Viajando leve (bem, nem tanto…)

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Acabo de ler a newsletter do meu amigo americano Jonathan. Ele escreve um blog sobre as viagens que faz com sua esposa todos os anos. Suas viagens são longas, normalmente duram de sete a oito semanas. Em sua newsletter, Jonathan dá dicas de como viajar com o mínimo de coisas possível. Ele e sua esposa costumam levar apenas uma mala de mão cada um e, portanto, evitam ter que pagar tarifas para despachá-las (que algumas companhias aéreas cobram), não precisam ficar esperando a bagagem chegar na esteira e não correm o risco de que elas sejam extraviadas. Viajante experiente, Jonathan descreve em pormenores tudo o que leva nos bolsos do casaco e na pequena mala, especificando quantidades, pesos e dimensões. Assim, com poucas roupas, meu amigo e sua esposa passeiam dois meses pela Europa, Ásia ou pelas Américas. Não são jovens mochileiros, longe disso. Ele é aposentado e ela trabalha com eventos em Hollywood. Apesar da ótima posição financeira, alojam-se em hotéis simples, confortáveis e bem localizados, mas jamais luxuosos. Frequentam galerias e museus, descobrem as atrações locais, comem e bebem muito bem e tiram o máximo proveito da cultura do lugar onde estiverem. Tudo isso com dois pares de sapatos, meia dúzia de camisas, três calças, uma câmera, um laptop e pouca coisa mais. Não viajam para fazer compras. Compram apenas livros que, depois de lerem, deixam nos hotéis para os próximos hóspedes. Depois voltam para casa com muitas fotos e muitas histórias para contar, e com as malas do mesmo tamanho de antes.

Vamos combinar, não temos chegar a esse ponto! Principalmente nós, mulheres. Afinal, só as nécessaires que levamos já pesam bastante, e sem elas fica mais difícil a gente ser feliz. Diminuir seu tamanho é inegociável. Precisamos de todos os nossos cremes, blushes e batons. E, sim, primer é um produto indispensável, basta ver a raiz da palavra: prim = primeira necessidade.

Esclarecidas as prioridades, vamos também admitir que certamente dá para simplificar bastante nossa vida quando viajamos. Será que precisamos mesmo levar uma roupa para cada dia e sapatos e bolsas para combinar com cada uma delas? Vamos com as malas cheias e voltamos ainda mais carregadas, depois das comprinhas que adoramos fazer, principalmente no exterior. Com certeza, muitas vezes os preços compensam e os artigos são únicos ou de melhor qualidade. Às vezes, a viagem tem mesmo esse objetivo. É válido. Mas será que temos que associar toda e qualquer viagem a compras?

Com o passar do tempo, venho aprendendo uma coisinha ou outra quanto ao que levar na bagagem e ao que trazer de volta… Meio no “quem não vai pelo amor vai pela dor…” Minhas viagens em família incluem sempre muitos e muitos quilômetros de caminhadas. Saímos de manhã e voltamos à noite, seja com frio, calor, chuva ou neve. Assim, os saltos e as sandalinhas delicadas, blusinhas e casacos lindos, mas inúteis não viajam mais comigo. Aprendi a duras penas, depois de repetidos episódios de dolorosas bolhas nos pés e das tantas vezes que vi o Marido, viajante também tarimbadíssimo, balançar a cabeça (tsk, tsk, tsk) e dizer: “Para que levar isso? Não é esse tipo de viagem…”. Devagarinho fui trocando a vaidade pelo conforto. Mas sem exageros: tudo tem limite!

Turista estrangeiro tem cara de turista estrangeiro. É fato. A gente se arruma toda e vai ao restaurante bacana do local, e lá estão aqueles americanos ou europeus na mesa do lado, absolutamente tranquilos com suas calças cargo (cruzes!) e sandálias Birkenstock, felizes, deliciando-se com algum prato maravilhoso e apreciando um bom vinho. E o melhor de tudo: ninguém liga! Com exceção de uns poucos restaurantes muito sofisticados (normalmente mais formais – o tipo que não me atrai), hoje tudo está bem mais tranquilo. Você vai do jeito que está, sem problemas. Ótimo! Então, deixo o capricho na produção para quando voltar para casa. A não ser que eu esteja em Portugal. Ah, aí é diferente…

Acabo de voltar de Portugal. Fui passar lá dois meses. Para ir, fiz e refiz minha mala diversas vezes, tirando e botando de volta isso e aquilo, até chegar a um consenso. Mesmo assim, ela ficou bastante grande, maior do que eu gostaria. Ao ler a newsletter do meu amigo Jonathan, não deu para não comparar a bagagem dele com a minha. Mas afinal de contas, Portugal é esse tipo de viagem. Minha casa foi lá durante alguns anos e, de certa forma, continua sendo. Lá eu vou às compras, porque tem sempre lugar para mais um livro, um galinho de Barcelos ou uma sardinha de cerâmica na minha coleção. É lá que eu revejo pessoas queridas, saio para almoçar com uma amiga, vou ao cinema com outra, tomo um aperitivo no final da tarde com outra ainda… Em Portugal eu cometo todos os meus excessos. E vou de rasteirinhas, apesar de saber que inevitavelmente vou tropeçar nas calçadas portuguesas (as pedrinhas são lindas, mas perigosas…). Mas é só lá. Para os outros tipos de viagens também tenho minhas Birkenstock. Agora, calça cargo, não! Como disse, tudo tem limite…

(As dicas do Jonhathan você encontra aqui: http://wp.me/p2G6y6-1hR)

E por falar em compridas…

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Não sei dizer se foi a crise (mãe da criatividade) ou se foi uma nova geração de portugueses que resolveu retomar e valorizar a esquecida arte nacional, mas o fato é que o país está cheio de artesanato lindíssimo. Os temas são bem característicos: sardinhas, andorinhas, Santo Antônio, fado, entre outros. Os galinhos de Barcelo nunca saíram de cena, na verdade. Mas o restante é coisa bastante recente. Irresistível! Seja lá o que deu origem a isso, o importante é que  está funcionando muito bem.

Lisboa tem muitas lojinhas bacanas. Não deixe de comparar preços, porque eles variam muito de uma para outra. Duas lojas excelentes onde você vai achar lembrancinhas para todo mundo são:

  • A Vida Portuguesa 

Rua Anchieta, 11 (no Chiado)

www.avidaportuguesa.com

  • Lisbon Shop

 Rua do Arsenal, 15 – Pátio da Galé (na Praça do Comércio) 

E por falar em sardinhas…

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Elas agora são gourmet! Numa sacada de mestre, alguém resolveu transformá-las em algo mais requintado. Deu certíssimo também! Diversas marcas investiram no peixe mais popular que existe e o transformaram em manjar dos deuses. As latas estão lindas e há muitas variações de molhos (de azeite, tomate, suco de limão…). Uma latinha + pão crocante + um copinho de vinho branco bem gelado e a felicidade está garantida.

Você encontra as latinhas em muitos lugares, mas aqui vai uma loja especial:

  • Loja das Conservas

  Rua do Arsenal, 130 (Lisboa)

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