Elvis Presley, o eterno rei do rock ‘n’ roll

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Elvis Presley nasceu em Tupelo, no Mississippi, em 1935, em meio à Grande Depressão americana iniciada alguns anos antes. Como muitas famílias naquela época, a sua era bastante pobre.

Desde bem pequeno, Elvis ia com a mãe à igreja e adorava cantar as músicas gospel durante os cultos. E como cantava! O menino era apaixonado por música, mas era tímido e bastante inseguro. Aos onze anos ganhou seu primeiro violão e começou a aprender a tocar com o filho do pastor local. Enquanto aprendia, ia crescendo. Carregava o violão para cima e para baixo, e seus colegas o chamavam de caipira. E a vida continuava dura…

Em busca de oportunidades melhores, seus pais resolveram deixar a pequena Tupelo e foram parar em Memphis, no Tennessee. Lá Elvis completou o High School. Foi o primeiro da família a ter o diploma.

(Foto de Feito Peixe Fora d'Água)
(Beale Street, Memphis, TN. Foto de Feito Peixe Fora d’Água)

Durante os anos de 1940 e 1950, clubes e bares das cidades do sul tocavam o que chamavam de ‘urban blues’ (que se diferenciava do ‘rural blues’, o blues tocado nas plantações das fazendas daquela região do país). Memphis era o epicentro do blues. Sua Beale Street estava para a música assim como a Broadway de Nova Iorque estava para o teatro. À noite, Beale Street ficava abarrotada de gente que ia até lá se divertir e ouvir música. Havia gente tocando e cantando em todos os lugares, dentro dos estabelecimentos e fora, nas calçadas. Aquilo fervia. Elvis também adorava o que ouvia em Beale Street e vivia por lá com os amigos.

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(Foto de Feito Peixe Fora d’Água)

Apegadíssimo à mãe, Elvis, então com dezoito anos, resolveu dar a ela um presente de aniversário diferente: quis gravar-lhe uma canção. Foi até Sun Studios, o pequeno estúdio da cidade, que pertencia a Sam Phillips (mais sobre esse gênio e seu estúdio num post futuro), e pagou os quase quatro dólares necessários para fazer a gravação. Saiu de lá morrendo de vontade de que o chamassem para gravar mais. Só que não chamaram.

Demorou um ano para que Sam Phillips resolvesse dar uma chance ao adolescente que não parava de visitar o estúdio. Ele sabia que o garoto era cru e inexperiente, mas sentiu que Elvis tinha algo especial. Assim, Sam convidou Scott Moore, um guitarrista, e Bill Black, um baixista, para acompanharem o rapaz e deu-lhes uma lista de músicas. Elvis cantou todas, mas não agradou. Ficaram ali horas, mas aquilo não virava nada. Já quase pensando em ir embora, os músicos fizeram uma pausa e foram tomar um refrigerante na sala do lado. Elvis ficou para trás, pegou seu violão e começou a cantar uma canção de rhythm and blues chamada ‘That’s All Right (Mama)’ de um jeito muito diferente, ao mesmo tempo em que dançava, mexendo os quadris de um lado para o outro. O garoto se divertia, só isso. Ao ouvirem aquilo, Scott e Bill voltaram e se juntaram a ele. Sam, boquiaberto, gravou aquela novidade (ninguém nunca a havia cantado daquele jeito) e pediu que seu amigo da rádio local a pusesse no ar no dia seguinte. Sucesso imediato! Começava a carreira do rei do rock ‘n’ roll.

(Disco gravado por Elvis pena Sun Studio, no início de sua carreira. Foto de FPFD)
(Um dos discos que Elvis gravou no Sun Studios, no início de sua carreira. Foto de FPFD)

O trio começou a se apresentar em shows e Elvis foi perdendo a timidez. Todo mundo queria ver e ouvir aquele rapaz de topete e roupas excêntricas que cantava com um vozeirão lindo e dançava como ninguém. Tom Parker, empresário até então meio desconhecido, viu ali  muito potencial – e uma mina de ouro – e ofereceu-se para tomar conta de sua carreira. Tinha grandes planos: turnês pelo país, cinema, etc. E assim foi. Elvis mudou de gravadora (deixou a Sun Studios e foi para a RCA Victor) e começou a fazer filmes em Hollywood– medíocres, mas de grande apelo comercial – e seu sucesso crescia exponencialmente. Aos 21 anos, ele já tinha muito, muito dinheiro. Aos 22, comprou sua mansão, Graceland, e levou seus pais e sua avó para morarem com ele.

(Graceland, Memphis. Foto Feito Peixe Fora d'Água)
(Graceland, em Memphis, TN. Foto de Feito Peixe Fora d’Água)

Naquela época, o serviço militar era obrigatório nos EUA, e nem Elvis escapou: virou soldado e foi parar na Alemanha. Sua mãe faleceu enquanto ele estava fora e Elvis sofreu horrores. Foi naquele período também que ele conheceu a enteada de um capitão das Forças Aéreas americanas chamada Priscilla Beaulie. Priscilla tinha só 14 anos. Aos 16, ela foi morar com Elvis, o pai e a avó dele em Graceland. Seis anos mais tarde, os dois se casaram.

(Uniforme usado por Elvis na Alemanha, exposto em Graceland. Foto FPFD)
(Foto de Feito Peixe Fora d’Água)

De volta aos EUA depois de dois anos na Alemanha, Elvis continuava vendendo muitos discos, mas não tinha tempo para gravar nem para fazer shows, coisa que ele adorava. Fazia um filme atrás do outro. Foram 31 em 14 anos. Trabalhando num ritmo frenético, também não tinha tempo para aulas de atuação. Atuava mal, mas quem se importava?

(Foto de Feito Peixe Fora d'Água)
(Foto de Feito Peixe Fora d’Água)

Veio o final dos anos 1960. O gosto da moçada estava mudando. Haviam surgido bandas como os Beatles e os Rolling Stones. O pessoal agora ouvia Bob Dylan e músicas que protestavam contra a Guerra no Vietnã e contra o racismo. Elvis só tinha trinta e poucos anos, mas sua popularidade já não era a mesma e ele entrou em depressão. Tomava pílulas para dormir e pílulas para ficar acordado (hábito que pegou na Alemanha). Foi ficando inchado e começou a ganhar peso.

(Avião particular de Elvis, comprado da Delta Air Lines. Foto de FPFD)
(Avião particular de Elvis, comprado da Delta Airlines. Foto de Feito Peixe Fora d’Água)

Mas reagiu. Queria cantar para multidões de novo. Emagreceu, se cuidou e voltou com tudo num especial organizado pelo canal NBC, em 1968. Lá estava ele, lindo, charmoso e, pela primeira vez em muito tempo, feliz. Arrasou. Começou a gravar novamente e, sempre sob influência de Tom Parker, foi fazer shows no Hilton Hotel, em Las Vegas. Entre 1969 e 1977, fez 837 shows consecutivos – todos com lotação esgotada. Para aguentar o ritmo absurdo, estava cada vez mais dependente de drogas. Seu casamento, que já não ia bem fazia tempo, terminou em 1973.

Em 16 de agosto de 1977, Elvis foi encontrado morto em seu quarto. Tinha apenas 42 anos.

(Um dos muitos discos de ouro que Elvis recebeu. Foto de FPFD)
(Um dos muitos discos de ouro que Elvis recebeu. Foto de Feito Peixe Fora d’Água)

Elvis não compunha suas músicas nem inventou o rock ’n’ roll, mas estava lá desde o início e foi o maior representante de uma geração de músicos que quebrou barreiras culturais. Ganhou 90 discos de ouro, 52 de platina e 25 de multiplatina. Até hoje, vendeu mais de um bilhão de discos. Elvis não fez nenhum show fora dos EUA.

Aqui vai uma das suas primeiras versões de That’s Alright (Mama):

E aqui,  um de seus sucessos da época de Las Vegas:

Fontes:

Graceland, Memphis.

Sun Studios, Memphis.

Who was Elvis Presley?, de Geoff Edgers

Birthplace of Rock ‘n’ Roll, de Memphis Press Simitar

elvis.com.au

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