Mensagem para você

Uma de minhas resoluções para 2014 é ir à academia com regularidade. É uma resolução que se renova a cada ano que começa, mas que não costuma chegar ao final do primeiro bimestre. “Esse ano vai ser diferente”, é a ladainha de sempre. Mas esse ano vai ser diferente!

Na segunda-feira amarrei o tênis com convicção. A academia, muito convenientemente, fica bem perto da minha casa. Não tenho mesmo desculpas.

Entrei com passos decididos e ares de quem sabe o que está fazendo e não tem tempo a perder. Escolhi uma esteira e me preparei para passar os três-quartos de hora seguintes da forma menos sofrida possível: assistindo a alguma coisa na TV portátil do aparelho. Por coincidência, naquela hora estava começando o filme ‘Mensagem para Você’, com o Tom Hanks e a Meg Ryan. Quase troquei de canal para ver o noticiário, porém lembrei que o filme é uma graça e resolvi ficar por ali mesmo. Não iria vê-lo inteiro, mas tudo bem, eu já o havia visto algumas vezes e conhecia o final.

Como todos nos lembramos, a história começa com um homem e uma mulher que, apesar de não se conhecerem pessoalmente, trocam mensagens por e-mail. Um espera ansiosamente as mensagens do outro. Depois eles acabam se encontrando, é claro. Foi divertido observar como tantas coisas mudaram desde que o filme foi lançado. E-mails, naquela época, eram o que havia de mais avançado e a forma mais ágil de se comunicar por escrito com alguém. O pai do personagem principal até faz uma alusão ao tempo em que as cartas iam por correio, dentro de um envelope selado. Pouco mais de uma década mais tarde, e-mails estão quase obsoletos, dando vez às mensagens mais velozes nos telefones ou nas redes sociais, que dispensam introduções cordiais e vão direto ao assunto. Quem tem tempo a perder com lengalengas? Quando entra uma mensagem no nosso smartphone, tablet ou qualquer que seja nosso aparato eletrônico, um sinal sonoro nos avisa. Com o reflexo já condicionado, na mesma hora pegamos o aparelho para checar o que chegou ali. E, não raramente, a pessoa que nos mandou a mensagem espera que a gente a responda assim também: na mesma hora. Não responder as mensagens rapidamente virou indelicadeza. Os tempos mudam e muda com eles o manual das boas maneiras. Recentemente, ouvi na TV alguém falando sobre etiqueta moderna e aconselhando-nos a não deixar mensagens em caixa postal, caso a pessoa com quem queremos falar não atenda o telefone. Tanto a ligação não atendida quanto nosso número estarão lá, e a pessoa retornará a chamada assim que puder. ‘Ninguém quer ouvir seus recados!’- disse a entrevistada, sorrindo para a câmera. Vejam a diferença: falar ao telefone requer mais tempo, portanto o prazo de tolerância para o retorno da chamada é maior. Mensagens escritas são mais rápidas e, supõe-se, qualquer um pode parar seja lá o que estiver fazendo para digitar o equivalente a vários minutos de conversa usando apenas umas míseras abreviaturas. Se der para responder usando só um emoticon, melhor ainda! Eu me pergunto se a facilidade de comunicação não está criando um imediatismo neurótico em todo mundo…

Voltei minha atenção novamente para o filme, que já havia avançou e agora mostrava a ótima cena em que Joe Fox (Tom Hanks) entra em um Starbucks e diz, enquanto escolhe seu café, que o Starbucks e similares foram criados para pessoas inseguras e indecisas. Segundo Fox, em tais lugares, essas pessoas têm uma ótima oportunidade de treinarem, já que precisam tomar cerca de seis decisões para conseguir fazer seu pedido: têm de escolher se querem um café grande ou pequeno, normal ou descafeinado, com leite integral ou desnatado. Feitas as escolhas, elas saem de lá com a autoestima elevada. Ah, mas assim era naquela época… Desde então, o Starbucks mudou. Segundo a própria empresa, hoje estão disponíveis mais de 87 mil combinações de bebidas à base de espresso. Prefiro acreditar a fazer os cálculos! Há grãos de várias procedências e tipos de torra, muitas alternativas de leite, até leite que não é bem leite, como o de soja, entre tantas outras opções. Pedidos do tipo “I’ll have a for here, tall, skinny, decaf mocha, with just one shot of coffee and extra syrup but no cream” são atendidos pelo barista sem que  ele pestaneje. A ideia por trás é que a pessoa se sinta especial, já que pode personalizar seus pedidos. Na Itália, berço do cappuccino que conhecemos hoje (o feito com café espresso, leite e espuma de leite), há somente duas variações possíveis: “con cacao” e “decaffeinato”. E ele é o mesmo sempre, em qualquer cafeteria do país: simples e maravilhoso. A gente não deveria jamais mexer no que é perfeito…

Assim, sem que eu percebesse, passaram-se os meus quarenta e cinco minutos de esteira. Até que isso não é tão mau! Desliguei o aparelho com pena de interromper o filme. Ainda bem que posso achá-lo de novo no Netflix. Com o astral elevado devido à serotonina e à história gostosa, saí da academia e fui depressa tomar um Frappuccino. O Starbucks, muito convenientemente, também fica bem perto da minha casa. Não tenho mesmo como resistir.

E por falar em café…

 Marocchino

Parente do cappuccino, o marocchino não é muito conhecido fora da Itália, o que é uma pena porque ele é uma delícia. É do tamanho certo para aquela hora quando queremos uma bebida à base de café que não seja tão forte quanto um espresso puro nem tão grande quanto um cappuccino. O marocchino é quase um mini-cappuccino. A diferença é que não leva leite (só espuma bem espessa) e leva um monte de chocolate. Não é tentador? Como fazê-lo:

Faça espuma de leite utilizando o vaporizador da máquina de espresso caseira, um mix ou uma cremeira. Se for utilizar um mix ou uma cremeira, esquente o leite primeiro. Polvilhe uma xícara pequena (aqueles copinhos para shots são ótimos) com bastante chocolate amargo em pó. Prepare um café espresso e despeje-o na xícara polvilhada. Complete-a com a espuma de leite quente e densa e, por cima, acrescente mais um pouco de chocolate em pó. Adoce ao seu gosto.

Uma de suas variações: unte a xícara com uma calda de chocolate grossa no lugar de polvilhá-la com o pó. Se a calda for doce, dispense o açúcar ou use-o em menor quantidade.

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 Onde encontrar

Brasil: na Kopenhagen. O cappuccino pequeno (de 60ml) deles se assemelha um pouco ao marocchino. Leva chocolate ao leite, portanto é mais doce. Maravilhoso!

Itália: em qualquer bar (= cafeteria).

São Francisco: no Caffè Greco, em North Beach (o bairro italiano da cidade).

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