas horas de antecedência. Quando a manteiga estiver bem macia, é sinal de que está no ponto.

-A não ser que a receita diga algo diferente, peneire os ingredientes secos numa mesma tigela, como a farinha, o fermento em pó, o sal, o chocolate em pó (se for o caso). Isso ajuda a evitar que empelotem e, mais importante, areja-os.

-Se a receita pede manteiga, normalmente você vai batê-la junto com o açúcar até obter um creme. Nesta etapa, é bom bater vigorosamente. A batedeira é uma mão na roda aqui porque ajuda a massa a ficar bem homogênea e a criar as minúsculas partículas de ar que vão ajudar o bolo a crescer.

-Quando for acrescentar os ovos, inclua um a um, batendo bem entre uma adição e outra.

-É hora de juntar a farinha com o fermento? Então, desligue a batedeira e mexa com uma espátula, delicadamente. Vá ‘dobrando’ a massa de fora para dentro, até que os ingredientes estejam bem misturados. Mexer demais, nesta fase, é arriscado: o bolo pode ficar pesado.

-Se a receita levar um líquido (como leite, por exemplo), alterne-o com a farinha. Isto é, despeje um pouco de farinha no creme de ovos e açúcar, adicione um pouco do líquido, mexa. Repita algumas vezes até que tudo esteja incorporado. Não junte toda a farinha e todo o líquido de uma vez, senão, você vai precisar mexer muito e é isso que a gente quer evitar.

-A temperatura ideal do forno é a de 180 graus. Mas, se seu forno for ventilado, diminua para 170 graus. Se a receita for pequena, aqueça o forno a 170 graus (160 graus, se o forno for ventilado).

-Se possível, coloque a assadeira na grelha do meio. Assim, o ar circula por todo o bolo e ele assa por igual.

-Deixe sempre o bolo esfriar antes de tentar desenformá-lo.

-Se você acha que vai assar bolos com uma certa frequência, vale a pena investir numa balança de cozinha. Há muitas bem simples e acessíveis. Nas receitas que eu compartilhar, vou procurar colocar as medidas em gramas e em xícaras e/ou colheres, mas a balança é sempre mais precisa.

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Uma observação: não há muito como escapar: bolos levam açúcar, farinha e alguma espécie de gordura (geralmente óleo ou manteiga), três ingredientes considerados vilões da culinária (ainda bem que o ovo foi absolvido!). Obviamente, existem bolos que não pedem farinha, e há como adoçá-los com mel, xarope de ácer ou bordo (maple syrup), tâmaras, açúcar mascavo… Às vezes também podemos substituir a farinha branca por uma integral ou de coco, etc. Mas não é tão simples assim fazer substituições. A gente pode mudar uma coisinha ou outra sem alterar o resultado (é o que tenho feito), mas é preciso cautela. Para fazer o bolo de chocolate cuja receita postei aqui, resolvi trocar o óleo vegetal por óleo de coco, mas precisei adaptar a quantidade para que ficasse equivalente. Resumindo, quero comer bolos mais saudáveis também, mas, enquanto não encontro uns que me convençam, vou continuar a assar bolos como os que minha mãe e minha avó faziam – e a apreciá-los com moderação. Você vem comigo nessa?

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*As receitas que eu compartilho no blogue são de domínio comum, sua autoria se perdeu no tempo. Ou, então, eu as adaptei. No caso de alguma receita original, citarei a autoria.

Meu filho e os bolos que quero fazer

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Quando penso na minha infância, uma das imagens recorrentes que me vêm é a da geladeira da casa dos meus pais. Costumava abri-la com frequência para ver o que havia de bom para lambiscar. Sempre encontrava algum doce. Na minha infância também nunca faltaram bolos. Minha mãe sempre fez pratos deliciosos, doces e salgados. Muitos deles são receitas que eu nunca experimentei – nunca ousei – fazer. Meu repertório culinário é bem diferente do dela. Eu nunca conseguiria fazer igual. Comida de mãe é comida de mãe. Outro dia estava pensando em como as lembranças que meu filho, hoje adolescente, vai ter serão diferentes das minhas. Entrei em crise, quis recuperar algumas coisas, fazer para ele o que traz reconforto para mim. Depois acabei me dando conta de que isso é impossível. Memória afetiva não se transfere. Meu filho se lembrará de outras coisas. Das recordações que ele terá não farão parte os doces ou bolos que fazem parte das minhas. Nem os lanches da tarde em volta da mesa da minha avó ou das minhas tias com café passado na hora, queijo fresco, bolachas e pães, muitas vezes, feitos em casa. De qualquer forma, espero que ele encontre aconchego quando, adulto, pensar na sua infância e adolescência. Aí, resolvi começar a fazer bolos com mais frequência (os que eu fazia eram bastante esporádicos…). Sei que essa é uma corrida contra o tempo, mas gostaria que me filho se lembrasse sempre de como é gostoso chegar em casa e sentir o cheirinho de bolo assando no forno. Porque, sério, isso é mesmo bom, não? Bolo simples, sem recheios ou coberturas complicadas. Aconchego não precisa de sofisticação. É bem possível que as recordações que ele terá nem incluirão comidas. Talvez eu esteja tentando plantar as memórias que eu quero ter. Deve ser isso mesmo, sou eu que quero me lembrar que assei bolos para meu filho antes de ele bater asas e voar para longe, coisa que vai acontecer daqui a não muito tempo. Mas torço muito para ele curtir os bolos de verdade!

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Já que resolvi virar boleira amadora, vou compartilhar com você as receitas que eu fizer e que derem certo. O tipo de bolo que escolhi é o pound cake. Já explico o que é:

Pound cake não tem uma bola tradução para o português. Esse bolo surgiu em algum lugar do norte da Europa no início do século dezoito. Bem impreciso, eu sei… Mas não há muitos registros que contem sua história direitinho. O que se sabe de fato é que ele recebeu esse nome porque, originalmente, sua receita levava a mesma medida (‘one pound’, isto é, uma libra – cerca de 450 gramas) de cada um desses quatro ingredientes: farinha, ovos, açúcar e manteiga. E só. O bolo de três séculos atrás pesava quase dois quilos e alimentava uma porção de gente. Com o tempo, pound cake passou a designar qualquer bolo cujos ingredientes tivessem o mesmo peso, qualquer que fosse esse peso. E o bolo continuou se transformando. Hoje em dia, pound cake é sinônimo de bolo simples, normalmente feito em assadeira do tipo daquelas usadas para fazer pão ou bolo inglês. Lembra-se do bolo Pullman de muitos anos atrás? É isso. Receitas maiores costumam ser feitas em assadeiras redondas, de furo, ou do tipo Bundt (uma assadeira redonda toda trabalhada, que deixa o bolo lindo!).

O bacana do pound cake é que ele pode ser servido assim, sem nada, ou, então, com um pouquinho de açúcar de confeiteiro peneirado por cima, com algum glacê ou com cobertura de chocolate, por exemplo. Sua simplicidade permite que ele seja acompanhado de manteiga, geleia, doce caseiro, pasta de amêndoa… E o melhor: ele combina com tudo: café, chá (quente no inverno, gelado no verão), chocolate quente, leite frio, suco… É uma felicidade!

(Especula-se que o pound cake seja originário da França, onde, até hoje, ele conserva o nome de quatre-quarts (quatro-quartos), referindo-se às partes iguais dos quatro ingredientes.)

Então, que tal começarmos fazendo um bolo que costuma agradar a todo mundo?

 

 Bolo de Chocolate – Chocolate Pound Cake

 

Esta receita é grande. Você vai precisar de uma assadeira de um bom tamanho. Como em casa somos só dois que comem bolo, em vez de usar uma assadeira grande, costumo dividir a massa entre duas assadeiras daquelas de pães (as minhas são pequenas). Assim, um bolo fica para consumo imediato e o outro eu congelo. Não é genial?

Ingredientes :

 3 xícaras de farinha (mais cerca de 1 colher de sopa, para polvilhar a assadeira)

½ xícara de chocolate em pó*

½ colher (chá) de fermento em pó

½ colher (chá) de sal

1 xícara (225 g) de manteiga sem sal, na temperatura ambiente (mais um pouquinho para untar a assadeira)

5 ovos, na temperatura ambiente

3 xícaras de açúcar

1 colheres (sopa) de extrato de baunilha

6 colheres (sopa) de óleo de coco (90 ml)**

1 xícara de leite, na temperatura ambiente

Açúcar de confeiteiro para polvilhar (opcional)

*Não vale usar achocolatado! Nada de Nescau, Nesquick, Toddy… Todos contêm muito açúcar e pouco cacau. Dê preferência, se possível, a chocolate em pó 100% puro ou o mais próximo disso.

** A receita da qual adaptei esta aqui levava gordura vegetal. Usando óleo de coco no lugar, o bolo fica com um aroma delicioso. Use uma colher de sopa padrão (de 15 ml) como medida.

Preparo:

Unte uma assadeira, redonda ou retangular, com manteiga e polvilhe com cerca de 1 colher de farinha. Reserve.

Pré-aqueça o forno a 170 graus enquanto prepara a receita.

Em uma tigela, peneire a farinha, o chocolate em pó, o fermento e o sal. Misture e reserve.

Bata a manteiga, o óleo de coco e o açúcar na batedeira por vários minutos, até que a mistura esteja bem macia e leve. Acrescente a baunilha e bata um pouquinho mais. Use uma espátula para raspar os lados da tigela da batedeira.

Adicione um ovo de cada vez e bata por vários segundos entre um ovo e o outro, raspado os lados de vez em quando.

Despeje um pouco de leite, bata e acrescente um pouco da mistura da farinha. Continue assim, alternando o leite e a farinha até que estejam bem incorporados e a massa esteja homogênea e leve. Tome cuidado para não bater demais nesta etapa.

Despeje a massa na assadeira e leve ao forno por cerca de uma hora. Aqui vai depender um pouco do forno que você tem. A melhor maneira de saber se o bolo está completamente assado continua sendo o teste do palitinho de dente! Deixe esfriar uns minutos, depois retire da assadeira e deixe esfriar mais um pouco. Se quiser, polvilhe com açúcar de confeiteiro.

Voilà ! Este bolo não precisa de mais nada, mas se quiser deixá-lo incrível, sirva com um pouquinho de creme de amêndoas feito em casa (receita facílima a seguir). É puro prazer!

(Versão do bolo adaptada da receita original de Trisha Yearwood – Trisha’s Southern Kitchen – para Food Network)

 

Creme de amêndoas

Pré-aqueça o forno a 180 graus.

Distribua cerca de 1 xícara de amêndoas em uma assadeira. Você pode escolher se quer usar amêndoas com pele ou sem. A pele não altera o sabor, só deixa o creme mais escurinho.

Leve ao forno por cerca de 5 a 10 minutos.

Retire as amêndoas e despeje em um processador. Bata ou pulse por vários minutos. A princípio, as amêndoas vão virar pó. Continue batendo, raspando os lados do processador com uma faca ou espátula, e verá a mágica acontecer: o pó começará a virar uma pasta. Continue batendo um pouco mais, até atingir uma consistência bem macia e cremosa. O processo todo leva em torno de 10 minutos.

Obs.: O creme de amêndoas não é doce, já que amêndoas são o único ingrediente. Ele fica uma delícia assim, mas, se preferir, acrescente um pouco de mel ou de xarope de bordo (maple syrop) depois que o creme estiver pronto. Basta bater um pouco mais. Você pode acrescentar um pouquinho de baunilha também. Agora, sério, não há necessidade de nada disso!